domingo, 14 de agosto de 2011

LARISSA SABE TUDO (Homenagem ao dia dos pais)


O marido estava em cima da hora de ir para o trabalho e não conseguia encontrar a bendita chave do carro. Desesperado, recorreu à mulher que estava entretida em seus afazeres domésticos.
_ Benhê! Você viu a chave do carro? – berrou ele da sala para a mulher que estava na cozinha.
Ela foi atendê-lo na sala, enxugando as mãos no avental.
_ Ontem à noite eu vi essa chave em cima do criado mudo do nosso quarto.
_ Também tenho certeza que botei essa chave lá, mas hoje eu vou procurar e cadê?
_ Com a graça de Deus nós vamos encontrar. Você procurou no chão? Ela pode ter caído embaixo da cama.
_ Procurei em tudo que é lugar e nada.
_ Vou procurar de novo. Mulher tem um olho mais atento.
Ela revirou o quarto e nem sinal da chave.
_ São Longuinho, São Longuinho, se eu achar essa chave eu dou três pulinhos.
_ E aí, benhê, encontrou?
_ Ainda não. Mas eu vou achar logo, logo.
_ Por que cê tem essa certeza?
_ Já fiz promessa pra São Longuinho e ele nunca me deixa na mão.
_ Lá vem você com essas bobagens
_ Bobagem não. Só porque você é ateu convicto, não precisa abusar da minha fé.
_ Não tô abusando. Só acho que seus santos tem coisas muito mais importantes pra fazer do que procurar uma chave perdida.
_ Isso é o que você pensa.
Meia hora depois ainda estavam envolvidas nessa procura.
_ Por que você não vai pro trabalho de ônibus? – perguntou ela.
_ Nem pensar. Meus colegas já pegam muito no meu pé, se eu andar de ônibus, então...
_ Só hoje, até a gente encontrar essa chave.
_ Hipótese descartada.
_ Você já ouviu falar nos duendes, que escondem as coisas só pra matar a gente de raiva.
_ Lá vem você de novo com essas histórias. Nem a Larissa que tem 5 anos, acredita mais em duende. Mas sabe de quem é a culpa? Da televisão. No meu tempo não tinha televisão por isso eu fiquei acreditando em Papai Noel até os 15 anos. Quando descobri que ele não existia, chorei o dia inteiro.
_ É isso!
_ Isso o quê?
_ A solução do nosso problema é a Larissa.
_ Você acha que ela perdeu essa chave?
_ Não diria tanto, mas ela deve saber de alguma coisa.
A suspeita foi trazida para a sala e interrogada pelos dois.
_ Larissa, por acaso você não teria visto a chave do carro do papai? Ela é mais ou menos desse tamanho. – disse ele mostrando o tamanho da chave.
_ Não vi nada.
_ Você tem certeza? De vez em quando você ficava brincando com ela. Será que você não esqueceu em algum lugar?
_ Já falei que não, papai.
_ Larissa, isso não é brincadeira. O papai precisa ir trabalhar, mas sem a chave não tem jeito.
_ Se o senhor quiser, pode ir com a minha bicicletinha, ela tem rodinha, não tem perigo de cair.
_ Eu to falando sério.
_ Eu também.
_ Se você tiver perdido, pode dizer que eu não vou raiar com você. Eu juro.
_ Quantas vezes vou ter que dizer? Parece criança que não ouve o que a gente fala. – respondeu ela com ar de superioridade.
_ Olha quem fala, nossa moça.
_ Posso não ser uma moça, mas não fico nessa encheção.
_ Ah, não? E quando você quis passar as férias na casa de sua avó? Deu birra até nós deixarmos.
_ Só quando é do meu interesse.
_ Se você tivesse visto, ia ganhar um sorvete deste tamanho.
_ Não adianta fazer figuinha.
_ Tem certeza que não viu?
Larissa ficou calada.
_Papai é um mentiroso. – disse Larissa.
_ Por que mentiroso, filha?
_ Prometeu me levar no shopping hoje e agora quer ir trabalhar.
_ Não posso faltar com a minha obrigação na empresa.
_ E com a sua obrigação de pai, pode? Só porque eu sou criança fica me prometendo coisas impossíveis.
_ Desculpa filha, juro que não faço mais isso.
_ Quando eu for maior, quero morar sozinha, ser independente. E não acreditar mais na promessa de ninguém.
_ Chega, não precisa passar mais sabão em mim.
_ Quando eu tinha 3 anos prometeu me levar no programa da Xuxa, mesmo sabendo que isso era impossível.
_ Impossível por quê?
_ Por causa dos gastos e da distância.
_ Eu ainda te levo lá. Eu prometo.
_ Não prometa o que não pode cumprir.
O pai saiu cabisbaixo:
_ Não quer mais a chave?
_ Não. Eu vou de ônibus.
_ Aqui a chave seu bobo, - disse ela tirando a chave do bolsinho da blusa – escondi porque não queria que o senhor fosse trabalhar, mas já que vai de qualquer jeito.
Ele a pegou nos braços e fez mais uma promessa:
_ Eu juro que no final de semana te levo no shopping e no ano que vem te levo no programa da Xuxa.
_ Ah, papai, o senhor não muda nunca e é por isso que eu te amo tanto.

Parabéns a todos os pais e ao meu também!


sábado, 13 de agosto de 2011

ROGUE - O ASSASSINO


Já falei aqui que sou fã dos filmes de Jason Statham e vejo tudo dele, mas ele está se repetindo demais, quase sempre no papel do detetive de polícia que no final revela não ser tão bonzinho quanto parecia.

Rogue – O assassino (também conhecido como War) foi a segunda união dele com Jet Li no cinema. A primeira foi em O confronto (2001) e depois deste ainda viria Os mercenários (2010) de Sylvester Stallone. Jet Li mostra sinais da idade e não é mais adequado aos filmes de ação. Aqui ele é o Rogue do título, um assassino profissional contratado por um chefão da Yakuza e caçado por um agente do FBI (Jason Statham) que deseja vingar a morte de um parceiro assassinado por Rogue. História simplizinha, mas conduzida de forma rocambolesca e até confusa, com vários diálogos em japonês. Além da dificuldade em diferenciar as máfias chinesa e japonesa.

Os fãs dos filmes de ação não devem ter ficado tão decepcionados, mas esse é um dos filmes menos conhecidos de Jason Statham e com certeza um dos piores. Prefira Carga Explosiva, Adrenalina ou qualquer outro.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

LIVRO: ALFRED HITCHCOCK - O ARQUITETO DA ANSIEDADE


Sempre tenho boas surpresas quando visito a Livraria Saraiva. A última foi a descoberta de um livro sobre a filmografia completa de Alfred Hitchcock: o arquiteto da ansiedade escrito por Paul Duncan e publicado pela Taschen, uma editora de renome internacional que publica livros de alta qualidade em capa dura e papel de primeira a preços populares. Esse de Hitchcock está sendo vendido a R$ 49,90.

Sou fã de Hitchcock há vários anos, desde que comecei a me interessar por cinema. Os filmes dele que mais gosto são Os pássaros, Psicose, Um corpo que cai, À sombra de uma dúvida, Um barco e nove destinos, Festim Diabólico e Janela Indiscreta, mas todos os outros são interessantes e conhecer detalhes sobre como cada um deles foi produzido é muito bom.


Paul Duncan entrelaça detalhes sobre a vida pessoal do diretor à forma como foram feitos cada um de seus filmes, desde O jardim dos prazeres (1925) até Trama macabra (1976), tudo fartamente ilustrado. O inconveniente é que a tradução é para o Português de Portugal, o que deixa a leitura um pouco truncada às vezes, com expressões que não são usadas por nós brasileiros e a grafia diferente de algumas palavras, além dos títulos dos filmes citados não serem os mesmos que conhecemos por aqui, já que o mesmo filme recebe nomes diferentes em cada país em que é lançado e não simplesmente uma tradução do original.


Montgomery Clift em A tortura do silêncio
O homem que sabia demais é citado como O homem que sabia demasiado (1934); Sabotagem (1936) = À uma e quarenta e cinco; A estalagem maldita (1939) = A pousada da Jamaica (1939); À sombra de uma dúvida (1943) = Mentira; Quando fala o coração (1945) = A casa encantada; Interlúdio (1946) = Difamação; Festim diabólico (1948) = A corda; Pacto sinistro (1951) = O desconhecido do Norte; A tortura do silêncio (1953) = Confesso; Disque M para matar (1954) = Chamada para a morte e o mais absurdo de todos, A mulher que viveu duas vezes ou melhor Um corpo que cai (1958). Mas isso é só um detalhe, O arquiteto da ansiedade é um livro imperdível para qualquer fã de Hitchcock.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O PIANISTA


O Pianista foi o filme mais premiado de 2002. Venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, ganhou também sete César (o Oscar francês), o BAFTA (maior prêmio inglês) de melhor filme e diretor e os Oscars de melhor roteiro adaptado, diretor (Roman Polanski) e ator (Adrien Brody), mas apesar de todos os prêmios, nunca tive muita empolgação para assisti-lo. O tema da 2ª Guerra Mundial já se esgotou depois de tantos filmes que trataram do tema, quanto mais depois de A lista de Schindler.

É a história do pianista polonês e judeu Wladyslaw (Adrien Brody), que tenta sobreviver às perseguições dos nazistas depois da destruição do gueto de Varsóvia. É inspirado em fatos reais e no livro do verdadeiro Wladyslaw. Contada assim, a história parece boa e na verdade é, mas foi conduzida com frieza por Polanski. Eu não estava enganado. Alguma coisa me dizia para eu não ver mesmo, mas acabei arriscando. Foi uma tortura. São 150 minutos intermináveis. Os personagens que estão à volta do pianista vão morrendo, mas sem emoção alguma e de uma forma quase didática e ele sobrevive milagrosamente se escondendo por apartamentos abandonados da Alemanha, vendo a guerra pela janela e torcendo para que aquilo acabe logo.

Polanski fez um filme acadêmico e chato, talvez para os velhos da Academia de Hollywood. Não consegui gostar, nem me emocionar, mas claro que muitos conseguem. Vai entender.


Se quiser arriscar:



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

REPO MEN - O RESGATE DE ÓRGÃOS (OS COLETORES)


Fico impressionado a cada novo filme americano de Alice Braga que vejo, pela importância que o cinema americano está lhe dando com papeis que podem não ser de protagonistas, mas tem tanta importância quanto, até mais que no cinema brasileiro, onde só brilhou realmente em A via láctea.

Em Repo Men – O resgate de órgãos (não confundir com Repo Men – A onda punk de 1992), pessoas que precisam de transplante de órgãos contratam o serviço de uma empresa e assinam um contrato se comprometendo a pagar pelo serviço ou terão os órgãos removidos depois de 96 dias. É isso que fazem os personagens de Jude Law e Forest Whitaker sob as ordens de Liev Schreiber. A coisa de complica quando a personagem de Jude também precisa de um transplante e como não tem condições de pagar, passa de perseguidor a perseguido. Alice Braga vive uma morada de rua que tem várias partes de seu corpo transplantadas e cruza com ele pelo caminho. O ramance, claro é inevitável.


O enredo é interessante por mostrar que nossas concepções mudam dependendo de qual lado nós nos encontramos. E é muito pessimista como toda ficção científica, aqui travestida de filme de ação. O desfecho é de chorar com um falso final feliz que mostra que as coisas são perfeitas nos sonhos, já o resto é bem mais complicado.

O próximo projeto de Alice nos Estados Unidos é Elysium que tem no elenco Matt Damon e Wagner Moura. Sua carreira no exterior continua indo de vento em popa.

 
 
 
 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

MÚSICAS INESQUECÍVEIS DO CINEMA BRASILEIRO - PARTE 3


21. Garota de Ipanema de João Gilberto e Tom Jobim, do filme homônimo de 1967, que ainda tem as músicas Ela é carioca, Noite dos mascarados, Por você e Chorinho.




22. Quando do Roberto Carlos, tema de sua estreia como ator de cinema em Roberto Carlos em ritmo de aventura (1968). O filme ainda tem várias pérolas como Como é grande o meu amor por você, De que vale tudo isso, Eu sou terrível, Quero que vá tudo pro inferno e Eu te darei o céu.




23. As curvas da estrada de Santos de Roberto Carlos, tema de Roberto Carlos e o diamante cor-de-rosa (1970), além das também ótimas 120, 150, 200 km/h, Vou ficar nu pra chamar sua atenção, É preciso saber viver e Você vai ser o meu escândalo.




24. De tanto amor de Roberto Carlos, cantada por ele em Roberto Carlos a 300 km/h (1970), além de Todos estão surdos, Masculino e Feminino e De quem será?




25. Concerto para um só voz de Jessé, tema de Ódio (1977), o melhor filme de Carlo Mossy.


26. Rock Estrela de Léo Jaime, tema do filme homônimo de 1985.




27. Johnny Love da banda Metrô, tema do filme homônimo de 1987.




28. Alegria de Arnaldo Antunes, tema de Cléo Pires e Paulo José em Benjamin (2003).


29. Coisa mais linda de Mariana de Moraes, tema do filme homônimo de 2006.




30. Sonhos de Peninha, executada nos créditos iniciais de Viajo porque preciso, volto porque te amo (2010).

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

VENCEDORES DOS FESTIVAIS DE GRAMADO


O Festival de Cinema de Gramado nasceu em 1973 e ao longo dos anos tornou-se o mais importante e badalado do país. O 1º filme premiado foi Toda nudez será castigada. Vamos relembrar quais foram os filmes vencedores em cada edição do festival:

1974 - Vai trabalhar vagabundo

1975 - O amuleto de Ogum

1976 - O predileto

1977 - À flor da pele

1978 - Doramundo

1979 - Raoni

1980 - Gaijin - Os caminhos da liberdade




















1981 - Cabaré Mineiro

1982 - Pra frente Brasil

1983 - Sargento Getúlio

1984 - Baiano fantasma

1985 - A marvada carne

1986 - O homem da capa preta
1987 - Anjos do arrabalde












1988 - A dama do Cine Shangai

1989 - Festa

1990 - Stelinha

1991 - Não quero falar sobre isso agora

De 1992 a 1995 como a produção brasileira tornou-se rarefeita, o festival tornou-se íbero-americano e os premiados foram todos estrangeiros:

1992 - Técnica de duelo (Colômbia)

1993 - Um lugar no mundo (Argentina)















1994 - Morango e chocolate (Cuba)

1995 - Amnésia (Chile)

Em 1996 e 1997, com a retomada da produção, foi possível promover duas mostras, uma latina e outra brasileira:

1996 - Guantanamera (Cuba)
           Quem matou Pixote?

1997 - O testamento do Sr. Nepumoceno (Portugal)
           For all - O trampolim da vitória

1998 - Amores

1999 - Santo forte

2000 - Pantaleão e as visitadoras (Peru)














2001 - Memórias póstumas
           Um amor de Borges

2002 - Durval Discos
           O filho da noiva
           A perdição dos homens

2003 - De passagem
           Segundas-feiras ao sol

2004 - Vida de menina
           Whisky

2005 - Gaijin - Ama-me como sou
           Um mundo menos pior













2006 - Serras da desordem
           Anjos do sol
           O violino

2007 - Castelar e Nelson Dantas no país dos generais
           Nascido e criado

2008 - Nome próprio

2009 - Corumbiara
           A teta assustada

2010 - Bróder
           Mi vida con Carlos