sexta-feira, 3 de setembro de 2010

OS ASTROS DA PORNOCHANCHADA


Durante a pornochanchada a situação foi mais complicada para os atores, pois os pagantes em sua maioria eram homens e não queriam assumir que iam ao cinema para ver um filme protagonizado por outro homem. Mesmo assim, alguns conseguiram vencer essa barreira. O principal deles foi David Cardoso, que é considerado o “rei da pornochanchada” e estreou no cinema em 1963, ao lado de Mazaroppi em O Lamparina. Sua primeira pornochanchada foi Os Maridos Traem... e as Mulheres Subtraem (1970), mas o sucesso de verdade só aconteceu a partir de 1974, quando fundou sua produtora, a DaCar Produções Cinematográficas. Seus sucessos foram vários: A iIha do Desejo, Dezenove Mulheres e um Homem e Desejo Selvagem. Nos anos 80 seus filmes ficaram mais ousados, chegando a dirigir alguns pornográficos usando o pseudônimo Roberto Fedegoso. Seu tipo machão sempre cercado por belas mulheres e pronto para enfrentar qualquer perigo, fazia com que encontrasse muita identificação com o público frequentador desse tipo de filme.




Outro ator de sucesso foi o galã Carlo Mossy, que fez quase todos os seus filmes no Rio de Janeiro, fora da Boca do lixo, mas o estilo é o mesmo das pornochanchadas, às vezes até pior. Alguns dos filmes que ele dirigiu são quase insuportáveis, como por exemplo, a trilogia baseada no programa de rádio Barulhos da Cidade: As taradas atacam, Bonitas e gostosas e As 1001 posições do amor. Seus melhores filmes são Soninha toda pura (1971), Essa gostosa brincadeira a dois (1973), Ódio (1977) e O seqüestro (1981), mas seu maior sucesso é Giselle (1980).


Além desses atores, pode-se destacar Tony Vieira, que depois tornou-se diretor de porno-westerns;

Nuno Leal Maia que fez várias pornochanchadas antes de se tornar ator reconhecido na Rede Globo;

É o mesmo caso de Ewerton de Castro (Sabendo Usar Não Vai Faltar, 1976);

“O cafajeste” Jece Valadão que fazia questão de incluir a palavra cafajeste no título de seus filmes, como “Os cafajestes (1962) e As sete faces de um cafajeste (1968);

Ênio Gonçalves (As intimidades de Analu e Fernanda);

Antonio Fagundes (Eu Faço... Elas Sentem);

E até Ney Latorraca (Sedução, ou Qualquer Coisa a Respeito do Amor).

Apesar de alguns deles negarem, ou de evitarem falar sobre esse período, quase todos os atores daquela época fizeram pornochanchadas, pois esse era o grosso da produção cinematográfica e, além do mais, era fácil conseguir papel em um daqueles filmes. Hoje muitos se arrependem e reclamam de terem ficado estigmatizados como atores de pornochanchada, com dificuldades em conseguir papéis “sérios” depois do fim do gênero, devido ao preconceito que as pessoas tinham (ou têm?). Mas não podemos deixar de reconhecer o poder da Rede Globo de “apagar” esse estigma quando lhe convém, basta lembrarmos dos nomes de Antônio Fagundes, Tony Ramos ou Marília Pera: quem se lembra que estes atores fizeram pornochanchada? Evidentemente o talento desses atores é inegável e graças a ele tiveram suas carreiras garantidas e revitalizadas, o que não aconteceu a outros que também vieram da pornochanchada e não prosseguiram. Matilde Mastrangi assume isso dizendo que todos eram medíocres e não continuaram trabalhando porque não tinham talento – declaração talvez exagerada, pois sabemos que outros fatores, como a oportunidade por exemplo, também contribuem para o prosseguimento de alguns talentos.

5 comentários:

  1. Muito interessante esta matéria!

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  2. gosto muito de vê os filmes desses atores e atrizes da porno chanchada.Parabens/

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  3. Curto ver os filmes com Nuno Leal Maia, o cara é gostoso, digo, era. Carlos Mossy também me atrai, estilosos e sacanas, adoooooooooooooooooooro.

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  4. Assisti vários desses filmes e certa vez fui até Boca tentar uma figuração num filme e o produtor, um rapaz japonês e o pessoal da produtora foram muito simpáticos.Já na Eca_USP, nosso professor de cinema nos levou para conhecer outra produtora e todos nós estudantes achamos tudo muito bacana. O preconceito vem do moralismo falso de certo grupos. Está mais que na hora de resgatar o valor histórico cultural desse gênero e dos seu maravilhosos atores e atrizes.

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  5. Assisti vários desses filmes e certa vez fui até Boca tentar uma figuração num filme e o produtor, um rapaz japonês e o pessoal da produtora foram muito simpáticos.Já na Eca_USP, nosso professor de cinema nos levou para conhecer outra produtora e todos nós estudantes achamos tudo muito bacana. O preconceito vem do moralismo falso de certo grupos. Está mais que na hora de resgatar o valor histórico cultural desse gênero e dos seu maravilhosos atores e atrizes.

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