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| Ênio Gonçalves e Luiz Fernando Ianelli em "O menino e o vento" |
“O menino e o vento” (1966) de Carlos Hugo Christensen é baseado no conto “O iniciado do vento” de Aníbal Machado (que também já deu origem à novela Felicidade em 1991). O diretor usa um clima fantástico para falar da homossexualidade, quando um engenheiro (Ênio Gonçalves) vai passar as férias numa cidade do interior castigada pelos ventos e conhece um menino (Luiz Fernando Ianelli) que é o “feiticeiro dos ventos”. Surge uma ligação muito forte entre eles e quando o menino desaparece, o engenheiro é acusado de matá-lo.
A década de 70, já dominada pelas pornochanchadas trouxe dezenas de filmes que traziam personagens homossexuais, mas a maioria deles era retratado de forma estereotipada, como em “O donzelo”, “O doce esporte do sexo”, “Os machões”, “Os mansos”, “Ainda agarro essa vizinha”, “O roubo das calcinhas, “As aventuras amorosas de um padeiro”, “As 1001 posições do amor”, “As taradas atacam”... São destaques nessa década, “Soninha toda pura” (1971), “Cio – Uma verdadeira história de amor” (1971), “O desconhecido” (1977), “Toda nudez será castigada” (1972), “A Rainha Diaba” (1974), “O casamento” (1975), Marília e Marina (1976), “República dos assassinos” (1979), “Os imorais” (1979) e “O princípio do prazer” (1979).
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| Carlo Mossy e Ricardo Faria em "Giselle" |
A década de 80 ainda rendeu vários títulos com destaque para “As intimidades de Analu e Fernanda”, “Giselle”, “Mulher objeto”, “Beijo na boca”, “Rio Babilônia”, “Espelho de carne”, “Ariella”, “O beijo no asfalto”, “Ao sul do meu corpo”, "O beijo da mulher aranha", “Aqueles dois”, “Anjos da noite”, “Romance”...
Nos anos 90, pode-se citar “Barrela” (1990), “O corpo” (1990), “Matou a família e foi ao cinema” (1991), “Cinema de lágrimas” (1995), “Jenipapo” (1996), “Navalha na carne” (1997), “Até que a vida nos separe” (1999).
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| Ana Paula Arósio em "Como esquecer?" |
A década seguinte começou com “Cronicamente inviável” (2000) e “Amores possíveis” (2000) e prosseguiu com o muito criticado “Acredite, um espírito baixou em mim”. Mais recentemente deram o que falar: “Quanto dura o amor?”, “Como esquecer” com Ana Paula Arósio; o curioso caso de amor entre um gay e uma lésbica retratado em “Elvis e Madona” e os dois irmãos apaixonados em “Do começo ao fim”.
Em certa época do cinema brasileiro, principalmente nos anos 70 e 80, o homossexual foi retratado na maioria das vezes de forma pejorativa, como a “bicha louca”, a “sapatão masculinizada” e de forma carnavalizada, com tendências ao suicídio e à infelicidade, mas a situação mudou nos filmes atuais em que esses personagens são mostrados de forma mais humana.
Para mais detalhes sobre o assunto, recomendo o livro “A personagem homossexual no cinema brasileiro” de Antonio Moreno, lançado em 2002.
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| Willian Hurt e Raul Julia em "O beijo da mulher aranha" |
“Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo e tão salgado ficou doce.”