sábado, 12 de outubro de 2013

OS FILMES INFANTIS


“Como é bom ser criança/ ficar na barriga e depois nascer/ que pena a gente tem que crescer/ criança sempre eu quero ser.” Este trecho da música Hino à criança tem tudo a ver com a data comemorada hoje, o dia das crianças. Essa música era tema da novela Carrossel, exibida pelo SBT em 1991 e que foi grande sucesso entre o público infantil, inclusive com um remake exibido há pouco tempo.

Como se sabe, o público infantil é o mais fiel de todos os públicos, quando ele gosta de algo, é pra valer e isso inclui rever o filme dezenas de vezes até decorar as falas e levar os pais para acompanhá-los, mesmo que a produção seja quase insuportável para os adultos.


Não há como negar a importância de Walt Disney para o público infantil, já que ele praticamente inventou o desenhou animado, inicialmente com curtas metragens protagonizados por Mickey Mouse e depois com longas queridos por todos até hoje: Branca de neve e os sete anões (1937), Pinóquio (1939), Fantasia (1940), Dumbo (1941), Bambi (1942), Cinderela (1950), Alice no país das maravilhas (1951), Peter Pan (1953), A dama e o vagabundo (1955), A bela adormecida (1958) e 101 Dálmatas (1961). Disney morreu em 1966, mas seu império continua até hoje e os filmes também.
 
Xuxa e Mussum em Os trapalhões e o mágico de Oroz
No Brasil, o sucesso na televisão geralmente é transportado para o cinema, como Os Trapalhões que protagonizaram mais de 40 filmes exibidos à exaustão pela Rede Globo durante as férias escolares. Outro exemplo é Xuxa Meneghel, a proclamada rainha dos baixinhos que é muito criticada por seus filmes, mas isso não impede o sucesso dos mesmos.

Os animais também são muito queridos pelas crianças. Quem não se lembra de Lassie (1963), Benji (1973), Rin-tin-tin, Os Muppets, A menina e o porquinho (1973), Beethoven – O magnífico (1991), Caninos brancos (1991), Babe, o porquinho atrapalhado (1995), Em busca do vale encantado, O pequeno Stuart Little (1999), A era do gelo (2002) e a turma do Ursinho Pooh que são os personagens mais famosos da Disney, mais até do que o próprio Mickey.


Não quero fazer uma lista, já que nenhuma lista é definitiva (e elas sempre geram controvérsias), mas adoro O mágico de Oz (1939), Dumbo (1941),  Meu pé de laranja lima (1970), A fantástica fábrica de chocolates (1971), A menina e o porquinho (1973), E.T. – O extraterrestre (1982), Os trapalhões e o mágico de Orós (1984), Esqueceram de mim (1992), O rei leão (1994).

Não poderia deixar essa data passar em branco, já que as crianças são o publico mais fiel desse blog e as postagens mais acessadas são as de conteúdo infantil.

Confesso que tinha medo de crescer, mas como isso é inevitável, acabei me acostumando, mas guardei todas as lembranças (pelo menos as boas) dessa fase tão rica, que é a infância. 

E feliz dia das crianças, aos que já cresceram e aos que não cresceram ainda.



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

PERDEMOS NORMA BENGELL


A atriz e cineasta Norma Bengell morreu na madrugada de hoje. Ela estava internada desde o último sábado no Hospital Rio Laranjeiras no Rio, por problemas respiratórios causados por um câncer no pulmão direito diagnosticado há seis meses.

Durante a internação, Norma estava lúcida, mas não reconhecia alguns pessoas. Passava por problemas de saúde desde 2010, quando sofreu duas quedas no banheiro e estava em uma cadeira de rodas. Como estava desempregada, não tinha dinheiro para pagar a empregada, as sessões de fisioterapia ou mesmo o aluguel da cadeira, que é de R$ 150,00. Seu último trabalho foi como a Daisy Coturno do seriado Toma lá, dá cá da Rede Globo e como o último episódio foi ao ar no final de 2009, imaginei que ela ainda estivesse contratada pela Rede Globo.


Nasceu Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães D’Áurea Bengell (ufa!) em 21 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro (RJ). Começou a carreira artística como vedete dos shows de Carlos Machado e no cinema em O homem do Sputinik (1959), onde satirizava Brigitte Bardot. O sucesso aconteceu quando ela participou de O pagador de promessas (1962) de Anselmo Duarte que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e depois em Os cafajestes (1962) em que protagonizou o primeiro nu frontal do cinema brasileiro, numa cena bastante longa e que deu o que falar.

Toda essa visibilidade a levou para o cinema italiano, onde protagonizou diversos filmes e se casou com Gabriele Tinti, com quem tinha atuado em Noite Vazia (1964). Lá trabalhou com cineastas como Latuada (O mafioso) e Mario Bava (O planeta dos vampiros). Quando voltou ao Brasil foi perseguida pelo Governo Militar, de quem aguarda receber uma indenização hoje em dia, bem como a sua aposentadoria.


Essa perseguição não fez com que ela parasse de atuar, muito pelo contrário. Participou de Edu coração de ouro (1968), Palácio dos Anjos (1970), Paixão na praia (1971), A casa assassinada (1971), Mar de rosas (1978), Eros, o deus do amor (1981), A idade da Terra (1981), Rio Babilônia (1983) e Tensão no Rio (1984).

Em 1988 estreou como diretora em Eternamente Pagu estrelado por Carla Camurati e em 1996 dirigiu O Guarani com Márcio Garcia. O filme foi um fracasso e no ano 2000, ela teve problemas com o Ministério da Cultura, que questionou o uso das verbas que ela recebeu para produzir O Guarani. Hoje está proibida de atuar como produtora devido a esse processo.

Seus últimos filmes como atriz foram (por enquanto) o longa Vagas para moças de fino trato (1992) de Paulo Thiago e o curta Banquete (2002) de Marcelo Lafitte.

Norma planeja dirigir um média-metragem sobre o cartunista J. Carlos, que seria produzido Silvio Tendler.

O cinema brasileiro ficou muito mais pobre hoje.



domingo, 6 de outubro de 2013

DIA NACIONAL DO DOADOR DE MEDULA ÓSSEA


Hoje é o dia Nacional do doador de Medula Óssea. Mas quem é o doador de medula óssea? É aquela pessoa de bom coração que tem entre 18 e 55 anos, não apresenta nenhuma doença transmissível pelo sangue, como HIV, Hepatite B ou C e se disponibiliza a ir a um hemocentro para a coleta de 5 ml de seu sangue, que serão analisados para testes de tipagem HLA. Se for identificado um paciente compatível, o doador será contatado para a realização de novos testes e depois a doação de medula óssea.

O Inca (Instituto Nacional do Câncer) lançou no primeiro semestre uma rede de mapeamento genético de doadores de medula óssea.

O Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) tem 3.093.847 doadores, o que corresponde a 2,6 % da população do País. Nosso banco é o terceiro maior do mundo, atrás dos Estados Unidos que tem 4% da população registrada e da Alemanha, com 6%. O mapeamento vai possibilitar a identificação dos grupos genéticos com pouca representação no cadastro (como o meu), por isso é importante que o maior número de pessoas se cadastrem para  aumentar as chances de quem precisa de um transplante encontrar um doador compatível.


Vejamos os gráficos com a representação dos doadores:
Você está entre eles? Por que não?


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES


Todos acharam que Walt Disney estava louco quando decidiu produzir em 1934, o primeiro longa metragem de animação da história do cinema, “Branca de neve e os sete anões”, baseado na obra dos irmãos Grimm. Ele reuniu sua equipe  para vê-lo narrar e representar cada personagem da história da princesa que fica órfã e passa a sofrer nas mãos de sua madrasta invejosa que contrata um caçador para matá-la. Como ele não tem coragem de fazê-lo, deixa Branca de Neve perdida da floresta. Ela então se refugia na casa dos sete anões. No conto original, eles não tem nomes, nem personalidades definidas, foi Disney quem as desenvolveu.

A história dos irmãos Grimm é muito mais sombria que o conto de fadas de Disney. Nela o caçador leva o coração de um veado para a madrasta e ela o come achando ser da princesa. Quando descobre que ela está viva, decide matá-la com as próprias mãos, mas os anões sempre intervêm.  No conto, Branca de Neve não é salva pelo beijo do príncipe encantado. Depois de comer a maça envenenada, ela é colocada em um caixão de vidro para ser levada até o castelo, só que os empregados tropeçam, ela cospe o pedaço da maça e volta à vida. Final bem mais sem graça que o do desenho, diga-se de passagem. As mudanças feitas por Disney foram bem vindas.



O filme foi lançado em 21 de dezembro de 1937, com um orçamento de US$ 1,4 milhão, um risco para Disney, que teve que hipotecar sua casa, mas o investimento valeu a pena. Só nos três primeiros meses de exibição, mais de 20 milhões de pessoas foram conferir a novidade que rendeu US$ 8 milhões e um Oscar honorário. Isso há 75 anos. Era o início do império dos estúdios Disney, que dura até hoje (com a ajuda da Pixar, ultimamente).




segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A IGNORÂNCIA

Gilberto Carlos



A ignorância é uma benção
Benditos são aqueles que desconhecem
A complexidade de todas as coisas
Pensam que tudo é simples
E são felizes
Enquanto podem...

Não ignore isso:

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ARY FERNANDES



Ary Fernandes, criador das telesséries “O vigilante rodoviário” e “Águias de fogo” que tiveram seus episódios restaurados e exibidos pelo Canal Brasil. Mas quem foi Ary Fernandes?

Ary nasceu em São Paulo em 1931, foi locutor, radioator e estreou no cinema em 1952, trabalhando nos estúdios da Maristela como assistente de produção em “O canto do mar” e “Mulher de verdade”, depois gerente de produção em “Mãos sangrentas” e “Leonora dos sete mares” (ambos de Carlos Hugo Christensen) e “Rosa dos ventos” (de Alex Viany).


Estreou na direção com a primeira série de filmes da TV Tupi, “O vigilante rodoviário”, dirigindo 23 episódios em 1961 e outros 14 episódios em 1962. Em 1967 cria nova série de filmes para a televisão, “Águias de fogo”, sobre os aviões da FAB, com 10 episódios em 1967 e 16 em 1968 e atuando como ator nos episódios. Com a junção/adaptação dos episódios da série “O vigilante rodoviário” realiza seus oito primeiros longas, exibidos de 1962 a 1969. Em seguida adapta para o cinema a série “Águias de fogo” sob os títulos de “Águias em patrulha” e “Sentinelas do espaço”.

Em 1969, convidado por Mazzaropi dirige fitas caipiras (Uma pistola para Djeca, Mágoas de boiadeiro, O jeca e o bode).

Vanessa Alves em As vigaristas do sexo

Em 1972 entra no “mundo” das pornochanchadas, produzindo “O anjo loiro” de Alfredo Sternheim e como produtor executivo de “O leito da mulher amada” (Egydio Eccio), “Sedução ou qualquer coisa a respeito do amor” (Fauzi Mansur) e “Curral de mulheres” (Osvaldo de Oliveira) e dirigindo “O supermanso” (1974), “Quando as mulheres querem... e eles não” (1975), “Guerra é guerra” (1º episódio: Núpcias com futebol), “Sexo selvagem (1978), “Essas deliciosas mulheres” (1979), também exibido pelo Canal do Brasil, “Orgia das libertinas” (1980), “Cassino dos bacanais” (1981), “A fábrica de camisinhas” (1981), “As vigaristas do sexo” (1982), “Elas só transam no disco” (1983) e “Taras eróticas” (1983), seu último filme.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

A RETOMADA DO CINEMA BRASILEIRO

Marieta Severo em Carlota Joaquina - Princesa do Brasil

Já comentei esse assunto na crítica do livro “Cinema de novo” de Luiz Zanin Oricchio, mas achei injusto deixá-lo de fora dessa breve história do cinema brasileiro que estou levantando aqui no blog.

A atriz Carla Camurati depois de vários anos trabalhando como atriz de cinema e televisão, resolveu se tornar diretora de longas metragens. Em 1995 lançou “Carlota Joaquina – Princesa do Brazil” protagonizado por Marieta Severo que conseguiu atrair mais de 1,2 milhão de pessoas aos cinemas, tudo controlado por Carla que era também a produtora e acompanhava de perto o lançamento e a bilheteria do filme em cada sala em que era exibido.

Depois da promulgação da Lei do Audiovisual, que criou mecanismos de captação de recursos pela renúncia fiscal, o número de lançamentos aumentou substancialmente com uma média de 30 títulos anuais. De 1995 a 2002, o Brasil produziu aproximadamente 200 longas metragens e esse período é conhecido como a retomada do cinema brasileiro depois da crise.


São desse período também as indicações brasileiras ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: “O Quatrilho” (1995), “O que é isso, companheiro?” (1997), Central do Brasil (1998), que também deu indicação de melhor atriz à Fernanda Montenegro e depois “Cidade de Deus” (2002) que foi indicado como melhor filme e diretor, além de dois outros prêmios, mas infelizmente nenhum deles venceu.

Cidade de Deus é considerado por alguns autores como o filme que fechou esse período da retomada, pois era impossível que se continuasse recomeçando por muito tempo.

Gosto muito dos filmes desse fase, por isso escolhi os que mais gosto:

1995 – Carmen Miranda – Bananas is my business, Terra estrangeira, As meninas.

1996 – Um céu de estrelas, Como nascem os anjos, 16060, O monge e o filha do carrasco, Tieta do agreste.

1997 – Anahy de las Missiones, For all – O trampolim da vitória, O que é isso, companheiro?

1998 – Ação entre amigos, Alô?!, Central do Brasil (meu filme preferido)

1999 – Um copo de cólera, Dois córregos, Hans Staden, O primeiro dia, O viajante.

2000 – Minha vida em suas mãos, A negação do Brasil, Eu tu eles, Cronicamente inviável.

2001 – Abril despedaçado, Caramuru – A invenção do Brasil, Domésticas – O filme, Mater dei.


2002 – Cidade de Deus, Deus é brasileiro, Rua 6, sem número, As três Marias.