terça-feira, 11 de janeiro de 2011

JUVENTUDE (Brasil, 2008) *



Assisti a quase todos os filmes dirigidos por Domingos Oliveira (com exceção de “É Simonal”, 1970 e “Deliciosas traições do amor”, 1977), mas este “Juventude” é com certeza o seu pior filme.

Ele roda em digital para baratear os custos de produção desde “Carreiras” (2005) que foi lançado simultaneamente nos cinemas e no Canal Brasil. Nada contra isso, pois acho que na falta de grandes orçamentos, algumas saídas devem ser encontradas, mas atrelado a isso deve estar também uma boa história, o que não é o caso aqui.

Paulo José, Aderbal Frei Filho e o próprio Domingos vivem três amigos que se reúnem para relembrar a montagem da peça “A ceia dos cardeais” que participaram quando ainda eram crianças e nos intervalos, falam de seus problemas: Aderbal tem uma filha que usa heroína; Paulo José tem uma paixão mal resolvida no passado e Domingos vive o drama de estar envelhecendo e sua mulher querendo um filho.

O roteiro usa algumas sacadas para empolgar o espectador, como o fato de Aderbal precisar de 100 mil dólares emprestado para custear o tratamento da filha e um suposto enfarto de Domingos, mas nada disso adianta. À essa altura a gente já desistiu do filme e os 74 minutos de duração parecem horas. “Juventude” (não confundir com o filme homônimo de Ingmar Bergman feito nos anos 50) deixa a impressão de ser uma brincadeira sem graça entre amigos, mas alguns gostaram e chegou a ganhar prêmio o que prova que gosto não se discute.

domingo, 9 de janeiro de 2011

FOME DE VIVER (EUA, 1983) ***

David Bowie e Catherine Deneuve

Quem poderia imaginar que um dos melhores filmes sobre vampiros já feitos pelo cinema não é recheado de correrias e perseguições desenfreadas em busca de sangue?

Fome de viver é a história de Mirian (Catherine Deneuve), uma vampira que sobrevive do sangue de seus amantes e quando eles já estão destruídos os guarda em caixões no sótão. Quando o último deles (David Bowie) envelhece rapidamente, ela se mostra interessada por uma médica que estuda o envelhecimento (Susan Sarandon). A cena de sexo entre as duas é de uma sensualidade impressionante e mostra que o cinema dos anos 80 era bem menos pueril que o de hoje em dia. A primeira cena do filme já é erótica e esse permanece até o fim.

Claro que há também o clima de suspense/terro com sangue jorrando (mas nada tão gore) e um visual extraordinário numa história que vai sendo contada sem pressa até conquistar o espectador. Foi o primeiro filme dirigido por Tony Scott (irmão de Ridley) e se tornou cult, mas hoje é mais lembrado pelo clima homoerótico entre as duas estrelas. Não é para todos os gostos, mas quem arriscar, não vai se arrepender.

Catherine Deneuve e Susan Sarandon




sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O HOMOSSEXUAL NO CINEMA BRASILEIRO - PARTE 2

Ênio Gonçalves e Luiz Fernando Ianelli em "O menino e o vento"

“O menino e o vento” (1966) de Carlos Hugo Christensen é baseado no conto “O iniciado do vento” de Aníbal Machado (que também já deu origem à novela Felicidade em 1991). O diretor usa um clima fantástico para falar da homossexualidade, quando um engenheiro (Ênio Gonçalves) vai passar as férias numa cidade do interior castigada pelos ventos e conhece um menino (Luiz Fernando Ianelli) que é o “feiticeiro dos ventos”. Surge uma ligação muito forte entre eles e quando o menino desaparece, o engenheiro é acusado de matá-lo.



A década de 70, já dominada pelas pornochanchadas trouxe dezenas de filmes que traziam personagens homossexuais, mas a maioria deles era retratado de forma estereotipada, como em “O donzelo”, “O doce esporte do sexo”, “Os machões”, “Os mansos”, “Ainda agarro essa vizinha”, “O roubo das calcinhas, “As aventuras amorosas de um padeiro”, “As 1001 posições do amor”, “As taradas atacam”... São destaques nessa década, “Soninha toda pura” (1971), “Cio – Uma verdadeira história de amor” (1971), “O desconhecido” (1977), “Toda nudez será castigada” (1972), “A Rainha Diaba” (1974), “O casamento” (1975), Marília e Marina (1976), “República dos assassinos” (1979), “Os imorais” (1979) e “O princípio do prazer” (1979).


Carlo Mossy e Ricardo Faria em "Giselle"

A década de 80 ainda rendeu vários títulos com destaque para “As intimidades de Analu e Fernanda”, “Giselle”, “Mulher objeto”, “Beijo na boca”, “Rio Babilônia”, “Espelho de carne”, “Ariella”, “O beijo no asfalto”, “Ao sul do meu corpo”, "O beijo da mulher aranha", “Aqueles dois”, “Anjos da noite”, “Romance”...

Nos anos 90, pode-se citar “Barrela” (1990), “O corpo” (1990), “Matou a família e foi ao cinema” (1991), “Cinema de lágrimas” (1995), “Jenipapo” (1996), “Navalha na carne” (1997), “Até que a vida nos separe” (1999).
Ana Paula Arósio em "Como esquecer?"

A década seguinte começou com “Cronicamente inviável” (2000) e “Amores possíveis” (2000) e prosseguiu com o muito criticado “Acredite, um espírito baixou em mim”. Mais recentemente deram o que falar: “Quanto dura o amor?”, “Como esquecer” com Ana Paula Arósio; o curioso caso de amor entre um gay e uma lésbica retratado em “Elvis e Madona” e os dois irmãos apaixonados em “Do começo ao fim”.


Em certa época do cinema brasileiro, principalmente nos anos 70 e 80, o homossexual foi retratado na maioria das vezes de forma pejorativa, como a “bicha louca”, a “sapatão masculinizada” e de forma carnavalizada, com tendências ao suicídio e à infelicidade, mas a situação mudou nos filmes atuais em que esses personagens são mostrados de forma mais humana.

Para mais detalhes sobre o assunto, recomendo o livro “A personagem homossexual no cinema brasileiro” de Antonio Moreno, lançado em 2002.

Willian Hurt e Raul Julia em "O beijo da mulher aranha"

 “Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo e tão salgado ficou doce.”
(Renato Russo)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O HOMOSSEXUAL NO CINEMA BRASILEIRO

Rafael Cardoso e João Gabriel Vasconcellos em "Do começo ao fim"


O homossexual apareceu pela primeira vez no cinema brasileiro no filme “Augusto Aníbal quer casar” (1923) de Luiz de Barros, em que o protagonista na busca por uma noiva, acaba casando-se por engano com um travesti e só percebe o equívoco depois do casamento, quando tira o vestido da noiva e esta volta a se vestir, falar e se comportar como homem.


Cena de "Augsuto Aníbal quer casar"
Devido ao preconceito não houve outro exemplar na década de 20, nem mesmo na década de 30. Isso só ocorreria na década de 40 com três filmes: “O cortiço” (1946) de Luiz de Barros, baseado no romance de Aluísio Azevedo, nele o homossexual era um dos moradores do cortiço, conversava e gesticulava como mulher; “Poeira das estrelas” (1948) de Moacir Fenelon que mostrava uma amizade suspeita entre duas mulheres; e “Carnaval no fogo” (1949) de Watson Macedo que apresentava o transformismo. Grande Otelo interpretava Julieta e Oscarito, Romeu numa paródia à cena do balcão de Romeu e Julieta.



Norma Bengell e Oscarito em "O homem do Sputnik"

As chanchadas da Atlântida apresentam várias situações parecidas, com Oscarito e seu gestual exagerado como em “O homem do Sputnik” ou em “Carnaval Atlântida” em que ele se traveste de Helena de Tróia e em “Os dois ladrões” em que imita Eva Todor, numa cena hilária em que os dois estão frente a frente e pensam estar diante de um espelho.


Na década de 50, pode ser lembrado ainda “Mulher de verdade” (1954) que traz o primeiro transexual brasileiro, Ivana, numa ponta fazendo o papel de uma mulher; e “Aí vem os cadetes!” (1959) de Luiz de Barros com Adriano Reys.

Cena de "Bahia de todos os santos"


Nos anos 60, “Bahia de todos os santos” (1960) de Trigueirinho Neto, mostra um personagem que anuncia que vai para o Rio de Janeiro viver com um homem mais velho que financiará suas pinturas. O diretor foi vaiado na première do filme e ridicularizado no Jornal da Bahia do dia seguinte.





“Asfalto selvagem” (1964) de J. B. Tanko é a adaptação da primeira parte da história de Engraçadinha de Nelson Rodrigues. O mesmo diretor filmaria dois anos depois a continuação “Engraçadinha depois dos 30”. Neles, Engraçadinha é a grande paixão de sua prima. A história foi refilmada em 1981 com Lucélia Santos e Nina de Pádua. Posteriormente (1995) virou uma mini-série da Rede Globo, com Cláudia Raia e Maria Luisa Mendonça.



Odete Lara e Norma Bengell em "Noite vazia"


Em “Noite vazia” (1964), dois amigos (Mário Benvenutti e Gabrielle Tinti) contratam duas prostitutas (Norma Bengell e Odete Lara) e no decorrer da noite pedem que elas façam amor na frente deles, mas uma delas se recusa.


“Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu.”
 (Renato Russo)


Continua...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

COMER, REZAR, AMAR (EUA, 2010) ***



Fiquei meio implicado com esse filme quando ele estreou nos cinemas, pelo personagem brasileiro ser interpretado por um ator espanhol e depois mais ainda quando uma amiga disse que o best-seller autobiográfico de Elizabeth Gilbert (no qual ele é baseado) é muito chato, então supus que o filme, que tem 145 minutos também seria, mas mesmo assim resolvi arriscar e qual não foi a minha surpresa: eu gostei bastante.

O título já deixa claro que a história se divide em três partes: comer (na Itália), rezar (na Índia) e amar (em Bali), mas começa nos Estados Unidos mostrando o fim do casamento da escritora Liz (Julia Roberts) e um envolvimento entre ela e um jovem ator complicado (James Franco). E a partir disso, a decisão dela de viajar pelo mundo e tentar colocar as coisas no lugar.

De início ela viaja para a Itália, onde descobre o prazer de comer sem culpa, faz vários amigos, aprende italiano e come sem parar. Essa parte dá fome e lembra muito o filme “A festa de Babette” (1988) que é um deleite para os comilões.

Em seguida vai à Índia para se “reencontrar” com Deus, meditar, faz novos amigos, como uma moça que não quer se casar e um homem também divorciado que lhe abre o coração numa cena comovente em que explica como se deu sua separação.

Por último, Liz viaja para Bali para ver um velho guru que ela tinha encontrado no início de sua “jornada” e para finalmente amar. É quando encontra o brasileiro Felipe (Jarvier Barden). Ele ouve música brasileira o tempo todo (Samba da benção com Bebel Gilberto e Wave com João Gilberto), mas não parece ser brasileiro em momento algum. É também divorciado, aliás esse parece ser o filme dos divorciados, já que uma outra personagem (que é uma espécie de médica do local) também o é, mas isso não faz diferença.

Como disse, o filme tem quase duas horas e meia, mas não é chato (como seria o livro). Assiste-se com grande prazer. Talvez pela presença luminosa de Julia Roberts, se você gostar dela também vai gostar do filme que é dirigido por Ryan Murphy, o criador das séries Nip/Tuck e Glee.


 


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

BILHETERIAS DOS FILMES NACIONAIS LANÇADOS EM 2010

O ano de 2010 foi muito bom para o Cinema brasileiro, ajudado em grande parte pelo sucesso de Tropa de Elite 2 que se tornou o filme de maior bilheteria de todos os tempos no cinema nacional, deixando para trás "Dona Flor e seus dois maridos" e até "Avatar", mas houveram também os sucessos de "Nosso Lar", "Chico Xavier", "Xuxa em O mistério de Feiurinha" e "Muita calma nessa hora. No total foram quase 29 milhões de público. Confira os dados colhidos pelo portal FilmeB:

1. Tropa de Elite 2 - 11.081.199
2. Nosso Lar - 4.060.000
3. Chico Xavier - 3.414.900
4. Xuxa em O Mistério de Feiurinha - 1.299.044
5. Muita Calma Nessa Hora - 1.283.391
6. O Bem Amado - 966.519
7. Lula, O Filho do Brasil - 852.212
8. As Melhores Coisas do Mundo - 310.029
9. High School Musical - O Desafio - 292.932
10. Quincas Berro d'Água - 281.173
11. A Suprema Felicidade - 218.124
12. 5X Favela - Agora por Nós Mesmos - 158.433
13. 400 Contra 1 - A História do Comando Vermelho - 142.534
14. Aparecida, O Milagre - 120.093
15. Federal - 111.695
16. Eu e meu Guarda-Chuva - 97.950
17. Do Começo ao Fim - 89.258
18. Uma Noite em 67 - 80.766
19. Em Teu Nome - 53.721
20. Amor por Acaso - 47.607
21. Soberano - Seis Vezes São Paulo - 45.434
22. Segurança Nacional - 37.169
23. Como Esquecer - 33.066
24. Antes que o Mundo Acabe - 28.390
25. José e Pilar - 27.767
26. Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo - 26.361
27. A Casa Verde - 24.588
28. Reflexões de um Liquidificador - 23.664
29. Sonhos Roubados - 23.573
30. DziCroquettes - 23.528
31. O Homem que Engarrafava Nuvens - 19.324
32. Olhos Azuis - 16.193
33. É Proibido Fumar - 15.385
34. Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos - 11.208
35. Cabeça a Prêmio - 10.608
36. Utopia e Barbárie - 9.909
37. Os Inquilinos - 9.813
38. Cidadão Boilesen - 8.448
39. Os Famosos e os Duendes da Morte - 8.406
40. Besouro - 7.388
41. As Cartas Psicografadas por Chico Xavier - 7.336
42. Quanto Dura o Amor? - 6.212
43. Só Dez Por Cento É Mentira - 6.150
44. No Meu Lugar - 5.829
45. Caro Francis - 5.033
46. O Amor Segundo B. Schianberg - 4.390
47. Noel, Poeta da Vila - 4.348
48. Pachamama - 4.217
49. Rita Cadillac - A Lady do Povo - 4.103
50. Vida Sobre Rodas - 3.491
51. O Sol do Meio-Dia - 2.811
52. Programa Casé - 2.644
53. Terra Deu, Terra Come - 2.530
54. Veias e Vinhos - 2.500
55. Todo Poderoso: O Filme - 2.423
56. Insolação - 2.235
57. Netto e o Domador de Cavalos - 2.170
58. Praça SaensPeña - 2.138
59. O Grão - 1.976
60. Bellini e o Demônio - 1.933
61. A Guerra dos Vizinhos - 1.829
62. Um Lugar ao Sol - 1.806
63. JardsMacalé - 1.805
64. Léo e Bia - 1.367
65. Topografia de um Desnudo - 1.202
66. Embarque Imediato - 1.155
67. O Abraço Corporativo - 1.001
68. Solo - 992
69. Elevado 3,5 - 900
70. Cildo– 850
71. Ouro Negro - 680
72. Terras - 662
73. Supremacia Vermelha - 568
74. B1 - Tenório em Pequim - 536
75. Diário de Sintra - 584
76. Meu Mundo em Perigo - 541
77. Plastic City - 426
78. Grêmio 10X0 - 392
79. A Falta que Me Faz – 388
80. Alô Alô Terezinha - 378
81. A Alma do Osso – 344
82. Luto como Mãe - 328
83. Fluidos - 274
84. Acácio - 258
85. Elza – 248


Total: 28.880.685

sábado, 1 de janeiro de 2011

FELIZ ANO NOVO (HAPPY NEW YEAR)


Mais um ano se inicia e com ele a esperança de que coisas boas aconteçam e tragam a felicidade às nossas vidas e é isso que o Gilberto Cinema deseja a todos os seus leitores e seguidores.

Neste dia lembrei-me da música "Happy New Year" do Abba que é um grupo que gosto bastante e é providencial para este momento:




Posteriormente o ABBA gravou uma versão em espanhol da mesma música, que também ficou muito boa: