segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

ADRIANA PRIETO E EL JUSTICERO



A estreia no cinema da diva Adriana Prieto. Nascida na Argentina em 1950, com quatro anos mudou-se para o Brasil, onde começou a carreira artística no teatro com a peça "Os espectros" de Ibsen e depois no cinema com este filme singelo e encantador. Participou em seguida de outros 17 filmes até 1975 quando morreu prematuramente em um fatídico acidente de carro com apenas 25 anos. Seus filmes passaram a ser cultuados:

1967 - A lei do cão*

   As sete faces de um cafajeste*
1968 - Balada da página três*
1969 - Os paqueras  
   Memória de Helena
   A penúltima donzela
   As duas faces da moeda
1970 - Palácio dos anjos*
   As gatinhas*
1971 - Um anjo mau
   Lúcia McCartney - Uma garota de programa
   Soninha toda pura
   Uma mulher para sábado*
1972 - A viúva virgem
   Ipanema toda nua*
1974 - Ainda agarro esta vizinha
1975 - O casamento


Sou fã incondicional de Adriana Prieto e quero ver os sete filmes dela que ainda faltam (marcados com *). Adoro seu jeito ingênuo e ao mesmo tempo intempestivo. Em "El justicero" ela vive a mocinha Ana Maria que consegue fazer com que o herói Jorge, El Justicero se apaixone por ela. Ele ganhou essa alcunha por defender os outros (se isso fosse do seu interesse), como libertar um amigo preso e salvar uma moça de ser currada. Jorge vive de conquistas e ameaças de suicídio caso a mulher não transe com ele, até que conhece a personagem de Adriana, que jura ser virgem e causa o maior estardalhaço quando ele descobre que isso não é verdade.

Nelson Pereira dos Santos foi um dos precursores do Cinema Novo com "Rio 40 graus" e chegou a dirigir alguns filmes bem chatos e incompreensíveis como "Fome de amor" também protagonizado por Arduíno Colassanti, mas com "El Justicero" ele fez um filme acessível a todos, uma comédia de costumes dos anos 60, talvez até bobinha como diz um dos personagens, indagando quem se interessaria se o herói vai ou não ficar com a mocinha perto de tanta guerra e barbárie que existe no mundo. Mas o pior é que interessa sim. O filme é quase uma pornochanchada e ficou vários meses proibido pela censura , devido aos temas abordados: sexo livre, curras, a virgindade da mulher que não tem mais importância. O engraçado é que hoje tudo isso ficou ingênuo, mas é interessante acompanhar quando esses assuntos começaram a ser tratados mais abertamente e homens e mulheres passaram a ter direitos iguais (mesmo que isso não seja totalmente cumprido na prática) e quando a liberdade sexual surgia para as mulheres também.

Baseado no livro "As vidas de El Justicero" de João Bithencourt, é um título pouco atraente, dando a impressão de um filme espanhol de aventura. É um dos filmes menos conhecidos de Nelson, já que não foi lançado em vídeo ou DVD e nem passa na televisão.


El Justicero (1967) Direção: Nelson Pereira dos Santos. Com: Arduino Colassanti, Emanuel Cavalcanti, Adriana Prieto, Rozita Thomas Lopes, José Wilker, Márcia Rodrigues, Thelma Reston, Zózimo Bulbul, Hugo Bidet. 80 min.


Doação de medula óssea:


6 comentários:

  1. Adoro textos que busquem nossa história.

    Parabéns amigo historiador. kkk

    abs

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  2. Gilberto, não conheço os filmes nem a atriz, mas achei interessante citar o contraponto entre como era a história e como ela é hoje em relação ao sexo. O que foi considerado uma ousadia hoje é quase normal, inclusive sobre sexo. Um abraço!

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  3. Sempre é importante conhecer a história daqueles que
    fizeram e fazem a arte da tela.
    Beijos!!

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  4. Gilberto, você faz muito mais pelo cinema nacional na blogosfera do que eu! Parabéns! Parabéns também por lembrar desses talentos esquecidos do grande público e trazer à tona a memória do nosso cinema.

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  5. Oi, amigo, dos marcados pior vc tenho O PALÁCIO DOS ANJOS. Também gosto muito da Adriana.

    O Falcão Maltês

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  6. Ola querido amigo,já vi que conheces o cinema nacional como ninguém.Acho linda Adriana mas infelizmente não´assisti a nenhum de seus filmes.Como é costume,estas com um excelente texto.Uma boa-noite e meu grande abraço.SU.

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