segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

MULHER OBJETO (Brasil, 1981) ****


Direção: Silvio de Abreu. Com: Helena Ramos, Nuno Leal Maia, Kate Lyra, Maria Lúcia Dahl, Danton Jardim, Hélio Souto, Yara Amaral, Wilma Dias, Fábio Villalonga. Drama, 125 min.

Em vários filmes da pornochanchada, a mulher sempre foi tratada como mero objeto de desejo, tanto dos personagens, quanto dos espectadores que iam ao cinema para vê-la. E em Mulher Objeto, o último e melhor filme de Silvio de Abreu não é diferente. Só que esse fala de uma mulher que é desejada por vários homens, mas ela mesma não consegue sentir prazer. Regina (Helena Ramos) e Hélio (Nuno Leal Maia) são casados há dois anos e passam por uma crise no casamento, já que ela não gosta de sexo e não deixa que o marido se aproxime, mas mesmo assim fantasia que tem relações com outros homens que encontra e pelos quais sente atração, como o sobrinho de uma amiga, um médico e um encanador. Só que nem nas fantasias, consegue se satisfazer, pois se sente sempre incomodada por pombos e por traumas do passado. “É um impedimento para a realização de algo que ela anseia e não simplesmente vontade de realizar uma cena erótica, o que trouxe ao filme uma dimensão maior.”

Hélio não aguenta mais aquela situação e sugere que a mulher procure uma analista. Com o decorrer das consultas, as duas vão desvendando todo o mistério: a educação repressora que Regina teve num convento e a relação conturbada com o pai.


Mulher Objeto tem cenas bastante ousadas, com nu frontal, tanto masculino, quanto feminino, cenas de lesbianismo, sadomasoquismo, ménage à tróis, simulação de sexo bastante ousada, além de uma cena de penetração vista por Hélio em um filme antigo, mas tudo bastante refinado e em nenhum momento vulgar.

Sílvio de Abreu foi fundo no lado obscuro dessa mulher insatisfeita, mas por incrível que pareça e apesar de ser roteirista, os diálogos aqui não são seus. O argumento é de Alberto Salvá (A menina do lado) e o roteiro de Jayme Cardoso.

Helena Ramos em seu melhor papel não era a primeira escolha do diretor que pensou antes em Sonia Braga, Vera Fischer, Bruna Lombardi e Sandra Bréa, mas todas recusaram. Em nenhum momento ele queria dar o papel a Helena, pois ela tinha feito alguns filmes ruins e tinha o nome relacionado só à pornochanchadas e ele queria elevar o nível do gênero. Só aceitou quando percebeu que ela tinha muita garra e era capaz de interpretar qualquer papel. Ela sabia da responsabilidade, que se tratava de um filme mais pretensioso e se dedicou integralmente, lendo sobre sexualidade .

O filme foi exibido no Festival de Cannes e vendido para vários países. No Brasil conseguiu 2.031.520 espectadores, além do reconhecimento da crítica. Depois dele, Silvio de Abreu não dirigiu mais nada e passou a se dedicar somente às novelas.
 
 
 

2 comentários:

  1. Gostaria que esse filme voltasse às telas.

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  2. Filme toca em assuntos muito delicados que até nos dias de hoje, muitos evitam falar, perdem tempo, tempo de serem felizes plenamente. Quem prestar atenção ao filme vai poder se libertar de muitos traumas e dar sentido quando convém procurar ajuda de um psicólogo. Muitos casais não são felizes plenamente porque se escondem nas nuvens escuras da sexualidade que muitas vezes não aconteceu de uma forma natural e prazerosa.Quero muito que o meu marido veja esse filme, tenho certeza que ele vai cair em sí e mudar de atitude, principalmente no que diz respeito a ajuda de um psicoterapeuta.

    Lisa

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