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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O OVO DA SERPENTE (1978) **


David Carradine e Liv Ullman em "O ovo da serpente"

Adoro os filmes de Ingmar Bergman e vejo tudo que posso, mas me decepcionei com este “O ovo da serpente” que é com certeza, o pior filme dele. Feito na época em que ele estava exilado da Suécia por sonegar impostos e um projeto oferecido pelo discutível produtor Dino DiLaurentis, que se transformou nessa co-produção EUA/ Alemanha, falada em inglês e estrelada por David Carradine (em vez de Dustin Hoffman como o diretor queria) e por Liv Ullman, a musa de vários filmes de Bergman.

Só que o filme tem uma narrativa tortuosa, personagens difíceis de simpatizar e em alguns momentos muito chato. A história é sobre um homem que investiga o suicídio do irmão e acaba se envolvendo com a viúva deste, na Alemanha durante o ano de 1923. O título faz referência ao nazismo que seria como o ovo transparente de uma serpente, que todos viam se tratar de um monstro que estava prestes a nascer.

Tudo só faz sentido ao final, quando uma revelação chocante é feita. Basta ter paciência e esperar por essa revelação. O melhor é que Bergman retornaria à boa forma em seqüência com "Da vida das marionetes" (1980) e “Fanny e Alexander” (1982).

Ingmar Bergman

Direção: Ingmar Bergman. Com: David Carradine, Liv Ullman, Heinz Bennent, Gert Fröbe, Edith Heerdegen. Drama, 118 min.

Download do filme:
Parte 4

Tamanho do arquivo: 387, 69 MB
Duração do filme: 118 min.
Qualidade: Boa

quinta-feira, 27 de maio de 2010

SONATA DE OUTONO


Direção: Ingmar Bergman. Com: Ingrid Bergman, Liv Ullman, Lena Nyman, Gunnar Björnstrand e Linn Ullman. Drama, 92 min.


Ingmar Bergman arquitetou com “Sonata de Outono” um profundo estudo sobre as delicadas relações familiares, o que, aliás, ele sempre fez em seus filmes, mas na maioria das vezes entre casais com problemas matrimonias e aqui entre mãe e filha.

Charlote, uma pianista famosa (Ingrid Bergman, que apesar do sobrenome não era parente do diretor) visita a filha tímida e deprimida, Eva, (Liv Ullman) no interior da Noruega. Esse encontro provoca uma erupção de rancores, remorsos e cobranças do passado.

As duas atrizes estão em cena o tempo inteiro e duelam num show de interpretação trocando acusações, inclusive em relação a uma outra filha que tem uma doença mental incurável, Helena (Lena Nyman), que teria sido provocada por Charlote. Eva agora cuida de Helena, que antes estava internada em um asilo.

A mãe demonstra uma frieza impressionante em relação às filhas, parece ter nojo de Helena e se pergunta porque ela não morre logo e não se mostra tão diferente em relação à Eva. Toda a sua vida sempre esteve focada em sua carreira de pianista e a família ficava em último plano.

Chega a ser doloroso acompanhar essa reflexão familiar, mas não se consegue nem piscar os olhos durante esse filme brilhante, o que era comum na obra de Bergman.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

MOSTRA INGMAR BERGMAN

O Cine Goiânia Ouro prossegue até o dia 30/05 com a Mostra Ingmar Bergman - O cinema transcendental
Horários: 12h30, 15 e 20h
Ingresso: 1 real
Local: Cine Goiânia Ouro
Rua 3, esq. com rua 9, Centro

Programação:

Dia 21/05 - Morangos Silvestres
Horários: 12h30 , 15h e 20h


Dia 22/05 - Monika e o Desejo
Horários: 12h30 e 20h

Dia 23/05 - O Silêncio
Horários: 12h30 e 15h


Dia 24/05 - Gritos e Sussurros
Horários: 12h30 , 15h e 20h


Dia 25/05 - Noites de Circo
Horários: 12h30 , 15h e 20h

Dia 26/05 - Depois do Ensaio
Horários: 12h30 , 15h e 20h


Dia 27/05 - O Sétimo Selo
Horários: 12h30 , 15h e 20h


Dia 28/05 - Da Vida das Marionetes
Horários: 12h30 , 15h e 20h

Dia 29/05 - Persona
Horários: 12h30 , 15h e 20h

Dia 30/05 - Morangos Silvestres
Horários: 12h30 , 15h e 20h


Imperdível!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

DA VIDA DAS MARIONETES



Assisti a “Gritos e Sussurros” há algum tempo e não gostei muito. Acredito que naquela época ainda não estava preparado para apreciar os filmes de Ingmar Bergman, que tem um estilo todo pessoal de dirigir.

Depois de um tempo, passei a ver todos os que eu consegui encontrar, começando com a trilogia do Silêncio de Deus: “Através de um espelho” (que é excelente, sobre uma família em uma ilha sofrendo com uma filha que tem uma doença mental incurável), “Luz de inverno” (bom, sobre um padre que já não tem mais fé) e “O Silêncio” (o pior dessa trilogia, sobre duas irmãs hospedadas em um hotel com o filho de uma delas e os problemas de saúde da outra. Não tem muito sentido). Em seguida “A fonte da donzela” que eu tinha vontade de assistir a um bom tempo e realmente é muito bom, sobre ladrões que matam uma moça e depois vão pedir abrigo na casa dos pais dela. “Persona – Quando duas mulheres pecam” (Excelente o embate de duas mulheres, a paciente e a enfermeira em uma ilha, onde uma vai tomando a personalidade da outra). “O Sétimo Selo” (Não sei se o problema foi meu, mas não gostei muito desse filme que é considerado pelos críticos um dos melhores do diretor. Tem a cena clássica do jogo de xadrez com a morte). “Morangos silvestres” (Esse muito bom, sobre um professor aposentado que viaja para receber homenagens e vai relembrando o passado, as coisas que perdeu e os erros que cometeu). “A hora do lobo” (Também não gostei. Não tem muito sentido).

O Cine Goiânia Ouro está fazendo uma retrospectiva com vários dos filmes de Bergman. Anteontem assisti a “Da vida das marionetes”, um filme muito bom, sobre um homem que assassina uma prostituta e depois faz sexo anal com ela, logo na primeira cena, que é em cores, ao contrário do restante do filme. De início logo imaginamos uma pessoa perturbada, por ter a capacidade de um ato de tamanha perversidade. Mas não é bem assim. No decorrer da trama, ouvimos os depoimentos das pessoas que estavam envolvidas com ele: sua mulher, seu terapeuta, a mãe, um amigo homossexual, além de cenas do convívio dele com a esposa, a vontade de matá-la, a insônia e a depressão. Esses depoimentos revelam que ele era uma pessoa normal e o assassinato foi provocado por um choque emocional desvendado no epílogo.

Ingmar Bergman estava em depressão quando fez “Da vida das marionetes”, além de estar exilado na Alemanha, daí o filme ser falado em alemão e com atores daquele país. Não é uma história fácil, tem um tema pesado e idas e vindas no tempo. São mostradas cenas anteriores ao assassinato e depois posteriores para que o espectador junte os pedaços dessa desfragmentação humana. Mas de qualquer forma é sempre um prazer assistir as películas desse grande diretor. Quero ver todos os outros filmes dele.