Mostrando postagens com marcador pornochanchada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pornochanchada. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

QUEM FOI ARY FERNANDES?

No dia 30 de agosto faleceu aos 79 anos o grande diretor Ary Fernandes, criador das telesséries “O vigilante rodoviário” e “Águias de fogo” que tiveram seus episódios restaurados e exibidos atualmente pelo Canal Brasil.

Ary nasceu em São Paulo em 1931, foi locutor, radioator e estreou no cinema em 1952, trabalhando nos estúdios da Maristela como assistente de produção em “O canto do mar” e “Mulher de verdade”, depois gerente de produção em “Mãos sangrentas” e “Leonora dos sete mares” (ambos de Carlos Hugo Christensen) e “Rosa dos ventos” (de Alex Viany).



Estreou na direção com a primeira série de filmes da TV Tupi, “O vigilante rodoviário”, dirigindo 23 episódios em 1961 e outros 14 episódios em 1962. Em 1967 cria nova série de filmes para a televisão, “Águias de fogo”, sobre os aviões da FAB, com 10 episódios em 1967 e 16 em 1968 e atuando como ator nos episódios. Com a junção/adaptação dos episódios da série “O vigilante rodoviário” realiza seus oito primeiros longas, exibidos de 1962 a 1969. Em seguida adapta para o cinema a série “Águias de fogo” sob os títulos de “Águias em patrulha” e “Sentinelas do espaço”.

Em 1969, convidado por Mazzaropi dirige fitas caipiras (Uma pistola para Djeca, Mágoas de boiadeiro, O jeca e o bode).

Em 1972 entra no “mundo” das pornochanchadas, produzindo “O anjo loiro” de Alfredo Sternheim e como executivo de “O leito da mulher amada” (Egydio Eccio), “Sedução ou qualquer coisa a respeito do amor” (Fauzi Mansur) e “Curral de mulheres” (Osvaldo de Oliveira) e dirigindo “O supermanso” (1974), “Quando as mulheres querem... e eles não” (1975), “Guerra é guerra” (1º episódio: Núpcias com futebol), “Sexo selvagem (1978), “Essas deliciosas mulheres” (1979), também exibido pelo Canal do Brasil, “Orgia das libertinas” (1980), “Cassino dos bacanais” (1981), “A fábrica de camisinhas” (1981), “As vigaristas do sexo” (1982), “Elas só transam no disco” (1983) e “Taras eróticas” (1983), seu último filme.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

OS ASTROS DA PORNOCHANCHADA


Durante a pornochanchada a situação foi mais complicada para os atores, pois os pagantes em sua maioria eram homens e não queriam assumir que iam ao cinema para ver um filme protagonizado por outro homem. Mesmo assim, alguns conseguiram vencer essa barreira. O principal deles foi David Cardoso, que é considerado o “rei da pornochanchada” e estreou no cinema em 1963, ao lado de Mazaroppi em O Lamparina. Sua primeira pornochanchada foi Os Maridos Traem... e as Mulheres Subtraem (1970), mas o sucesso de verdade só aconteceu a partir de 1974, quando fundou sua produtora, a DaCar Produções Cinematográficas. Seus sucessos foram vários: A iIha do Desejo, Dezenove Mulheres e um Homem e Desejo Selvagem. Nos anos 80 seus filmes ficaram mais ousados, chegando a dirigir alguns pornográficos usando o pseudônimo Roberto Fedegoso. Seu tipo machão sempre cercado por belas mulheres e pronto para enfrentar qualquer perigo, fazia com que encontrasse muita identificação com o público frequentador desse tipo de filme.




Outro ator de sucesso foi o galã Carlo Mossy, que fez quase todos os seus filmes no Rio de Janeiro, fora da Boca do lixo, mas o estilo é o mesmo das pornochanchadas, às vezes até pior. Alguns dos filmes que ele dirigiu são quase insuportáveis, como por exemplo, a trilogia baseada no programa de rádio Barulhos da Cidade: As taradas atacam, Bonitas e gostosas e As 1001 posições do amor. Seus melhores filmes são Soninha toda pura (1971), Essa gostosa brincadeira a dois (1973), Ódio (1977) e O seqüestro (1981), mas seu maior sucesso é Giselle (1980).


Além desses atores, pode-se destacar Tony Vieira, que depois tornou-se diretor de porno-westerns;

Nuno Leal Maia que fez várias pornochanchadas antes de se tornar ator reconhecido na Rede Globo;

É o mesmo caso de Ewerton de Castro (Sabendo Usar Não Vai Faltar, 1976);

“O cafajeste” Jece Valadão que fazia questão de incluir a palavra cafajeste no título de seus filmes, como “Os cafajestes (1962) e As sete faces de um cafajeste (1968);

Ênio Gonçalves (As intimidades de Analu e Fernanda);

Antonio Fagundes (Eu Faço... Elas Sentem);

E até Ney Latorraca (Sedução, ou Qualquer Coisa a Respeito do Amor).

Apesar de alguns deles negarem, ou de evitarem falar sobre esse período, quase todos os atores daquela época fizeram pornochanchadas, pois esse era o grosso da produção cinematográfica e, além do mais, era fácil conseguir papel em um daqueles filmes. Hoje muitos se arrependem e reclamam de terem ficado estigmatizados como atores de pornochanchada, com dificuldades em conseguir papéis “sérios” depois do fim do gênero, devido ao preconceito que as pessoas tinham (ou têm?). Mas não podemos deixar de reconhecer o poder da Rede Globo de “apagar” esse estigma quando lhe convém, basta lembrarmos dos nomes de Antônio Fagundes, Tony Ramos ou Marília Pera: quem se lembra que estes atores fizeram pornochanchada? Evidentemente o talento desses atores é inegável e graças a ele tiveram suas carreiras garantidas e revitalizadas, o que não aconteceu a outros que também vieram da pornochanchada e não prosseguiram. Matilde Mastrangi assume isso dizendo que todos eram medíocres e não continuaram trabalhando porque não tinham talento – declaração talvez exagerada, pois sabemos que outros fatores, como a oportunidade por exemplo, também contribuem para o prosseguimento de alguns talentos.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

AS MUSAS DA PORNOCHANCHADA

Um dos pontos de atração do público para a pornochanchada, era o de rever as atrizes que ele estava acostumado a ver nos filmes do gênero, e várias delas construíram longas carreiras, alcançando grande sucesso e sendo lembradas até hoje pelo público. A primeira grande musa foi Vera Fischer, a Miss Brasil de 1969 que estreou no cinema em Sinal Vermelho: as Fêmeas e em seguida participou de vários outros, como O anjo loiro, A Superfêmea e Essa Gostosa Brincadeira a Dois. Vera conseguiu vencer o preconceito que acompanhou de perto muitas atrizes da pornochanchada, participando posteriormente de várias novelas.

Entre as atrizes mais atuantes no gênero estava Matilde Mastrangi, que havia estreado na televisão no programa Sílvio Santos como bailarina, até fazer seu primeiro filme, As Cangaceiras Eróticas (1974), seguido de dezenas de outros, com destaque para Erótica – A Fêmea Sensual (1984) e S.O.S. Sex Shop - Como Salvar meu Casamento (1984). Tornou-se a preferida do diretor Guilherme de Almeida Prado atuando em todos os seus filmes, desde As Taras de Todos Nós (1981) até Onde Andará Dulce Veiga? (2008) – mesmo que em papéis pequenos.

Além das atrizes já citadas, podemos destacar ainda outras que foram galgando posições nas artes cênicas, a maioria delas conquistando bastante popularidade, como por exemplo:


Rossana Ghessa (Bordel – Noites Proibidas);

Nicole Puzzi (Ariella);

Monique Lafond (Emmanuelle Tropical);

 Zilda Mayo (Bacanais na Ilha das Ninfetas);

 Zaira Bueno (Tessa, a Gata);

 Aldine Muller (Boneca Cobiçada) que conseguiu continuar carreira na televisão em várias novelas de sucesso;


Sandra Barsotti (A Difícil Vida Fácil), atriz que apareceu como mocinha das telenovelas dos anos 70, como O Casarão (1976) e mais recentemente em Viver a Vida, novela de Manoel Carlos.


E também Meiry Vieira (Pintando o Sexo) que só fez pornochanchadas, mas hoje evita falar sobre o assunto;


Adele Fátima (Histórias que Nossas Babás não Contavam);


Angelina Muniz (Karina – Objeto do Prazer), que também faz carreira na televisão;


Selma Egrey (Elite Devassa) que fez ultimamente a novela Tempos Modernos da Rede Globo;


E a belíssima Sandra Bréa (Os Imorais) que também fez grande sucesso na televisão como atriz e bailarina.

Fernanda de Jesus (Eu dou o que ela gosta) que é leitora desse blog. Adoro!

No entanto, nenhuma delas alcançou o sucesso de Helena Ramos, que é considerada a “rainha da pornochanchada” e uma das atrizes mais requisitadas, com 41 filmes no currículo, apesar de sua carreira só ter durado 11 anos (1974 – 1984). Colecionou grandes sucessos como, por exemplo, Mulher, Mulher (1979), Iracema – A Virgem dos Lábios de Mel (1979), A Mulher Sensual (1980) e principalmente Mulher Objeto (1981) de Sílvio de Abreu que, em seguida a essa produção convidou-a para sua novela Guerra dos sexos, já na Rede Globo, em 1983. Na carreira de Helena Ramos há uma curiosidade: por várias vezes ela teve que ser dublada, pois sua eterna voz de menina nem sempre correspondia ao papel de mulher sensual, exigido para os filmes.