terça-feira, 15 de dezembro de 2015

OS FILMES DE TERROR BRASILEIROS

José Mojica Marins em À meia noite levarei a sua alma

José Mojica Marins inaugurou o cinema de terror no Brasil com A meia noite levarei a sua alma, que iniciou a saga do Zé do Caixão em 1964 e teve sua continuação em 1967, com Esta noite encarnarei no teu cadáver e em 2008 o fim da trilogia com Encarnação do demônio. Mas nesse período, Mojica continuou sempre dirigindo filmes de terror como O exorcismo negro (1974), Inferno Carnal (1977), Delírios de um anormal (1978) e Demônios e maravilhas (1987).


Cena de Enigma para demônios
Cineastas renomados como Carlos Hugo Christensen e Walter Hugo Khouri contribuíram de maneira importante para o gênero. Christensen realizou dois excelentes filmes: Enigma para demônios e A mulher do desejo. Khouri mergulhou no terror mais introspectivo com O anjo da noite e As filhas do fogo.

Nos anos 70 e 80, o gênero existiu de maneira mais consistente nos filmes da Boca do Lixo de São Paulo. Alguns diretores se destacaram, como Jean Garret, ex-assistente de Mojica, que dirigiu Amadas e violentadas (1976) e A força dos sentidos (1980). John Doo, com os perturbadores Ninfas diabólicas (1978) e Excitação diabólica (1982). Juan Bajon com O estripador de mulheres (1978); Luiz Castillini com A reencarnação do sexo (1982) e Fauzi Mansur com Belas e Corrompidas (1978), Karma - Enígma do medo (1988), Atração satânica (1989) e Ritual macabro (1991).


Cena de Nervo Craniano Zero
A produção independente também passou a ganhar espaço graças a tecnologia digital que reduziu custos de produção. A liberdade de produção permitiu que cineastas como Peter Baiestorf, Paulo Biscaia Filho e Paulo Aragão pudessem expressar sua liberdade. Baiestorf dirigiu Zombio (1999) e Zombio 2: Chimarrão Zombies (2013). Biscaia com Morgue Story - Sangue, baiacu e quadrinhos (2009), o impressionante Nervo craniano zero (2012) e O coração que falava demais (2013). Aragão persegue os filmes de monstros e zumbis, como Mangue negro (2008), A noite do chupacabras (2011), Mar Negro (2013) e As fábulas negras (2015), dirigido em parceria com Mojica, Aragão e Baiestorf.

Até o cinema comercial se rendeu ao gênero como Isolados, Quando eu era vivo, Gata velha ainda mia, O amuleto e Condado Macabro que participaram de vários festivais e foram lançados nos cinemas.


Cena de As fábulas negras
Os próximos meses trarão mais exemplos do gênero, como A misteriosa morte de Pérola de Guto Parente, que é um suspense psicológico no estilo de Polanski, Diário de um exorcista, de Renato Siqueira, estrelado por Ewerton de Castro, 13 histórias estranhas, uma antologia de relatos curtos de 13 diretores diferentes, a sequência de A capital dos mortos: Mundo Torto de Tiago Belotti, Deserto Azul de Eder Santos, A percepção do medo de Kapel Furman, Armando Fonseca e Gurcius Gewdner e Toda la noche de Jimena Monteoliva e Tamae Garategy, uma coprodução Argentina/ Brasil e o já citado As fábulas negras.


Outro representante brasileiro é Ivan Cardoso que criou o “terrir”, os filmes que terror que fazem rir, como O segredo da múmia (1981), As sete vampiras (1986), O escorpião escarlate (1991) e Um lobisomem na Amazônia (2008).

O horror brasileiro ainda não tem um estilo definitivo, mas ele não vive apenas com o Zé do Caixão. Ele conta com vários realizadores dedicados que enfrentam muitos obstáculos (como o preconceito do público com o gênero), mas sem nunca desistir. Ainda bem.


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