quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

OS ASTROS DO CINEMA MUDO

Rodolfo Valentino

Com o filme O Artista, o cinema mudo voltou a estar em voga e participar de várias discussões sobre a sétima arte. Mas quais foram os grandes astros do cinema mudo e consequentemente os primeiros astros do cinema. Vamos a eles:


RODOLFO VALENTINO

Trabalhou em clubes noturnos, musicais e espetáculos de dança antes de fazer pontas em Hollywood. Seu primeiro longa foi My official wife (1914), mas trabalhou com freqüência até que Os quatro cavaleiros do apocalipse (1921) e O sheik (1921) o transformaram na fantasia das mulheres do mundo todo. Participou de Sangue e areia (1922), Cobra (1925) e O filho do Sheik (1926). Sua vida pessoal era tão tórrida quanto suas interpretações. Não era um grande ator e talvez ultrapassado se tivesse vivido mais tempo. Morreu de peritonite (inflamação do peritônio, que é uma membrana que reveste a cavidade abdominal) em 1926, aos 29 anos e no auge da popularidade.

CHARLIE CHAPLIN

Quando nasceu, Chaplin foi para um orfanato, pois seu pai abandonara o lar e sua mãe era doente mental. Em 1906, entrou para a companhia de Fred Karno e quatro anos depois assinou contrato com a Keystone. Filmes curtos fizeram a sua fama, sempre vivendo o mendigo Carlitos. Dirigiu e atuou em obras primas como Em busca do ouro (1925), O circo (1928), Luzes da cidade (1931), Tempos modernos (1936), O grande ditador (1940) e Monsieur Verdoux (1947), hesitando ao máximo em aceitar o cinema sonoro. Foi perseguido pelo marcathismo e se exilou na Suíça. Luzes da Ribalta (1952) e Um rei em Nova York tiveram sucesso moderado, mas A condessa de Hong Kong (1966), foi um desastre. Em 1972 retornou aos Estados Unidos para receber um Oscar honorário, mas com um visto de apenas um mês, dando a impressão de que os americanos tinham medo dele.

BUSTER KEATON

Era conhecido como “Rosto de pedra” ou “O homem que nunca ri” devido à sua expressão impassível. Suas melhores interpretações podem ser vistas em O faz tudo (1921), Marinheiro por descuido (1924) e O general (1927), sua obra-prima. Havia uma certa inimizade entre ele e Chaplin, mas isso acabou quando os dois participaram de Luzes da ribalta (1952) que resultou em um breve renascimento para sua carreira.



RAMON NOVARRO

Era mexicano e saiu de seu país de origem para trabalhar como garçom cantor em Los Angeles antes de estrear no cinema. Seu nome foi lançado pela MGM para substituir Rodolfo Valentino. Participou dos épicos românticos mais populares dos anos 20, como O prisioneiro de Zenda (1922), Scaramouche (1923), a primeira versão de Ben-Hur (1926) e O príncipe estudante (1927). Foi assassinado em 1968.


JOHN GILBERT

Mostrou talento ao contracenar com Mary Pickford em Heart o’the hills (1919), que lhe rendeu um contrato com a Fox e depois com a MGM. Lá todos os filmes que participou foram sucesso, principalmente os que fez com Greta Garbo: A carne e o diabo (1927), Anna Karenina (1927) e Rainha Cristina (1933). Houve rumores de que os dois tiveram um caso, o que aumentou a veneração do público. Sua popularidade diminuiu com o cinema falado, devido a sua voz ligeiramente aguda.


LON CHANEY

Foi o mais famoso astro dos filmes mudos de terror como O corcunda de Notre Dame (1923) e O fantasma da Ópera (1925). Seus pais eram surdos-mudos e ele se comunicava com eles por mímica. Fez 140 filmes antes de morrer de câncer na garganta em 1930, aos 47 anos, um mês antes de estrear A trindade maldita (1930), seu primeiro filme falado.


STAN LAUREL E OLIVER HARDY

Talvez a dupla de comediantes mais amada de todos os tempos. Laurel havia trabalhado na vaudeville e feito 75 filmes e Hardy era astro dos primeiros filmes mudos. Os dois estiveram juntos em Lonely dog (1917), mas viraram uma dupla em Slipping Wives (1927) e Putting pants on Philip (1927). Entrega a domicílio (1932) rendeu-lhes um Oscar, mas obras-primas como Dois caipiras ladinos (1937) não receberam prêmios, mas encantaram o público. Stan morreu na pobreza, há exatamente 47 anos, em 23 de fevereiro de 1965.


WARNER BAXTER

Iniciou carreira durante a primeira Guerra Mundial atuando em diversos filmes mudos como Rua 42 (1922), mas tornou-se popular como o conquistador mexicano Cisco Kid que lhe deu o Oscar por No velho Arizona (1929), papel que interpretou diversas vezes. Participou ainda de O prisioneiro da ilha dos tubarões (1936) e Crime doctor (1943), mas sua carreira declinou nos anos 40. Morreu de pneumonia em 1951, após uma lobotomia para aliviar problemas de artrite.


WILLIAN BOYD

Foi um dos mais famosos caubóis dos filmes B dos anos 20, vivendo Hopalong Cassidy, que nunca sacava uma arma apenas por raiva, não bebia, fumava ou falava palavrões. Foi o ator preferido de Cecil B. DeMille em O barqueiro do Volga (1926) e O rei dos reis (1927). O fato de ser confundido com dois homônimos, o fez atuar com o pseudônimo de Hopalong nos anos 40, com o qual atuou em 66 filmes.


TOM MIX

O Caubói mais popular do cinema mudo. Os estúdios alegavam que ele havia lutado em duas guerras e em uma rebelião, mas não era verdade. Estreou em An apache’s gratitude (1913), fazendo em seguida, Cactus Jake – Heartbreaker (1914) e The taming of Groucho Bill (1916). Fez 100 filmes, primeiro movidos pelo humor, depois pela ação. Entrou para a Fox em 1917, estrelando 60 faroestes, mas sem nunca fumar, beber ou brigar sem motivo. Com a chegada do som ao cinema, ainda atou em Destry rides again (1932) e The miracle rider (1935).


Fonte de Consulta: 1000 que fizeram 100 anos de cinema.


5 comentários:

  1. Faltou o Jean Dujardin...Opsss ele é de 2011 rs rs rs

    ResponderExcluir
  2. Legal a tua postagem em tom de almanaque das antigas: aprendi a ler em Inglês (e bastante de Cinema) lendo almanaques estadunidenses assim!

    Sou fã absoluto de Chaplin, Laurel & Hardy, Keaton e Lon Chaney!

    Muito bacana também o 'post' com as lembranças dos carnavais da Atlântida...

    Abração e apareça sempre (já tem Oscar lá nos Morcegos!)!

    ResponderExcluir
  3. Excelente post Gilberto!
    Já tinha lido que na verdade nunca houve atritos entre Chaplin e Keaton e vários biógrafos de Chaplin acreditam nisso, dizem que a relação deles sempre foi relativamente próxima e que eles sempre se respeitaram mutuamente.

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com/2012/02/margin-call-o-dia-antes-do-fim.html

    ResponderExcluir
  4. Preciso dizer que A-do-rei? rs...

    E agora, com O Artista, a memória desses astros e estrela foi resgatada. Nada mais justo!

    Abração.

    ResponderExcluir