terça-feira, 13 de junho de 2017

AS FILHAS DA CHIQUITA


Direção: Priscilla Brasil. Documentário, 51 min.


O que poderia acontecer se mais de 4 milhões de católicos se encontrassem com 40 mil gays? É a pergunta que tenta responder esse documentário de média-metragem produzido em 2006, durante o Círio de Nazaré que acontece todos os anos no mês de outubro em Belém do Pará. Só que no mesmo dia do Círio também acontece a festa da Chiquita onde milhares de gays se reúnem. Eles esperam a procissão passar para começar sua festa, mas mesma assim a polêmica está armada. E a situação só piorou quando o IPHAN em 2004 fez o registro da festa da Chiquita como parte do Círio de Nazaré, o que irritou padres e fiéis.

Fé e pecado se misturam aos olhos dos mais fanáticos que se acham superiores. O filme alterna depoimentos das duas partes, para que se conheça os dois lados da moeda. Os gays só parecem querer se divertir, sem nenhum sacrilégio ou desrespeito à imagem de Nossa Senhora de Nazaré, enquanto alguns católicos não vêem dessa forma. A mais preconceituosa e intolerante é uma velhinha que diz que o pecado do gay é maior do que o de um assassino por ele saber o que está fazendo, enquanto o assassino poderia agir por impulso ou de cabeça quente. O depoimento de um padre não é muito diferente.

No meio de toda essa polêmica, os participantes acabam tentando traçar um painel sobre ser gay e as possíveis causas e consequências disso frente ao preconceito da maioria. Há alguns depoimentos animadores de pessoas simples que expõe o direito que cada um tem de ser o que é.

O filme que foi feito sem patrocínio abre com a música "A filha da Chiquita Bacana" de Caetano Veloso e se encerra com "Chiquita Bacana" de Carmem Miranda que eu não sabia que era tema desse filme, mas que não saiu da minha cabeça desde que li sobre o filme pela primeira vez.



sábado, 10 de junho de 2017

OS TELEFILMES BRASILEIROS

Leonardo Brício em Rei Davi

Sou apreciador dos telefilmes brasileiros. Inicialmente com os filmes produzidos para a TV Record, depois com as produções da TV Cultura, depois com os da Rede Globo, que exibiu adaptações de suas séries e mini-séries em formato de filme. Assisti a todos.

E o melhor de tudo é que são produções de alta qualidade, geralmente com duração de 52 a 130 minutos e contando com atores tarimbados tanto da televisão quanto do cinema brasileiro.

Lembrando que o primeiro longa metragem produzido especialmente para a televisão foi O boi misterioso e o cavaleiro menino, produzido em 1980 pela Rede Bandeirantes (atual Band) e que contava com Jofre Soares no elenco.

Vamos relembrar essas produções. Os filmes marcados com X são os que eu já vi...

Edson Celulari em Animal

TV GLOBO
(X) Papai Noel existe (2010)
(X) A princesa e o vagabundo (2010)
(X) Homens de bem (2011)
(X) Doce de mãe (2012)
(X) Alexandre e outros heróis (2013)
(X) Didi, o peregrino (2013)
(X) Didi e o segredo dos anjos (2014)
(X) O canto da sereia
(X) O pagador de promessas
(X) Força tarefa
(X) Maysa - Quando fala o coração
(X) A teia
(X) Ó paí, ó
(X) Dalva e Herivelto - Uma canção de amor
(X) Presença de Anita
(X) As noivas de Copacabana
(X) Dercy de verdade
(X) Lampião e Maria Bonita
(X) Anos dourados
(   ) Animal
(X) Amores roubados
(X) Carga Pesada
(X) A cura
(X) Dona Flor e seus dois maridos
(X) A mulher invisível
(X) Hoje é dia de Maria
(X) Suburbia
(X) Bode de Natal
(X) Santino e o bilhete premiado
(X) Amor ao quadrado

Simone Spoladore em A musa impassível

TV CULTURA
(X) A grávida da cinemateca
(X) Marulho
(   ) Trem fantasma
(   ) Uma pilha de pratos na cozinha
(X) A cidade imaginária
(X) Caju com pizza
(   ) Hannya
(X) Exilados
(   ) A Queda do Dinheiro
(X) Corpo Presente
(   ) Carro de Paulista
(   ) Para aceitá-la continue na linha
(   ) Irina
(   ) Macbeto
(   ) A performance
(X) Fios de ovos
(   ) Paredes nuas
(X) A musa impassível
(   ) A mudança
(   ) Andaluz
(X) Segundo movimento para piano e costura
(X) E Além de Tudo, me Deixou Mudo o Violão
(X) A Ópera de Cemitério
(X) Vitrola
(X) Invasores


HBO
(X) Mandrake - Um filme em duas partes
(X) Alice - O primeiro dia do resto de minha vida
(X) Alice - A última noite

MULTISHOW
(X) Mangueira – Amor à primeira vista
(X) Joana e Marcelo – Amor quase perfeito
(X) Amor que fica

BAND
(   ) O Boi misterioso e o vaqueiro menino

FOX
(X) Politicamente incorreto
(X) Na mira do crime
(X) Refém
(X) 1 contra todos


quarta-feira, 7 de junho de 2017

A VIA LÁCTEA


Direção: Lina Chamie. Com: Marco Ricca, Alice Braga, Fernando Alves Pinto, Mariana Lima. 89 min.

Depois de Tonica Dominante (2000), Lina Chamie retornou com esse filme de amor sensível e delicado, que conta a história de um casal que está se separando, ele (Marco Ricca) é escritor, ela (Alice Braga) é atriz de teatro. Os dois se conhecem e se apaixonam durante uma montagem da peça “As bacantes” de José Celso Martinez Correia, mas depois de um tempo, a convivência e as diferenças parecem falar mais alto. O fim do romance acontece por telefone, mas como ele não se conforma, enfrenta um engarrafamento para ir até a casa dela tentar a reconciliação. Durante essa viagem, que dura o filme todo, são recitados poemas de Carlos Drummond de Andrade e Mário Chamie, pai da diretora, ao som de música clássica e a música “Estrela” de Gilberto Gil.

O maior arrependimento dele foi ter falado palavras que não devia, como demonstrar ciúmes por um colega dela, Thiago (Fernando Alves Pinto, que protagonizou Tônica dominante). O filme faz muitas viagens no tempo enquanto ele está no trânsito, são intercaladas cenas de quando os dois se conheceram, a briga, as lembranças da mãe (Mariana Lima) e um acidente de trânsito que só será desvendado ao final.

“A via láctea” é um filme diferente do que estamos acostumados a ver, mas contado de uma forma tão bonita e especial, que não há como não se emocionar e se envolver com a história desse casal que ainda se ama, mas enfrenta empecilhos em sua relação. O elenco é bastante reduzido, além de Marco Ricca e Alice Braga, Fernando Alves Pinto aparece como o pivô da briga e Mariana Lima em uma única cena. Apesar do elenco pequeno e de algumas cenas contemplativas, em nenhum momento o filme é chato ou cansativo. Com certeza, um dos mais belos filmes de amor que assisti nos últimos tempos.


domingo, 4 de junho de 2017

ALICE BRAGA


Alice Braga nasceu em São Paulo em 15 de abril de 1983. É filha de Ana Braga e sobrinha de Sonia Braga. Claro que isso influenciou seu início na vida artística em comerciais e peças de teatro e depois no cinema, onde estreou no curta-metragem Trampolim (1998), mas seu primeiro papel de destaque foi em Cidade de Deus (2002). Depois de um intervalo de 3 anos, participou de Cidade Baixa (2005) e de Só Deus sabe (2006), uma co-produção Brasil/ México que começou a abrir as portas para o mercado internacional. Nesse mesmo ano, atuou também na co-produção Brasil/ EUA, 12 horas até o amanhecer e no muito elogiado O cheiro do ralo.

Em 2007 atuou ao lado de Will Smith em Eu sou a lenda, ficando ao seu lado durante toda a projeção. Foi o início de seu sucesso internacional. Hoje é uma das atrizes brasileiras de maior visibilidade no cinema americano, ficando de igual pra igual com sua tia Sonia Braga. Está em cartaz nos cinemas com o grande sucesso A Cabana em que faz o papel da Sabedoria e já começou a gravar a 2ª temporada da série The Queen of the south (A rainha do sul) onde faz a protagonista.

Mesmo com o sucesso no cinema americano, nunca abandou o cinema brasileiro. Em 2013 atuou em Os amigos, em 2014 em Muitos homens num só e Latitudes e em 2016 Entre idas e vindas.

Gosto muito de Alice Braga e já vi todos os seus filmes.


Filmografia completa:
2.      A Rainha do Sul (Série) (2016 – 2017)
3.      Entre idas e vindas (2016)
4.      O duelo (2016)
5.      Mate-me mais uma vez (2014)
6.      O ardor (2014)
7.      Muitos homens num só (2014)
8.      Latitudes (2014)
9.      Os amigos (2013)
10.  Elysium (2013)
11.  Na estrada (2012) 
12.  Uma vida inteira (2012) – curta metragem
13.  O Ritual (2011) .... Angeline
14.  "As Brasileiras" A indomável do Ceará (2012) Seriado de TV
15.  Predadores (2010) .... Isabelle
16.  Repo men – O resgate de órgãos (2010) .... Beth
19.  Ensaio Sobre a Cegueira (2008) .... Woman with Dark Glasses
20.  Cinturão Vermelho (2008) .... Sondra Terry
21.  Eu Sou a Lenda (2007) .... Anna
22.  A Via Láctea (2007) .... Júlia
23.  Rummikub (2007) .... Filha paulista (curta metragem)
24.  O Cheiro do Ralo (2006) .... Garçonete Dois
25.  12 horas até o amanhecer (2006) .... Monique
26.  Só Deus sabe (2006) .... Dolores
27.  "Carandiru, Outras Histórias" (2005) Seriado de TV .... Vânia
28.  Cidade Baixa (2005) .... Karinna
29.  Cidade de Deus (2002) .... Angélica

quinta-feira, 1 de junho de 2017

ADRIANA PRIETO E EL JUSTICERO


Direção: Nelson Pereira dos Santos. Com: Arduino Colassanti, Emanuel Cavalcanti, Adriana Prieto, Rozita Thomas Lopes, José Wilker, Márcia Rodrigues, Thelma Reston, Zózimo Bulbul, Hugo Bidet. 80 min.

A estreia no cinema da diva Adriana Prieto. Nascida na Argentina em 1950, com quatro anos mudou-se para o Brasil, onde começou a carreira artística no teatro com a peça "Os espectros" de Ibsen e depois no cinema com este filme singelo e encantador. Participou em seguida de outros 17 filmes até 1975 quando morreu prematuramente em um fatídico acidente de carro com apenas 25 anos. Seus filmes passaram a ser cultuados:

1967 - A lei do cão*
 As sete faces de um cafajeste
1968 - Balada da página três*
1969 - Os paqueras  
 Memória de Helena
 A penúltima donzela
 As duas faces da moeda
1970 - Palácio dos anjos
 As gatinhas*
1971 - Um anjo mau
 Lúcia McCartney - Uma garota de programa
 Soninha toda pura
 Uma mulher para sábado
1972 - A viúva virgem
 Ipanema toda nua*
1974 - Ainda agarro esta vizinha
1975 - O casamento

Sou fã incondicional de Adriana Prieto e quero ver os quatro filmes dela que ainda faltam (marcados com *). Adoro seu jeito ingênuo e ao mesmo tempo intempestivo. Em "El justicero" ela vive a mocinha Ana Maria que consegue fazer com que o herói Jorge, El Justicero se apaixone por ela. Ele ganhou essa alcunha por defender os outros (se isso fosse do seu interesse), como libertar um amigo preso e salvar uma moça de ser currada. Jorge vive de conquistas e ameaças de suicídio caso a mulher não transe com ele, até que conhece a personagem de Adriana, que jura ser virgem e causa o maior estardalhaço quando ele descobre que isso não é verdade.

Nelson Pereira dos Santos foi um dos precursores do Cinema Novo com "Rio 40 graus" e chegou a dirigir alguns filmes bem chatos e incompreensíveis como "Fome de amor" também protagonizado por Arduíno Colassanti, mas com "El Justicero" ele fez um filme acessível a todos, uma comédia de costumes dos anos 60, talvez até bobinha como diz um dos personagens, indagando quem se interessaria se o herói vai ou não ficar com a mocinha perto de tanta guerra e barbárie que existe no mundo. Mas o pior é que interessa sim. O filme é quase uma pornochanchada e ficou vários meses proibido pela censura , devido aos temas abordados: sexo livre, curras, a virgindade da mulher que não tem mais importância. O engraçado é que hoje tudo isso ficou ingênuo, mas é interessante acompanhar quando esses assuntos começaram a ser tratados mais abertamente e homens e mulheres passaram a ter direitos iguais (mesmo que isso não seja totalmente cumprido na prática) e quando a liberdade sexual surgia para as mulheres também.

Baseado no livro "As vidas de El Justicero" de João Bithencourt, é um título pouco atraente, dando a impressão de um filme espanhol de aventura. É um dos filmes menos conhecidos de Nelson, já que não foi lançado em vídeo ou DVD e nem passa na televisão.