terça-feira, 13 de junho de 2017

AS FILHAS DA CHIQUITA


Direção: Priscilla Brasil. Documentário, 51 min.


O que poderia acontecer se mais de 4 milhões de católicos se encontrassem com 40 mil gays? É a pergunta que tenta responder esse documentário de média-metragem produzido em 2006, durante o Círio de Nazaré que acontece todos os anos no mês de outubro em Belém do Pará. Só que no mesmo dia do Círio também acontece a festa da Chiquita onde milhares de gays se reúnem. Eles esperam a procissão passar para começar sua festa, mas mesma assim a polêmica está armada. E a situação só piorou quando o IPHAN em 2004 fez o registro da festa da Chiquita como parte do Círio de Nazaré, o que irritou padres e fiéis.

Fé e pecado se misturam aos olhos dos mais fanáticos que se acham superiores. O filme alterna depoimentos das duas partes, para que se conheça os dois lados da moeda. Os gays só parecem querer se divertir, sem nenhum sacrilégio ou desrespeito à imagem de Nossa Senhora de Nazaré, enquanto alguns católicos não vêem dessa forma. A mais preconceituosa e intolerante é uma velhinha que diz que o pecado do gay é maior do que o de um assassino por ele saber o que está fazendo, enquanto o assassino poderia agir por impulso ou de cabeça quente. O depoimento de um padre não é muito diferente.

No meio de toda essa polêmica, os participantes acabam tentando traçar um painel sobre ser gay e as possíveis causas e consequências disso frente ao preconceito da maioria. Há alguns depoimentos animadores de pessoas simples que expõe o direito que cada um tem de ser o que é.

O filme que foi feito sem patrocínio abre com a música "A filha da Chiquita Bacana" de Caetano Veloso e se encerra com "Chiquita Bacana" de Carmem Miranda que eu não sabia que era tema desse filme, mas que não saiu da minha cabeça desde que li sobre o filme pela primeira vez.



sábado, 10 de junho de 2017

OS TELEFILMES BRASILEIROS

Leonardo Brício em Rei Davi

Sou apreciador dos telefilmes brasileiros. Inicialmente com os filmes produzidos para a TV Record, depois com as produções da TV Cultura, depois com os da Rede Globo, que exibiu adaptações de suas séries e mini-séries em formato de filme. Assisti a todos.

E o melhor de tudo é que são produções de alta qualidade, geralmente com duração de 52 a 130 minutos e contando com atores tarimbados tanto da televisão quanto do cinema brasileiro.

Lembrando que o primeiro longa metragem produzido especialmente para a televisão foi O boi misterioso e o cavaleiro menino, produzido em 1980 pela Rede Bandeirantes (atual Band) e que contava com Jofre Soares no elenco.

Vamos relembrar essas produções. Os filmes marcados com X são os que eu já vi...

Edson Celulari em Animal

TV GLOBO
(X) Papai Noel existe (2010)
(X) A princesa e o vagabundo (2010)
(X) Homens de bem (2011)
(X) Doce de mãe (2012)
(X) Alexandre e outros heróis (2013)
(X) Didi, o peregrino (2013)
(X) Didi e o segredo dos anjos (2014)
(X) O canto da sereia
(X) O pagador de promessas
(X) Força tarefa
(X) Maysa - Quando fala o coração
(X) A teia
(X) Ó paí, ó
(X) Dalva e Herivelto - Uma canção de amor
(X) Presença de Anita
(X) As noivas de Copacabana
(X) Dercy de verdade
(X) Lampião e Maria Bonita
(X) Anos dourados
(   ) Animal
(X) Amores roubados
(X) Carga Pesada
(X) A cura
(X) Dona Flor e seus dois maridos
(X) A mulher invisível
(X) Hoje é dia de Maria
(X) Suburbia
(X) Bode de Natal
(X) Santino e o bilhete premiado
(X) Amor ao quadrado
(X) Amorteamo

Simone Spoladore em A musa impassível

TV CULTURA
(X) A grávida da cinemateca
(X) Marulho
(   ) Trem fantasma
(X) Uma pilha de pratos na cozinha
(X) A cidade imaginária
(X) Caju com pizza
(   ) Hannya
(X) Exilados
(   ) A Queda do Dinheiro
(X) Corpo Presente
(   ) Carro de Paulista
(   ) Para aceitá-la continue na linha
(   ) Irina
(   ) Macbeto
(   ) A performance
(X) Fios de ovos
(   ) Paredes nuas
(X) A musa impassível
(   ) A mudança
(   ) Andaluz
(X) Segundo movimento para piano e costura
(X) E Além de Tudo, me Deixou Mudo o Violão
(X) A Ópera de Cemitério
(X) Vitrola
(X) Invasores


HBO
(X) Mandrake - Um filme em duas partes
(X) Alice - O primeiro dia do resto de minha vida
(X) Alice - A última noite

MULTISHOW
(X) Mangueira – Amor à primeira vista
(X) Joana e Marcelo – Amor quase perfeito
(X) Amor que fica

BAND
(   ) O Boi misterioso e o vaqueiro menino

FOX
(X) Politicamente incorreto
(X) Na mira do crime
(X) Refém
(X) 1 contra todos


quarta-feira, 7 de junho de 2017

A VIA LÁCTEA


Direção: Lina Chamie. Com: Marco Ricca, Alice Braga, Fernando Alves Pinto, Mariana Lima. 89 min.

Depois de Tonica Dominante (2000), Lina Chamie retornou com esse filme de amor sensível e delicado, que conta a história de um casal que está se separando, ele (Marco Ricca) é escritor, ela (Alice Braga) é atriz de teatro. Os dois se conhecem e se apaixonam durante uma montagem da peça “As bacantes” de José Celso Martinez Correia, mas depois de um tempo, a convivência e as diferenças parecem falar mais alto. O fim do romance acontece por telefone, mas como ele não se conforma, enfrenta um engarrafamento para ir até a casa dela tentar a reconciliação. Durante essa viagem, que dura o filme todo, são recitados poemas de Carlos Drummond de Andrade e Mário Chamie, pai da diretora, ao som de música clássica e a música “Estrela” de Gilberto Gil.

O maior arrependimento dele foi ter falado palavras que não devia, como demonstrar ciúmes por um colega dela, Thiago (Fernando Alves Pinto, que protagonizou Tônica dominante). O filme faz muitas viagens no tempo enquanto ele está no trânsito, são intercaladas cenas de quando os dois se conheceram, a briga, as lembranças da mãe (Mariana Lima) e um acidente de trânsito que só será desvendado ao final.

“A via láctea” é um filme diferente do que estamos acostumados a ver, mas contado de uma forma tão bonita e especial, que não há como não se emocionar e se envolver com a história desse casal que ainda se ama, mas enfrenta empecilhos em sua relação. O elenco é bastante reduzido, além de Marco Ricca e Alice Braga, Fernando Alves Pinto aparece como o pivô da briga e Mariana Lima em uma única cena. Apesar do elenco pequeno e de algumas cenas contemplativas, em nenhum momento o filme é chato ou cansativo. Com certeza, um dos mais belos filmes de amor que assisti nos últimos tempos.


domingo, 4 de junho de 2017

ALICE BRAGA


Alice Braga nasceu em São Paulo em 15 de abril de 1983. É filha de Ana Braga e sobrinha de Sonia Braga. Claro que isso influenciou seu início na vida artística em comerciais e peças de teatro e depois no cinema, onde estreou no curta-metragem Trampolim (1998), mas seu primeiro papel de destaque foi em Cidade de Deus (2002). Depois de um intervalo de 3 anos, participou de Cidade Baixa (2005) e de Só Deus sabe (2006), uma co-produção Brasil/ México que começou a abrir as portas para o mercado internacional. Nesse mesmo ano, atuou também na co-produção Brasil/ EUA, 12 horas até o amanhecer e no muito elogiado O cheiro do ralo.

Em 2007 atuou ao lado de Will Smith em Eu sou a lenda, ficando ao seu lado durante toda a projeção. Foi o início de seu sucesso internacional. Hoje é uma das atrizes brasileiras de maior visibilidade no cinema americano, ficando de igual pra igual com sua tia Sonia Braga. Está em cartaz nos cinemas com o grande sucesso A Cabana em que faz o papel da Sabedoria e já começou a gravar a 2ª temporada da série The Queen of the south (A rainha do sul) onde faz a protagonista.

Mesmo com o sucesso no cinema americano, nunca abandou o cinema brasileiro. Em 2013 atuou em Os amigos, em 2014 em Muitos homens num só e Latitudes e em 2016 Entre idas e vindas.

Gosto muito de Alice Braga e já vi todos os seus filmes.


Filmografia completa:
2.      A Rainha do Sul (Série) (2016 – 2017)
3.      Entre idas e vindas (2016)
4.      O duelo (2016)
5.      Mate-me mais uma vez (2014)
6.      O ardor (2014)
7.      Muitos homens num só (2014)
8.      Latitudes (2014)
9.      Os amigos (2013)
10.  Elysium (2013)
11.  Na estrada (2012) 
12.  Uma vida inteira (2012) – curta metragem
13.  O Ritual (2011) .... Angeline
14.  "As Brasileiras" A indomável do Ceará (2012) Seriado de TV
15.  Predadores (2010) .... Isabelle
16.  Repo men – O resgate de órgãos (2010) .... Beth
19.  Ensaio Sobre a Cegueira (2008) .... Woman with Dark Glasses
20.  Cinturão Vermelho (2008) .... Sondra Terry
21.  Eu Sou a Lenda (2007) .... Anna
22.  A Via Láctea (2007) .... Júlia
23.  Rummikub (2007) .... Filha paulista (curta metragem)
24.  O Cheiro do Ralo (2006) .... Garçonete Dois
25.  12 horas até o amanhecer (2006) .... Monique
26.  Só Deus sabe (2006) .... Dolores
27.  "Carandiru, Outras Histórias" (2005) Seriado de TV .... Vânia
28.  Cidade Baixa (2005) .... Karinna
29.  Cidade de Deus (2002) .... Angélica

quinta-feira, 1 de junho de 2017

ADRIANA PRIETO E EL JUSTICERO


Direção: Nelson Pereira dos Santos. Com: Arduino Colassanti, Emanuel Cavalcanti, Adriana Prieto, Rozita Thomas Lopes, José Wilker, Márcia Rodrigues, Thelma Reston, Zózimo Bulbul, Hugo Bidet. 80 min.

A estreia no cinema da diva Adriana Prieto. Nascida na Argentina em 1950, com quatro anos mudou-se para o Brasil, onde começou a carreira artística no teatro com a peça "Os espectros" de Ibsen e depois no cinema com este filme singelo e encantador. Participou em seguida de outros 17 filmes até 1975 quando morreu prematuramente em um fatídico acidente de carro com apenas 25 anos. Seus filmes passaram a ser cultuados:

1967 - A lei do cão*
 As sete faces de um cafajeste
1968 - Balada da página três*
1969 - Os paqueras  
 Memória de Helena
 A penúltima donzela
 As duas faces da moeda
1970 - Palácio dos anjos
 As gatinhas*
1971 - Um anjo mau
 Lúcia McCartney - Uma garota de programa
 Soninha toda pura
 Uma mulher para sábado
1972 - A viúva virgem
 Ipanema toda nua*
1974 - Ainda agarro esta vizinha
1975 - O casamento

Sou fã incondicional de Adriana Prieto e quero ver os quatro filmes dela que ainda faltam (marcados com *). Adoro seu jeito ingênuo e ao mesmo tempo intempestivo. Em "El justicero" ela vive a mocinha Ana Maria que consegue fazer com que o herói Jorge, El Justicero se apaixone por ela. Ele ganhou essa alcunha por defender os outros (se isso fosse do seu interesse), como libertar um amigo preso e salvar uma moça de ser currada. Jorge vive de conquistas e ameaças de suicídio caso a mulher não transe com ele, até que conhece a personagem de Adriana, que jura ser virgem e causa o maior estardalhaço quando ele descobre que isso não é verdade.

Nelson Pereira dos Santos foi um dos precursores do Cinema Novo com "Rio 40 graus" e chegou a dirigir alguns filmes bem chatos e incompreensíveis como "Fome de amor" também protagonizado por Arduíno Colassanti, mas com "El Justicero" ele fez um filme acessível a todos, uma comédia de costumes dos anos 60, talvez até bobinha como diz um dos personagens, indagando quem se interessaria se o herói vai ou não ficar com a mocinha perto de tanta guerra e barbárie que existe no mundo. Mas o pior é que interessa sim. O filme é quase uma pornochanchada e ficou vários meses proibido pela censura , devido aos temas abordados: sexo livre, curras, a virgindade da mulher que não tem mais importância. O engraçado é que hoje tudo isso ficou ingênuo, mas é interessante acompanhar quando esses assuntos começaram a ser tratados mais abertamente e homens e mulheres passaram a ter direitos iguais (mesmo que isso não seja totalmente cumprido na prática) e quando a liberdade sexual surgia para as mulheres também.

Baseado no livro "As vidas de El Justicero" de João Bithencourt, é um título pouco atraente, dando a impressão de um filme espanhol de aventura. É um dos filmes menos conhecidos de Nelson, já que não foi lançado em vídeo ou DVD e nem passa na televisão.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

ANATOMIA DO INFERNO


Rocco Siffredi é um dos mais famosos atores pornôs da atualidade (senão o mais famoso), já tendo atuado em 400 filmes, dirigido 181, produzido 57 e  roteirizado 24 outros. De vez em quando se aventura também no cinema erótico, sendo o mais conhecido deles, Romance (1999) que tinha algumas cenas de sexo explícito e provou que ele também pode ser um ator sério. Mas ele participou também de Amorestremo (2001) e deste Anatomia do inferno (2004) que é dirigido pela mesma Catherine Breillat de Romance, a partir de seu livro Pornocracy.

 A única coisa que se pode dizer com maior evidência é que se trata de um filme muito estranho. Já começa com uma cena de sexo oral em uma boate gay, onde uma mulher (Amira Casar) conhece o personagem de Rocco e o contrata por cinco noites para fazer com que ele conheça o corpo feminino e talvez até goste dele.

Os créditos iniciais avisam que o corpo exibido em detalhes pelas câmeras não é da atriz Amira Casar, já que isso não fazia diferença, pois o que a diretora pretendia era discutir a condição da mulher na atualidade com todos os percalços que isso representa, mas claro que de uma forma bem peculiar. Em uma cena, a personagem retira o absorvente interno de seu corpo, coloca em um copo com água e os dois bebem o líquido. Em outra, tenta o suicídio por ser mulher, mas é claro que uma boate gay não é o local mais adequado para uma fêmea se sentir valorizada.

Rocco tem algumas cenas de nudez frontal, mas nenhuma de penetração. As cenas de sexo são simuladas.


Um filme curtíssimo: não passa de 73 minutos, mas em momento algum fácil de se ver. Talvez fosse melhor assistir um dos vários filmes hardcore que Rocco fez, pelo menos eles estão livres de toda essa neurose.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

10 COISAS QUE SINTO SAUDADES


1. Xou da Xuxa
Posso até ser crucificado por essa escolha, já que Xuxa é execrada por muitas pessoas, mas eu gosto dela. Sinto saudades de assistir o Xou da Xuxa na casa da patroa da minha mãe, quando ainda nem tínhamos televisão; do disco voador, os balões, as brincadeiras, a leitura das cartas, os shows musicais...

2. Desenhos animados
Meu maior passatempo enquanto criança era assistir aos desenhos animados exibidos na televisão: Os Smurfs, Thundercats, Caverna do Dragão, Duck tales, As tartarugas ninja, He-man, She-ra, Muppet Babies...

3. As novelas dos anos 80 e 90
Teve época em que eu via todas as novelas exibidas (hoje não mais) e eram tão boas. Tenho saudades de Top Model, Vamp, Perigosas Peruas, Que rei sou eu?, Quatro por quatro, A viagem, Gente fina, De corpo e alma (ah, Daniela Perez!), Tieta, Rainha da sucata...

4. Tardes na biblioteca municipal
Sempre gostei de ler. Passava as tardes na Biblioteca Municipal escolhendo livros, folheando revistas (e porque não, recortando-as). Era quase uma rato de biblioteca, como chamam pejorativamente, mas era tão bom ser um ratinho...
5. Filmes da televisão
Antes de comprar videocassete ou mesmo DVD, minha maior diversão era assistir aos filmes exibidos na Tv aberta. Tv por assinatura ainda era um sonho. A Sessão da Tarde da Rede Globo, na época em que os filmes exibidos ainda eram imperdíveis; o Cinema em Casa do SBT; o Cine Trash da Band; o Intercine da Globo; o Cine Privê da Band (ah, meu Deus).

6. Videocassete e Som 3 em 1 de LP
As fitas gravadas no videocassete não tinham a qualidade ou a nitidez do DVD ou do Bluray, mas a minha maior diversão era gravar os filmes que passavam durante a madrugada e assistir quando pudesse ou desse. Da mesma forma era muito prazeroso ouvir os discos de vinil, geralmente comprados em sebos do centro de Goiânia, ver a “bolacha preta” rodando, a agulha, o símbolo da Som livre...

7. As pornochanchadas
Só cheguei a conhecer as pornochanchadas vários anos depois que elas já tinham deixado de ser produzidas. Gosto de quase todas. Meu trabalho de conclusão de curso da especialização em Cinema e Educação foi sobre esse tema: O santo de casa que fazia milagres – O fenômeno de bilheteria da pornochanchada. Os meus atores e atrizes favoritos são David Cardoso, Helena Ramos, Carlo Mossy, Matilde Mastrangi, Aldine Muller, Ênio Gonçalves, Nuno Leal Maia, Rossana Ghesa, Nicole Puzzi, Sandra Barsotti, Adele Fátima e Meiry Vieira.

8. Tempos de escola
Sempre fui nerd, do tipo que tirava as melhores notas da sala, era odiado por causa disso, sofria bullying (como já revelei aqui), mas mesmo assim era tão bom aquele tempo em que a maior preocupação era estudar para as provas, fazer as tarefas.

9. Teatro infantil
Quando criança sempre tive pretensões de ser famoso. Queria ser qualquer coisa, menos uma pessoa comum. Pensei inicialmente que seria escritor e escrevi vários contos, crônicas e peças de teatro que eram representadas por mim e meus primos nos finais de semana.

10. Minha avó materna

Maria, a mãe da minha mãe tinha dezenas de netos, mas sempre dedicou especial atenção a todos eles, inclusive a mim que sempre achei ser o preferido, mas acho que não. Ela sabia dividir todo o amor que possuía. Infelizmente faleceu em 1990, quando eu nem tinha completado 10 anos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

A PORNOCHANCHADA E A CENSURA FEDERAL

Alba Valéria e os sete anões em Histórias que nossas babás não contavam

Quando a pornochanchada surgiu, a censura federal já estava a todo vapor, pois havia se intensificado a partir de março de 1964, com o golpe militar. Os militares inicialmente não escondiam sua desconfiança com os filmes engajados dos cinemanovistas e foram eles que mais sofreram com os cortes feitos em seus filmes e com a demora de sua liberação para exibição comercial.

A situação piorou a partir de 13 de dezembro de 1968, quando foi editado o AI-5, que suspendeu as garantias individuais e colocou sob suspeita toda a produção cultural e artística não afinada com os preceitos da Lei de Segurança Nacional. Além dos cortes que tornavam o filme incompreensível, algumas produções eram proibidas, como Lúcio Flávio – O Passageiro da Agonia, Iracema – Uma Transa Amazônica e Os Homens que Eu Tive, ou simplesmente retiradas de cartaz, mesmo depois de terem sido liberadas.

A censura tentava acabar com a liberalidade (e porque não libertinagem) que movia o cinema daquela época e era amparada pelos moralistas (falsos ou não) e pela Igreja Católica. Alguns padres assistiam antes aos filmes e determinavam o que seria um atentado à moral e aos bons costumes da família brasileira, mas quem determinava os cortes e a proibição dos filmes, eram os censores, um grupo de pessoas escolhidas pelos militares.

Alguns autores consideram a pornochanchada e a censura como sendo irmãs com comportamentos opostos, enquanto uma era libertina e libidinosa, a outra era puritana e conservadora, sendo filhas da ditadura militar. A censura impunha cortes e proibições que tornavam os filmes mal-acabados e grosseiros.

Os censores determinavam como deveria ser o enquadramento do corpo feminino, quais partes poderiam ser mostradas, mudavam os títulos dos filmes, mandavam que se refilmasse os finais.

Às vezes a censura permitia que determinada cena continuasse, mas sem o áudio. A banda de som da película era então raspada no negativo para eliminar as falas, então se ouvia apenas o ronco, o que dava asas à imaginação do público, sobre o que teria sido dito naquele momento.

De uma forma ou de outra, a censura contribuiu para o aumento da criatividade nas pornochanchadas, pois os diretores tinham que ser muito criativos para contornar os cortes. A proibição do filme fazia com que o público ficasse ainda, mais interessado em assistí-lo, o que aumentava o seu sucesso. Mesmo assim, eles implicavam mais com os filmes politizados, pois os eróticos distraiam o público da real situação pela qual o país estava passando, tratava-se, portanto de uma alienação vantajosa.

No último governo militar (João Figueiredo: 1979 – 1985), a paranoia diminuiu e os censores não detinham mais tanto poder de veto, mas a censura só foi extinta em 1988, já no governo de José Sarney, quando os filmes passaram então a ser classificados por faixa etária.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

FILMES SOBRE A DITADURA MILITAR

Daniel de Oliveira e Patrícia Pillar em Zuzu Angel

Com a supersérie da Globo Os dias eram assim a ditadura militar voltou a ser comentada entre a população brasileira, no entanto, nosso cinema já faz isso há vários anos. 

Ele retratou em dezenas de filmes o regime ditatorial  que deixou marcas profundas na sociedade brasileira. Todos os filmes foram lançados posteriormente, já que a censura proibia qualquer tipo de filme que falasse desse assunto. Alguns diretores até tentaram vencer essa barreira, mas só conseguiram fazer isso com filmes herméticos e até incompreensíveis ou que falassem de uma ditadura que acontecia em qualquer país fictício, mesmo que todos soubessem que aquele país era o Brasil.

Brasil – Um Relato de Tortura (1971)– Raras imagens captadas durante a ditadura militar estão no documentário, que retrata o chamado Grupo dos 70 – presos políticos soltos em troca da libertação do diplomata suíço Giovanni Enrico Bucher, sequestrado por guerrilheiros de extrema esquerda.

Eles Não Usam Black-tie (1981) – Baseado na peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri. O filme retrata os conflitos, contradições e anseios da classe trabalhadora no final dos anos 1970, que coincidia com um momento crítico da ditadura militar. A trama situa, em polos opostos, a esperança na ação coletiva e a aposta nas saídas individuais.

Reginaldo Faria e Antonio Fagundes em Pra frente Brasil

Pra Frente Brasil (1983)– Sob o título da canção que embalou a seleção brasileira de futebol campeã mundial em 1970, a produção de Roberto Farias foi pioneira ao mostrar de forma aberta a violência sofrida pelos presos nos porões da ditatura. A trama aborda a euforia pelo milagre econômico e pela Copa do Mundo. Jofre (Reginaldo Faria) é um pacato cidadão de classe-média, sem qualquer envolvimento com guerrilhas de esquerda. Em meio às comemorações, ele é confundido com um ativista político pelas autoridades, sendo posteriormente levado ao cárcere e torturado por agentes federais. Enquanto o homem sofre as consequências de atos que não cometeu, sua família busca as respostas para o desaparecimento.

Cláudio Marzo em Nunca Fomos tão felizes

Nunca Fomos Tão Felizes (1984): O diretor Murilo Salles retrata o período da ditadura a partir de uma relação familiar. Um militante perseguido pelo regime retira seu filho de um colégio interno após anos sem comunicação. Disposto a desvendar os mistérios do pai e conhecê-lo melhor, o jovem começa a investigar sua vida.

Tanga - Deu no New York Times? (1987): Comédia dirigida pelo cartunista Henfil sobre a vida na miserável ilha de Tanga, na qual um ditador baseia suas decisões a partir da única edição do jornal norte-americano "New York Times" que chega ao local. Para conquistar o poder, guerrilheiros lutam para ter acesso ao diário.

Corpo em Delito (1990): Dirigido por Nuno César Abreu, tem Lima Duarte como Athos, um médico legista que falsifica laudos para encobrir mortes causadas pela repressão durante a década de 1970. Após se aposentar e se dedicar à carreira de escritor, ele continua assombrado pelos acontecimentos do passado.

Lamarca (1994) – O filme conta a história do capitão do exército Carlos Lamarca e de sua opção pelo rompimento com as forças armadas durante os anos da ditadura. O diretor Sérgio Rezende decide se fixar nos dois últimos anos de vida do personagem, quando abandona a farda e, plenamente imerso na luta contra a repressão, envia a mulher e seus dois filhos para o exílio em Cuba.



O Que É Isso, Companheiro? (1997) – Em 1964, o golpe militar derrubou o governo democrático brasileiro e, após alguns anos de manifestações políticas, foi promulgado o Ato Institucional nº 5, mais precisamente em dezembro de 1968. Neste período, vários jovens cariocas de classe média optaram pela luta armada para enfrentar o regime militar. Alguns deles, integrantes do MR-8 e da Aliança Libertadora Nacional (ALN), elaboram um plano para sequestrar o embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick (Alan Arkin) e trocá-lo por prisioneiros que eram torturados nos porões da ditadura.

Ação Entre Amigos (1998): Dirigido por Beto Brant, o filme acompanha um grupo de quatro ex-guerrilheiros que, 25 anos após terem sido presos e torturados pela ditadura, se reúnem para encontrar o homem responsável pelo que aconteceu.

A Terceira Morte de Joaquim Bolívar (2000): Dirigido por Flávio Cândido, acompanha o conflito ideológico de 35 anos entre um barbeiro comunista, Joaquim Bolívar, e o coronel Gaudêncio, manda-chuva de uma fictícia cidade do Rio de Janeiro.

Quase Dois Irmãos (2004): Questões raciais ganham destaque no longa de Lúcia Murat sobre o reencontro de dois amigos de infância com trajetórias marcadas por semelhanças e diferenças. Nos anos 1970, eles foram enviados à mesma penitenciária e enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Depois, um se tornou político e o outro, chefe do tráfico.

Leonardo Medeiros em Cabra-cega

Cabra-cega (2004) – Os anos de chumbo da ditadura militar são o foco do longa-metragem dirigido por Toni Venturi. Em setembro de 1971, o sonho da revolução já não era tão nítido para os estudantes Tiago (Leonardo Medeiros) e Rosa (Débora Duboc). A missão de derrubar o regime de exceção fracassa e a organização da qual fazem parte discute o abandono da luta armada. Comandante de um grupo de ação, o rapaz é ferido à bala em uma emboscada da polícia e precisa se esconder em um modesto apartamento. A partir de então, a militante de base torna-se sua enfermeira e único contato com o mundo.

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006): Dirigido por Cao Hamburguer, é estrelado por Michel Joelsas. O jovem ator interpreta Mauro, um garoto de 12 anos que vê sua vida mudar completamente quando os pais, militantes de esquerda no Brasil dos anos 1970, saem de férias de forma inesperada.

Zuzu Angel (2006): Cinebiografia da estilista Zuzu Angel, interpretada por Patricia Pillar. Sucesso em sua profissão, nos anos 1970 ela luta contra o regime para denunciar o desaparecimento do filho, Stuart, integrante do movimento estudantil. Direção de Sérgio Rezende.


Batismo de Sangue (2007): Baseado no premiado livro homônimo de Frei Betto, tem direção de Helvécio Ratton. Sob o ponto de vista de Frei Tito, interpretado pelo ator Caio Blat, o filme mostra a ação de um grupo de frades dominicanos contra o regime militar.

Corpo (2007): Dirigido por Rossana Foglia e Rubens Rewald, narra a obsessão do legista Artur, personagem do ator Leonardo Medeiros, em descobrir a identidade de um cadáver encontrado em meio a restos mortais de presos políticos mortos durante a ditadura.

Cidadão Boilesen (2009) – Capítulo sempre subterrâneo dos anos de chumbo no Brasil, o financiamento da repressão violenta à luta armada por grandes empresários ganha contornos mais precisos no documentário de Chaim Litewski. O filme traça o perfil de Henning Albert Boilesen (1916-1971), dinamarquês radicado no país e um dos principais representantes da atividade. Suas ligações com a ditadura militar, a participação na criação da Operação Bandeirante e as acusações de que assistia voluntariamente às sessões de tortura são alguns dos temas abordados no longa-metragem.

Diário de uma Busca (2010) – Outubro de 1984. Celso Afonso de Castro, jornalista com uma longa história de militância de esquerda, é encontrado morto no apartamento de um ex-oficial, onde entrou à força. A polícia sustenta a tese de suicídio. O episódio, digno de uma trama de suspense, é o ponto de partida de Flávia, filha de Celso e diretora do filme, que decide reconstruir a trajetória da vida e da morte de seu pai, ex-membro do partido comunista que chegou a ser preso e torturado pelo regime militar. Numa viagem no tempo e na geografia, Flávia volta a Porto Alegre, Santiago, Buenos Aires, Caracas e Paris, cenários do exílio familiar, da ilusão e do fracasso de um ideal político.

Cara ou Coroa (2012) – Assinado e roteirizado por Ugo Giorgetti, o filme busca, a partir do cotidiano dos integrantes de uma companhia teatral, traçar um retrato do país no início dos anos 1970, quando o regime de exceção utilizou a vitória da seleção na Copa do Mundo do México para criar uma campanha nacionalista de legitimação. Os atores Walmor Chagas, Otávio Augusto e Emílio de Mello, dentre outros, dão vida a personagens que vão desde militares contrários à barbárie oficial até esquerdistas bem-intencionados, porém contraditórios em sua luta por liberdade.

Repare Bem (2013) – A pungente história de Denise Crispim e sua dura trajetória de batalha, exílio e perdas durante a ditadura é o tema do título de Maria de Medeiros. Filha de pais militantes, ela se apaixonou por Eduardo Leite, o "Bacuri", conhecido guerrilheiro da luta armada paulistana e um dos responsáveis por orquestrar os sequestros do cônsul japonês Nobuo Okushi e do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben. A relação entre os dois deu origem a uma gravidez, no mesmo momento em que a família de Denise foi perseguida pelos órgãos de repressão. Ela e a mãe, Encarnação, foram presas e seu irmão, assassinado. Pouco tempo depois, Bacuri acabou detido por Sérgio Fleury, delegado famoso pela crueldade, e sofreu 109 dias de tortura até ser morto antes mesmo de conhecer sua filha.


Hoje (2013): Em 1998, uma ex-militante política realiza o sonho de comprar seu apartamento, graças à indenização recebida pelo desaparecimento do marido durante o regime militar. O recomeço planejado por Vera se vê ameaçado quando o marido reaparece 30 anos depois, no dia da mudança.

A Memória que Me Contam (2013): Irene Ravache interpreta o alter-ego da diretora Lúcia Murat, uma ex-revolucionária que reencontra companheiros de resistência em uma sala de hospital. Eles esperam por notícias da também guerrilheira Ana, personagem inspirada em Vera Silvia Magalhães, amiga de Murat na vida real e a quem o filme é dedicado.


sexta-feira, 7 de abril de 2017

3062 FILMES BRASILEIROS


Parece que foi ontem. Eu estava na pós graduação há uns 8 anos e uma colega ficou encantada quando eu disse que já tinha visto 1000 filmes brasileiros. O que ela diria agora se eu disse que completei 3062?

A paixão pelo Cinema Nacional surgiu há muitos anos, com certeza influenciada pelos filmes dos Trapalhões e da Xuxa, que eram exibidos constantemente na Sessão da Tarde da Rede Globo. Depois acompanhava o “Made in Brazil” da Band que exibia entre outros filmes nacionais, as adoráveis pornochanchadas. Em seguida veio a TVE Brasil com o Cadernos de Cinema que após a exibição dos filmes, levava convidados para debater o longa sob o comando da jornalista Vera Barroso. A rede Globo, naquela época só exibia filmes brasileiros na primeira semana do ano com o Festival Nacional, mas isso ainda era pouco para mim que consumia avidamente esses filmes.

Descobri o Cine Brasil TV, um canal de produção independente que passa vários filmes e o melhor de tudo: é exibido em sinal aberto no satélite para quem quiser assistir. Foi nesse canal que conheci quase todos os filmes do diretor Carlos Hugo Christensen, como “O menino e o vento”, “Enigma para demônios”, “Anjos e demônios”, “Viagem aos seios de Duília” e do diretor e ator Carlo Mossy, um dos reis da pornochanchada, além de tantos outros filmes imperdíveis dos anos 60 aos anos 90. O canal é dirigido por Tereza Trautman (que tive a oportunidade de conhecer e é um amor de pessoa) que nos anos 70 e 80 dirigiu filmes como “Os homens que eu tive” e “Sonhos de menina moça”.

O Canal Brasil ainda continuava sendo um sonho, quando descobri a TV por assinatura “Astral Sat” e virei assinante só por causa desse canal. Oito meses depois o canal foi retirado e ela logo faliu. Reclamei muito, mas não adiantou nada. Estava de novo órgão do Cinema Brasileiro quando resolvi assinar a Sky, pois dali acho que o canal não sai, mas como não tinha muito tempo de assistir acabei cancelando a assinatura e fiquei uns anos sem, hoje sou assinante da OI TV simplesmente por causa do Canal Brasil, mas claro que nem por isso deixo de fazer downloads para ver os filmes que não passam na tv.

No início tinha preconceito com as chanchadas e os filmes da Mazzaropi, mas hoje os adoro e já vi todos os filmes que Mazzaropi fez. Acho alguns filmes do Cinema novo meio chatos, bem como quase todos os de Glauber Rocha, mas mesmo assim ainda vejo todos com grande prazer.


O cinema marginal me agrada muito. Adoro O pornógrafo; O cangaceiro é o melhor entre os filmes de cangaço; Pixote – A lei do mais fraco, um dos melhores da Embrafilme; os filmes de sexo explícito da boca do lixo também me agradam, pois sempre contavam uma história (mesmo que tosca) e a trilha sonora era de música clássica como Chopin e Beethoven. Alfredo Sternheim é o meu diretor preferido dessa época; Alma Corsária, um dos melhores da fatídica Era Collor; Central do Brasil, o melhor da retomada e o meu preferido de todos os tempos.

As trocas de filmes brasileiros com colecionadores também ajudaram muito nessas “descobertas”. Descobri várias pérolas, muitos com ótima qualidade, apesar da maioria ter sido gravada do VHS original. A maioria desses filmes também eram pornochanchadas.

E por último, os downloads. Depois que descobri os macetes de se baixar filmes na internet, nunca mais faltou filmes para eu assistir e é claro que os filmes brasileiros são prioridade e eu não deixo de baixar um filme nacional pra baixar qualquer filme estrangeiro que seja. Apesar que os próprios internautas tem preconceito com os filmes brasileiros e upam muito mais os filmes estrangeiros, principalmente os americanos.

Brinquei com um amigo, que quando vejo um filme americano é como se estivesse traindo a minha mulher (P.S. Não sou casado). Ele riu já que como a maioria das pessoas, prefere os yankees.

Que venham os 4.000.