quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A SEMIÓTICA EM TUDO SOBRE MINHA MÃE



Semiótica é a ciência geral da linguagem, sendo essa a forma de expressar, de repassar os significados do emissor ao receptor, pois segundo Pearce, o pensamento se dá por significações, por signos.

A linguagem se concretiza por representações. A representação é um signo, substituto. As palavras não dão nomes às coisas, mas a uma representação.

Ex.: CASA. As letras C + A + S + A são representações do objeto real.

O signo representa algo parcialmente e não totalmente.

SIGNO
Significante + Significado
CASA ou

Dois significantes para o mesmo significado

Segundo Pierce, os signos dividem-se em:

ICONE – coisas que nos trazem algum significado, mas não sabemos qual. Uma impressão. A música é icônica, funciona como uma convenção = Linguagem sonora.

INDICE – Linguagem visual ou possibilidade que ela representa = Objeto.

SÍMBOLO – Generalização, regra, lei = Linguagem verbal.

Análise semiótica de “Tudo sobre minha mãe” (1998) de Pedro Almodóvar:
Lado icônico – cores fortes do figurino, da cenografia e da fotografia que transmitem emoção, paixão, calor; a música espanhola.

Lado indicial – o amor da mãe pelo filho; compaixão pelo próximo; “Eu sempre dependi da bondade de estranhos” (diálogo que rememora “Um bonde chamado desejo”)

Lado simbólico – o drama é a marca dos filmes atuais de Almodóvar; histórias tristes de perdas, doença, morte, segredos inconfessáveis, mas com um alento de esperança; filmes sobre mulheres: Carmem Maura, Marisa Paredes, Penélope Cruz.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

MACHETE (2010) ****


Robert Rodriguez produziu alguns trailers falsos para serem exibidos antes de “Planeta Terror” e “Machete” (em espanhol, facão) é a concretização de um desses trailers, pois o público gostou tanto daquele personagem que queria ver a sua história.
 
Michelle Rodriguez

O politicamente correto não está presente na trajetória do mexicano Machete (Danny Trejo) que mata os adversários com facões e enfrenta um senador corrupto (Robert DeNiro) que quer barrar a entrada dos mexicanos nos Estados Unidos com uma cerca elétrica na barreira dos dois países. Pelo caminho, Machete encontra vários personagens pitorescos, como Luz (Michelle Rodriguez) uma vendedora de tacos que nas horas vagas ajuda seus conterrâneos; o cúmplice do senador (Jeff Fahey), sua filha (Lindsay Lohan) e sua mulher que querem ficar famosas a qualquer custo; uma oficial da imigração (Jéssica Alba), um padre assassino (Cheech Marin).

Lindsay Lohan
O elenco é um show à parte: Danny Trejo participou de quase todos os filmes de Robert Rodriguez e tem aqui o papel de sua vida; Michelle Rodriguez brinca com o fato de seus personagens morrerem em quase todos os filmes que ela participa; Steven Seagal em seu primeiro filme assistível desde “A força em alerta” (1992); Jeff Fahey depois de ter reencontrado o sucesso com o papel do piloto do avião de Lost; Lindsay Lohan entre uma reabilitação e outra; Robert DeNiro num papel até pequeno como um senador asqueroso que tem o fim que merece; além de Jessica Alba, Cheech Marin e Daryl Sabara (quem?).
 
Jessica Alba
O sangue jorra por todos os lados, membros são arrancados, olhos são perfurados e o público se diverte à valer. No início dos créditos finais, letreiros anunciam que Machete voltará em mais dois filmes: “Machete mata” e “Machete mata novamente”. Tomara que seja verdade e o personagem gere uma trilogia. O público agradece.


Robert DeNiro

Steven Seagal



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

JOSÉ

Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O DIA DO GATO (1987)



Um vigarista chamado Gato (David Cardoso) chega do Mato Grosso de ônibus, instala-se num hotel e prepara com cuidado seu disfarce. Passa a usar o apartamento de um milionário para dar golpes, atraindo pessoas, usando como isca a venda de um carro e se vê às voltas com intrigas, carrões, bandidos e mulheres bonitas.

“O dia do gato” foi o último filme produzido e dirigido por David Cardoso e também o último dele como astro, fechando o ciclo como o rei da pornochanchada, mas este não é muito erótico, só traz alguma nudez do próprio David que sempre fazia questão de aparecer nu em seus filmes e uma cena de sexo entre ele e a atriz Mariza Sommer.

Uma tragédia marcou as filmagens: a morte misteriosa de uma das atrizes Waldirene Manna.

A capinha do DVD é equivocada e diz que esse filme foi um fenômeno de bilheteria e transformou David Cardoso no maior astro brasileiro dos filmes de ação dos anos 80, o que não é verdade. Isso aconteceu mesmo, mas não devido a esse filme.


Direção: David Cardoso
Com: David Cardoso
Helô Pinheiro
Edgard Franco
Mariza Sommer
Thalyta Cardoso
Américo Taricano
Bentinho
Ruthinéia de Morais
Débora Muniz
Waldirene Manna.

Duração do filme: 73 min.
Gênero: Policial
Tamanho do arquivo: 702 MB







quinta-feira, 4 de novembro de 2010

VI FESTCINE GOIÂNIA 2010


Começou ontem à noite a 6ª Edição do Festival de Cinema de Goiânia com a exibição do filme convidado UM DIA DE ONTEM, protagonizado por Caco Ciocler que é um dos homenageados do Festival. É a história de um músico infeliz que fica órfão, surdo de um ouvido, mas mesmo assim volta a tocar em uma casa noturna.



Hoje às 19h30 será exibido o filme OLHOS AZUIS de José Jofilly que conta a história de Marshall (David Rasche), o chefe do Departamento de Imigração do aeroporto JFK, em Nova York. Comemorando seu último dia de trabalho, Marshall resolve se divertir complicando a entrada no país de vários latino-americanos. Entre eles está Nonato (Irandhir Santos), um brasileiro radicado nos EUA, dois poetas argentinos, uma bailarina cubana e um grupo de lutadores hondurenhos. Dois anos depois, Marshall vem ao Brasil procurar uma menina de nome Luiza. Quando ele conhece Bia (Cristina Lago), uma jornada em busca de redenção se inicia.



Amanhã (05/11) é a vez do filme “BRÓDER” de Jefferson De que já foi premiado em vários festivais. A história se passa em 24 horas e traça o reencontro de três amigos que dividiram a infância no Capão: Jaiminho (Jonathan Haagensen), um jogador de futebol em ascensão no exterior; Pibe (Silvio Guindane), um sacrificado corretor de imóveis e Macu (Caio Blat), o jovem protagonista que se mantém no bairro, flertando com a criminalidade.



No sábado (06/11) será exibido o docu-drama VIAJO POQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes que fala de um geólogo que viaja e durante os sessenta dias de estrada percorrida, escreve para a amada deixada para trás, contando sobre as pesquisas que fez, as pessoas e os lugares que conheceu e principalmente, fazendo um relato sobre o profundo processo de autoconhecimento pelo qual ele passou.



No dia 07/11 será exibido OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE que já assisti e achei detestável, mas tem algumas pessoas que gostam. É a estreia na direção de Esmir Filho que ficou conhecido por dirigir o vídeo que virou hit no youtube “Tapa na Pantera”. Acompanhamos, em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, o drama de um adolescente que escreve num blog com o nome Mr. Tambourine Man. Ele tem fixação pelo cantor Bob Dylan. No MSN o instigam a conhecer o mundo. Mas esse é só o começo de uma trama muito confusa, que só assistindo para tirar a conclusão. Só sei que está entre os filmes brasileiros que eu mais detestei. Às vezes penso que teria até que assistir novamente para ver se a impressão permanecia.

ELVIS E MADONA será exibido na segunda-feira (08/11), trazendo a história do amor entre uma motoqueira lésbica (Simone Spoladore) e um travesti experiente (Igor Cotrim). O filme recebeu vários elogios por onde foi exibido.



No penúltimo dia (09/11) é a vez de MALU DE BICICLETA que narra o encontro de uma jovem carioca (Fernanda de Freitas) com um paulista mulherengo (Marcelo Serrado). É também a estreia de Marjorie Estiano no cinema.

A premiação será feita no dia 10/11.

O Festcine acontece no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro que fica na Rua 03, nº 1016 - Centro - Goiânia - GO.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

BILHETERIA DOS FILMES NACIONAIS 2010 (Até 31/10/2010)

Selton Mello em "Federal"


O filme "Tropa de Elite 2" continua levando o público aos cinemas e já passou de 7,3 milhões de pessoas, enquanto "Nosso Lar" está beirando os 4 milhões.

No último final de semana estrearam também "A suprema felicidade", o retorno de Arnaldo Jabor à direção depois de 24 anos, com público de 64.439 e "Federal" protagonizado por Selton Mello e Michael Madsen com 29.614.

Veja a lista dos filmes lançados desde o início do ano e suas respectivas bilheterias:



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

AS MELHORES COISAS DO MUNDO (2010) ***


Nos anos 80, os filmes para jovens fizeram muito sucesso no cinema brasileiro, começando em 1982 com “Menino do Rio” de Antonio Calmon, que deu visibilidade a uma nova geração de atores, como André diBiase, Cláudia Ohana e Cláudia Magno, que deu origem à fadada continuação “Garota dourada”. O rock era sinônimo desses filmes que geralmente eram musicais e tinham a trilha sonora repleta de hits do momento, o que era o caso de “Areias escaldantes”, “Bete balanço”, “Rockmania”...

Atualmente esses filmes voltaram à moda e mesmo não atraindo milhões de pessoas aos cinemas, conseguem um bom público, como “As melhores coisas do mundo”, o último filme de Laís Bodanski (Bicho de sete cabeças) que mostra as desventuras de um jovem em uma época em que tudo parece dar errado: o pai sai de casa para morar com outro homem, seus colegas descobrem isso e mostram que o preconceito ainda está bem pressente em todos os lugares; seu irmão (vivido por Fiuk, filho de Fábio Jr.) também não se conforma com a situação vigente e mostra tendências suicidas; sua melhor amiga acha que não pode mais confiar nele. Com tantas coisas ruins acontecendo ao mesmo tempo fiquei imaginando porque o nome do filme seria “As melhores coisas do mundo”, em vez de “As piores...”, mas isso é explicado só ao final de uma forma bem poética (melhor não revelar).


O elenco principal de amigos e colegas de escola é formado de atores novatos, porém competentes e há participação de atores famosos em papéis menores: Denise Fraga (mulher do roteirista Luis Bolognesi) é a mãe do protagonista; Zécarlos Machado, o pai; Caio Blat, o professor que beija uma aluna; Paulinho Vilhena (com cabelo e barba bem esquisitos, mas num papel agradável) é o professor de violão que acaba dando conselhos ao protagonista.

“As melhores coisas do mundo” fala dos problemas típicos dos adolescentes: a primeira vez no sexo, a dificuldade de entender (e ser entendido pelos pais), o grupinho de amigos (nem todos confiáveis), o primeiro amor e outras mais. Coisas que já vimos várias vezes nos filmes e até nas novelas de televisão, tipo “Malhação”, mas tratados de uma forma bem sensível e que sempre consegue envolver o espectador, já que as gerações passavam e os problemas continuam quase os mesmos e por isso é sempre pertinente falar sobre eles. Descubra!