segunda-feira, 31 de outubro de 2011

CEDO DEMAIS - PARTE 3



RIVER PHOENIX

Seu nome estranho – rio em inglês – é herança dos pais hippies que deram nomes semelhantes aos outros filhos: Chuva, Folha, Arco-Íris, Liberdade e Verão. Nascido em 23/08/1970, River viveu em mais de 40 cidades diferentes. Usou o dinheiro que ganhou com seu primeiro filme – Viagem ao mundo dos sonhos (1985) para comprar uma fazenda na Flórida, onde morou vários anos com a família. Participou em seguida de Conta comigo (1986), O peso de um passado (1988) em que foi indicado ao Oscar de coadjuvante; Espiões sem rosto (1988); Indiana Jones e a última cruzada (1989), onde vivia o jovem aventureiro e Te amarei até te matar (1990), até o grande sucesso de Garotos de programa (1991) de Gus Van Sant. Mas se envolveu com as drogas e morreu de overdose em 31/08/1993, aos 23 anos.





















BRANDON LEE

Filho do lendário Bruce Lee, Brandon Bruce Lee nasceu em 01/02/1965 na Carolina do Norte (EUA) e desde que começou a andar seu pai já o treinara no estilo do Jeet June Do, mais infelizmente quando ele tinha 8 anos, Bruce morreu repentinamente de aneurisma cerebral. Desde pequeno Brandon se interessou por interpretação, mas queria ser conhecido por suas habilidades teatrais e não por seu “dotes” marciais, mesmo assim ficou marcado por ser um exímio lutador nos filmes que fez. Estreou no telefilme Kung fu: o filme (1986), mas começou a chamar a atenção em Missão Resgate (1990), fazendo em seguida Massacre no bairro japonês (1991), Rajada de fogo (1992) e O Corvo (1994), um filme que ele definitivamente não deveria ter feito. Durante as filmagens, uma arma deveria ser disparada em Eric Draven (personagem de Brandon) e por um erro do armeiro havia uma bala de verdade no cano que o atingiu quebrando sua coluna vertebral e perfurando seus órgãos internos. Houve rumores de que os negativos dessa cena foram destruídos, mas fontes extra-oficiais garantem que ela foi inserida na versão final do filme, devido a um erro de continuidade e à presença de um dublê em momento desprovido de perigo, sugerindo que Brandon começou a cena e o dublê a terminou depois que ele já tinha morrido. Brandon morreu aos 33 anos, em 31/03/1993, 17 dias antes da data de seu casamento que seria realizado no México. O corvo é dedicado à ele e à sua noiva, Elisa Hutton.









HEATH LEDGER

Heathcliff Andrew Ledger nasceu na Austrália em 04/04/1979, mas só se tornou conhecido quando começou a atuar no cinema americano a partir de 10 coisas que eu odeio em você (1999) em que ele também demonstrou talento de cantor ao entoar Can’t take my eyes of you. Nos anos seguintes atuou em 19 filmes, incluindo O patriota (2000), Coração de cavaleiro (2001), Ned Kelly (2002) e O segredo de Brokeback Mountain (2005) em que vivia um romance proibido com Jake Gyllenhall. Sua atuação foi muito elogiada e lhe rendeu o prêmio de melhor ator pelo New York Film Critics Circle Awards e pelo Australian Film Institute Awards. Em seguida viveu outro papel muito elogiado, o Coringa de Batman – O cavaleiro das trevas (2008). Em 22/01/2008 foi encontrado morto em seu apartamento. Suspeitou-se de suicídio, mas depois a polícia concluiu que a morte foi acidental por ingestão de remédios prescritos para efeito calmante e sonífero. Tinha deixado inacabado o filme O mundo imaginário do Dr. Parnauss, que foi concluído por outro ator vivendo seu personagem. Recebeu um Oscar póstumo de coadjuvante por Batman – O cavaleiro das trevas.





MARGAUX HEMINGWAY

Nascida em 1955, a neta do lendário escritor Ernest Hemingway e irmã da também atriz Mariel Hemingway, chegou a Nova York em 1974 e um ano depois já era modelo famosa e foi convidada para estrear no cinema ao lado da irmã em A violentada (1976). As críticas desfavoráveis desencadearam um processo auto destrutivo com o uso de drogas, álcool, além da obesidade depois que sofreu um acidente de esqui no Natal de 1986, que o fez ficar seis meses de cama e engordar 40 quilos. Em 1989 retornou ao cinema em Love in C-Menor e em 1990 posou nua para a Playboy americana. Sofria de epilepsia e supõe-se que tenha se suicidado como o avô Ernest, quando seu corpo foi encontrado já em decomposição no apartamento em que morava sozinha, em 01/07/1996, aos 41 anos.


JOHN CANDY

Um dos mais queridos atores dos anos 80, o gordinho John Candy nasceu em 1950 e estreou no cinema em 1978 em Parceiros do silêncio, mas o sucesso só aconteceu a partir de 1984, quando estrelou Splah, uma sereia em minha vida, Chuva de milhões (1985), A pequena loja dos horrores (1986) e S.O.S. – Tem um louco solto no espaço (1987). Em 1989 começou a apresentar dois programas semanais de rádio, Radio Candy e Camp Candy. Faleceu de um ataque cardíaco fulminante em 1994, aos 43 anos, quando filmava Dois contra o Oeste.


















JOHN BELUSHI

Nascido em 1949, John despontou para o sucesso no programa Saturday Night Live e estreou no cinema em Com a corda no pescoço (1978), protagonizando em seguida Clube dos cafajestes (1978) e o grande êxito de Os irmãos cara-de-pau (1980), quando o álcool e as drogas já começavam a afastá-lo dos amigos. Seus dois últimos filmes são de 1981, Brincou com fogo acabou fisgado e Estranhos vizinhos. Encontrando dificuldades para conseguir bons papéis foi se entregando à dependência de drogas até morrer de overdose em 05/05/1982, aos 33 anos.


Fonte de Consulta: Astros e Estrelas e seus filmes em vídeo (1990)


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sábado, 29 de outubro de 2011

CEDO DEMAIS - PARTE 2


MONTGOMERY CLIFT

O mais querido e sofrido dos três mitos rebeldes de Hollywood (os outros eram James Dean e Marlon Brando), Montgomery Clift nasceu em Nebraska (EUA) em 17/10/1920, foi educado na Suíça até os 13 anos, aos 15 já era um ator conhecido na Broadway, mas só estreou no cinema aos 28 anos em Rio Vermelho (1948) de Howard Hawks. Em 18 anos de carreira participou de apenas 17 filmes, já que era muito exigente, mas depois se arrependeu de ter recusado Crepúsculo dos deuses (1950), Vidas amargas, Nunca fui santa e Sindicato dos ladrões. Conheceu Elizabeth Taylor durante as filmagens de Um lugar ao sol (1951) e se tornou seu melhor amigo. Apesar de ela ser 12 anos mais nova que ele, assumiu um papel maternal, acobertava seu homossexualismo (imperdoável à época). Da amizade nasceram mais dois filmes, A árvore da vida (1957) e De repente, no último verão (1959). Durante as filmagens de A árvore da vida, Monty (como era chamado pelos íntimos), bateu o carro em uma árvore e quebrou o nariz, os dentes, a mandíbula e os maxilares. Nenhum cirurgião plástico conseguiu restituir a beleza do seu rosto, mas ele ainda atuou em seis filmes: Os deuses vencidos (1958), De repente, no último verão (1959), Os desajustados (1960), Rio violento (1960), Julgamento em Nuremberg (1961) e Freud – Além da alma (1962). Liz o havia convidado para ser o galã de O pecado de todos nós, mas uma semana antes dos ensaios, em 24/07/1966, Monty foi encontrado morto no chão de seu apartamento, vítima de um ataque cardíaco. Ele havia dito a Liz que sua vida após o acidente tinha se tornado um tormento e que só a morte poderia libertá-lo. Tinha 45 anos.

NATALIE WOOD







Uma das poucas atrizes infantis que conseguiram fazer a transição para a carreira adulta. Nascido em 20/07/1938, Natalie Gurdim estreou no cinema em O filho pródigo (1943) e participou de 20 filmes até ser aceita para Juventude Transviada (1955), pelo qual foi indicada ao Oscar de coadjuvante. Fez em seguida Rastros de ódio (1956), Até o último alento (1968), Amor, sublime amor (1961) e Clamor do sexo (1961). Casou-se em 1957 com o ator Robert Wagner, de quem se separou em 1963, mas se amavam tanto que se casaram novamente em 1972. Ainda não tinha acabo de filmar Projeto Brainstorm (1983), quando morreu afogada em 29/11/1981, ao tentar sair do iate do marido que estava ancorado ao sul de Los Angeles. Tinha 43 anos.

JUDY GARLAND

  

 















Frances Ethel Gunn nasceu praticamente nos bastidores do teatro, em 10/06/1922. Seus pais a colocaram no palco aos 3 anos para cantar Jingle Bells numa noite de natal. O grande impulso de sua carreira aconteceu quando ela participou do clássico O mágico de Oz (1939), já com 17 anos, mas vivendo uma garotinha. Todo mundo acreditou e gostou. O chefão da Metro queria Shirley Temple, então com 11 anos para o papel, mas a Fox não quis emprestá-la. Ninguém imagina outra Dorothy, que não Judy. Recebeu um Oscar especial por O mágico de Oz, já que a Academia não considerava o trabalho dos atores infantis como o dos adultos. Em 1945, casou-se com o diretor Vincente Minnelli que a dirigiu em vários filmes entre 1944 e 1948: Agora seremos felizes, O ponteiro da saudade, Ziegfeld Follies e O pirata. Nessa época ela começou a viciar-se em anfetaminas e outras drogas que o próprio estúdio fornecia. Em 1950 por considerá-la irresponsável no trabalho, a Metro a demitiu depois de 14 anos de contrato e Vincente Minnelli também a abandonou. Ficou 04 anos afastada das telas até retornar na 2ª versão de Nasce uma estrela (1954), quando foi indicada ao Oscar, mas perdeu para Grace Kelly. Judy morreu em 1969 em um hotel em Londres, vítima de overdose de drogas, nos braços de seu quinto marido Mickey Deans. Tinha 47 anos.

Fonte de Consulta: Astros e estrelas e seus filmes em vídeo (1990)


 
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CEDO DEMAIS


Com a proximidade do dia de finados achei interessante relembrar aqueles artistas que partiram cedo demais e por isso deixaram tanta saudade.


JAMES DEAN



James Byron Dean nasceu em 08/12/1931 e perdeu a mãe aos 07 anos, por isso foi criado pelos tios depois que seu pai se casou novamente. Rebelde, fugiu de casa e trabalho como garçom e ascensorista para pagar o curso que fazia no Actors Studios. Estreou no cinema fazendo figuração em O marujo foi na onda (1951), Baionetas caladas (1951), Sinfonia prateada (1952) e Atalhos do destino (1953), além de 25 telefilmes, sendo o primeiro deles Hill Number One (1951) em que vivia São João. Um grande astro despontava a partir de Vidas Amargas (1955) de Elia Kazan, seu mentor no Actors Studios. Antes mesmo do lançamento desse filme, Dean assinou contrato de sete anos e foi escalado para Juventude Transviada (1955) e Assim caminha a humanidade (1956), mas após terminar as filmagens deste último, chocou seu porshe branco contra outro carro em 30/09/1955, aos 23 anos, sendo indicado postumamente para o Oscar por esses dois filmes. Era tão atormentado quanto os personagens que interpretava. Morreu com 23 anos.

MARILYN MONROE





















Norma Jean Baker Mortenson nasceu em 01/06/1926 em Los Angeles. Como a mãe tinha instabilidade mental, Marilyn passou a infância em orfanatos. Para libertar-se de tudo isso, casou-se aos 16 anos com um operário. Quando o mundo foi servir na 2ª Guerra mundial, ela começou a fazer pontas no cinema, sendo as mais famosas em O segredo das jóias e A Malvada. Assinou um contrato de 7 anos com a Fox, mas só teve uma boa chance quando foi emprestada à RKO para atuar em Só a mulher peca (1952) e depois em seu primeiro sucesso Torrentes da paixão (1953). A partir daí, o cinema jamais viu uma loira tão ‘fatal’ quanto ela. Em 1956 casou-se com o teatrólogo Arthur Miller, de quem se divorciou no ano seguinte, depois de se encantar por Yves Montand durante as filmagens de Adorável pecadora (1960). Seus filmes mais queridos são Os homens preferem as loiras (1953), O pecado mora ao lado (1955), Nunca fui santa (1956) e Quanto mais quente melhor (1959), que lhe deu o único prêmio de sua carreira, um Globo de Ouro. Seu último filme foi Os desajustados (1961). Em 05/08/1962 foi encontrada morta em seu apartamento, nua na cama e com o telefone na mão, como se quisesse pedir ajuda a alguém. Várias teorias foram formuladas sobre sua morte, até de que ela teria sido morta pela CIA por causa de seu envolvimento com os irmãos Kennedy, John e Robert. Mas a versão oficial é que teve uma overdose por excesso de pílulas, que usava para dormir e acordar, o que pode ser verdade, pois aconteceu anteriormente, mas ela foi socorrida, coisa que não sucedeu naquele domingo fatídico. Tinha apenas 36 anos.

BRUCE LEE

 

















Ao contrário do que muita gente pensa, Bruce Lee não é chinês e sim americano. Nasceu na Califórnia em 27/11/1940 e formou-se em Filosofia na Universidade de Washington. Sua mãe queria chamá-lo de Lee Jun Fan, mas a burocracia americana exigiu um nome anglicano. Uma das parteiras sugeriu Bruce e o casal Lee acabou aceitando. Quando Bruce ainda era pequeno, a família retornou para Hong Kong. Estreou no cinema aos 7 anos em My son a-chan, interpretando uma marginal. Retornou aos Estados Unidos onde se casou com Linda Eremy em 1964 e deu aula de artes marciais para vários atores, como Chuck Norris, Steve McQueen e James Coburn. Por intermédio deles conseguiu o papel de Kato na cultuada série O besouro verde (1966/1967), bem como na série Batman (1966/1968). Foi o suficiente para que um importante estúdio de Hong Kong o convidasse para atuarem O dragão chinês (1971), um enorme sucesso! Ainda em Hong Kong participou de A Fúria do dragão (1972) e O retorno do dragão (1973). Os Estados Unidos, é claro, não podiam deixar esse sucesso passar em branco e o convidaram para Operação Dragão (1973). Filmava O jogo da morte quando foi encontrado morto no apartamento da atriz Betty Ting Pei em Hong Kong, no dia 20/07/1973 de aneurisma cerebral. Os produtores montaram O jogo da morte (1979), usando um dublê e conseguiram material até para O jogo da morte 2 (1981), em que foram inseridas cenas até de seu próprio velório.
Fonte de Consulta: Astros e estrelas e seus filmes em vídeo (1990)

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

AS FILHAS DA CHIQUITA


O que poderia acontecer se mais de 4 milhões de católicos se encontrassem com 40 mil gays? É a pergunta que tenta responder esse documentário de média-metragem produzido em 2006, durante o Círio de Nazaré que acontece todos os anos no mês de outubro em Belém do Pará. Só que no mesmo dia do Círio também acontece a festa da Chiquita onde milhares de gays se reúnem. Eles esperam a procissão passar para começar sua festa, mas mesma assim a polêmica está armada. E a situação só piorou quando o IPHAN em 2004 fez o registro da festa da Chiquita como parte do Círio de Nazaré, o que irritou padres e fiéis.

Fé e pecado se misturam aos olhos dos mais fanáticos que se acham superiores. O filme alterna depoimentos das duas partes, para que se conheça os dois lados da moeda. Os gays só parecem querer se divertir, sem nenhum sacrilégio ou desrespeito à imagem de Nossa Senhora de Nazaré, enquanto alguns católicos não vêem dessa forma. A mais preconceituosa e intolerante é uma velhinha que diz que o pecado do gay é maior do que o de um assassino por ele saber o que está fazendo, enquanto o assassino poderia agir por impulso ou de cabeça quente. O depoimento de um padre não é muito diferente.

No meio de toda essa polêmica, os participantes acabam tentando traçar um painel sobre ser gay e as possíveis causas e consequências disso frente ao preconceito da maioria. Há alguns depoimentos animadores de pessoas simples que expõe o direito que cada um tem de ser o que é.

O filme que foi feito sem patrocínio abre com a música "A filha da Chiquita Bacana" de Caetano Veloso e se encerra com "Chiquita Bacana" de Carmem Miranda que eu não sabia que era tema desse filme, mas que não saiu da minha cabeça desde que li sobre o filme pela primeira vez.





segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A VIA LÁCTEA


Depois de Tônica Dominante (2000), Lina Chamie retornou com esse filme de amor sensível e delicado, que conta a história de um casal que está se separando, ele (Marco Ricca) é escritor, ela (Alice Braga) é atriz de teatro. Os dois se conhecem e se apaixonam durante uma montagem da peça “As bacantes” de José Celso Martinez Correia, mas depois de um tempo, a convivência e as diferenças parecem falar mais alto. O fim do romance acontece por telefone, mas como ele não se conforma, enfrenta um engarrafamento para ir até a casa dela tentar a reconciliação. Durante essa viagem, que dura o filme todo, são recitados poemas de Carlos Drummond de Andrade e Mário Chamie, pai da diretora, ao som de música clássica e a música “Estrela” de Gilberto Gil.

O maior arrependimento dele foi ter falado palavras que não devia, como demonstrar ciúmes por um colega dela, Thiago (Fernando Alves Pinto, que protagonizou Tônica dominante, o filme anteior de Lina). O filme faz muitas viagens no tempo enquanto ele está no trânsito, são intercaladas cenas de quando os dois se conheceram, a briga, as lembranças da mãe (Mariana Lima) e um acidente de trânsito que só será desvendado ao final.


“A via láctea” é um filme diferente do que estamos acostumados a ver, mas contado de uma forma tão bonita e especial, que não há como não se emocionar e se envolver com a história desse casal que ainda se ama, mas enfrenta empecilhos em sua relação. O elenco é bastante reduzido, além de Marco Ricca e Alice Braga, Fernando Alves Pinto aparece como o pivô da briga e Mariana Lima em uma única cena. Apesar do elenco pequeno e de algumas cenas contemplativas, em nenhum momento o filme é chato ou cansativo. Com certeza, um dos mais belos filmes de amor que assisti nos últimos tempos.


Direção: Lina Chamie. Com: Marco Ricca, Alice Braga, Fernando Alves Pinto, Mariana Lima. 89 min.

sábado, 22 de outubro de 2011

MEU TIO DA AMÉRICA


MEU TIO DA AMÉRICA conta a história de dois homens (Gerard Depardieu e Roger Pierre) e suas esposas/amantes (Nicole Garcia, Marie Dubois e Nelly Borgeaud), desde a infância até a fase adulta, quando se casam e passam por problemas no trabalho e no relacionamento amoroso.

René (Gerard Depardieu) recebe uma proposta de promoção no emprego com o detalhe de ter que se mudar para outra cidade e como sua mulher Thérése (Marie Dubois) é contra a mudança, ela o abandona e quando a direção ameaça rebaixá-lo alguns anos depois, ele se desespera e tenta o suicídio. Jean (Roger Pierre) se apaixona por Janine (Nicole Garcia) e abandona a mulher Arlette (Nelly Borgeaud), que diz para Janine que está morrendo e quer passar os últimos meses de vida ao lado do marido. A amante acredita na mentira e quando descobre a verdade, já é tarde demais, o que causa o sofrimento de todos.

O filme é narrado por um médico que explica o que acontece no sistema nervoso dos seres humanos em todas essas situações de sofrimento com cenas protagonizadas por ratos de laboratório que fazem paralelo aos personagens, como no momento de desespero em que se mostra duas situações com ratos em uma caixa em que recebem choques. Na primeira situação, há uma porta em que o rato pode fugir para o outro lado e evitar o choque, permanecendo imune, enquanto na segunda situação não há uma porta para fugir e os choques o fazem sofrer pela angústia de não conseguir se libertar.

A depressão acontece quando o ser humano encontra-se em uma situação como a do rato em que não pode lutar ou fugir e o seu organismo fica afetado com as doenças psicossomáticas que surgem em virtude disso. Lembrei de uma crítica que li no livro 1001 filmes para ver antes de morrer sobre o filme AS LÁGRIMAS AMARGAS DE PETRA VON KAN de Rainer Werner Fassbinder, em que o crítico conclui: "o mais fraco em qualquer situação sempre tem a opção desoladora de partir". Às vezes nos parece difícil ou quase impossível fugir, mas essa pode ser a nossa salvação.

Adoro filmes tristes e bem dramáticos. Quando li o resumo deste, fiquei logo interessado, apesar de não ser tão triste quanto imaginava e a questão da depressão e do suicídio só serem abordados na parte final, mas apesar de sua fragmentação, é bem interessante, com a inclusão de cenas reais e de filmes antigos para demonstrar mais claramente o que os personagens estão sentindo.


Alain Renais e Nicole Garcia em Cannes (1980)
O filme é do francês Alan Resnais que dirigiu anteriormente os clássicos HIROSHIMA MON AMOUR (1959) e O ANO PASSADO EM MARIENBAD (1961) e posteriormente MEDOS PRIVADOS EM LOCAIS PÚBLICOS (. O diretor ficou famoso entre a crítica, mas causava certa estranheza e distanciamento junto a parte do público que não conseguia entender seus filmes.



MON ONCLE D'AMERIQUE - Direção: Alan Resnais. Com: Gerard Depardieu, Nicole Garcia, Roger Pierre, Nelly Borgeaud e Marie Bubois. Docudrama, 126 min.



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

DIA DO POETA

Estátua de Carlos Drummond de Andrade

Hoje comemora-se o dia do poeta, uma dessas pessoas tão abençoadas que fazem tudo parecer bonito, até a dor. Tenho dúvidas sobre qual o meu poeta preferido. Se...

Carlos Drummond de Andrade




Quero que todos os dias do ano
Todos os dias da vida De meia em meia hora
De cinco em cinco minutos
Me digas, eu te amo.
(Quero)







Mário Quintana



Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo
Se me amas, não digas,
Que morro
De surpresa... de encanto...
De medo...
(Canção para uma valsa lenta)




Fernando Pessoa


Quando vier a primavera
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes
Que na primavera passada
A realidade não precisa de mim. (Quando vier a primavera)









Cecília Meireles



Fez tanto luar que eu pensei nos teus olhos antigos
E nas tuas antigas palavras
O vento trouxe de volta tantos lugares em que estivemos
Que tornei a viver contigo enquanto o vento passava. (Valsa)







Ferreira Gullar






Que as minhas loucuras sejam perdoadas
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também. (Metade)








Álvaro de Campos





Todas as cartas de amor são
Ridículas
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas. (Todas as cartas de amor)










Poeta desconhecido


Eu te amo até pelo que você poderia ter sido
Se a maré das circunstâncias
Não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.
(Quando o amor vacila)







Ou os poetas modernos...

Renato Russo

Nossas meninas estão longe daqui
E de repente ouvi você cair
Não sei armar o que eu senti
Não sei dizer que vi você ali
Quem vai saber o que você sentiu?
Quem vai saber o que você pensou?
Quem vai dizer agora o que eu não fiz?
Como explicar pra você o que eu quis? (Soldados)



Cazuza



Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos foram traçados na maternidade. (Exagerado)










Chico Buarque


Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra meu perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava.
(Tatuagem)









Gonzaguinha


Chega de tentar dissimular
E esconder e disfarçar
O que não dá mais pra ocultar
E eu não posso mais calar
Já que o brilho desse olhar foi traidor
E entregou o que você não quis desafar
E me cortou. (Explode coração)





Peninha


Tudo era apenas uma brincadeira
E foi crescendo, crescendo me absorvendo
E de repente eu me vi assim
Completamente seu.
(Sonhos)





Caetano Veloso


Onde queres revólver, sou coqueiro
Onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão.
(O Quereres)





terça-feira, 18 de outubro de 2011

A COR PÚRPURA - PARTE 2


A primeira regra da adaptação cinematográfica é seguida em parte por Steven Spielberg. Foram mantidos no filme a ingenuidade de Cellie, sua fé, a luta dos negros do início do século passado em se manter num mundo preconceituoso; as tragédias, tristezas e revelações de uma família. Já os desejos lésbicos de Cellie são abrandados a tal ponto que no filme ficou quase esquecido em uma única e discreta cena.

No livro, Cellie se refere várias vezes ao amor que sente por Docí Avery, como quando ela deseja ir a seu show:


“Meu Deus, eu quero tanto ir. Num é pra dançar. Nem pra beber. Nem pra jogar baralho. Nem pra escutar Docí Avery cantar. Eu ficaria gradecida só de poder botar o olho nela.” (p. 36)


No filme tudo ficou reduzido a uma troca de beijos (no rosto) entre as duas, carícias nas mãos e só.


Rubens Ewald Filho em seu livro “Dicionário de Cineastas” (2001, p. 679), fala sobre isso quando biografa Steven Spielberg. “Não tem para ele temas muito profundos. Pudico, não tem coragem de lidar com o homossexualismo (como provou em A cor púrpura, uma fita onde visivelmente ele seguiu um story-board que fez sem alma, porque não entende do problema do negro como demonstraria novamente naquele que é certamente seu pior filme como diretor, Amistad).”


A segunda regra da adaptação cinematográfica, também foi seguida em parte, já que Spielberg conseguiu captar grande parte do espírito do livro e de sua magia, que o havia tornado irresistível ao público leitor e o fez ganhar o prêmio Pulitzer. O filme tem cenas emocionantes e de grande dramaticidade.


A terceira regra não foi seguida. As mudanças feitas por Spielberg no abrandamento do lado lésbico de Cellie não foram exigência para que essa história funcionasse melhor como um filme e sim decisão de um diretor até então covarde, que tinha medo da reação do público conservador frente a esse tema tão espinhoso, ou que talvez quisesse ser melhor aceito pelos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (também conservadores), mas não adiantou muito, já que o filme não recebeu nenhuma estatueta.

As cartas de Celli não trazem muitas descrições de paisagens e lugares, ao passo que o filme tem uma belíssima fotografia bem colorida com os campos do interior dos Estados Unidos. As cartas de Nettie, irmã de Cellie, que vira missionária na África são bem mais detalhistas em relação a isso, mas essa parte foi quase cortada no processo de adaptação.

O filme bem como o livro exala música, já que além de Docí, que é cantora, Tampinha, a segunda mulher de Harpo também tem esse sonho. A trilha sonora do filme foi composta por Quincy Jones e a canção “Miss Cellies Blues”, ficou muito famosa, mas nem foi indicada ao Oscar.

 
A hoje milionária apresentadora Oprah Winfrey também estreou no cinema em A cor púrpura, onde vive a sofrida Sofia, mulher de Harpo, filho do marido de Cellie, que não aceita obedecê-lo e o abandona, briga com o prefeito, fica presa por vários anos e depois sai para trabalhar como mucama da primeira dama.

É muito interessante a experiência de ler o livro e logo em seguida ver o filme (ou vice-versa), pois todos os detalhes ainda estão vivos em nossa lembrança e é possível avaliar se o diretor foi fiel ao espírito do livro e quais mudanças foram necessárias para a transposição de um suporte a outro.


Vários autores concordam que nem sempre a adaptação mais fiel é a melhor e isso é verdade. Steven Spielberg foi fiel em quase todos os pontos relevantes do livro, com exceção do lesbianismo e mesmo assim o seu filme não é tão bom quanto poderia ser. O livro é melhor (sem preconceitos de achar que a literatura é uma arte superior), mais emocionante, mais detalhista, mais humano, mas mesmo assim o filme merece ser visto.