sábado, 20 de novembro de 2010

INSOLAÇÃO (2009) ***


O título pouco atrativo pode afastar o público desse belo filme que fala do amor e da paixão. Numa cidade pequena castigada pelo sol, vários personagens confundem a sensação febril de insolação com o início da paixão.

Paulo José é o narrador da história que diz ser sobre a tristeza: Simone Spoladore vive uma mulher com problemas psiquiátricos que vaga perdida pela cidade em busca de alguém para amar e por isso acaba tendo relações sexuais com vários homens; Leonardo Medeiros diz que ama todas as mulheres no início dos relacionamentos e atualmente Maria Luisa Mendonça que não o ama; uma menina de 13 anos nutre uma paixão infundada por ele, enquanto um menino da mesma idade é apaixonado pela personagem de Leandra Leal que está doente e tem um caso com o pai dele. Além de alguns outros, todos desorientados que tem consciência que precisam amar e ser amados, mas não conseguem fazer isso acontecer e por isso tornam-se profundamente infelizes.


Daniela Thomas que antes co-dirigia com Walter Salles (Terra Estrangeira, O primeiro dia) agora assume o posto com Felipe Hirsch que é estreante na direção.

Apesar de ser um filme muito bonito, não é fácil de se ver em momento algum. Tem um ritmo bastante lento, cenas longas com câmera imóvel e um final em aberto que não resolve todas as histórias. Talvez o amor não tenha mesmo solução, mas se você tiver paciência não vai se arrepender.

Download do filme Insolação

Onde fica a tua casa?
Porque é que eu não acho?
Como é o seu retrato?
Como é que eu vou embora?
Porque é que você olha
Pra onde eu não ando?
Porque é que você anda
Pra onde eu não vejo?
                             Kid Abelha

A música "Como é que eu vou embora" do Kid Abelha, apesar de não ser tema do filme, ilustra bem o seu espírito, do quanto é difícil encontrar o amor.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A SEMIÓTICA EM TUDO SOBRE MINHA MÃE - PARTE 2



Continuando a falar de Semiótica no filme “Tudo sobre minha mãe”, agora analisarei as funções de linguagem de Jakobson e a análise sintática de Wölfflin e mais alguns dados sobre a linguagem visual de Pierce.

A função emotiva está presente em cada fotograma do filme de Almodóvar. O drama conta a história de uma mãe, Manuela (Cecília Roth), que esconde de seu filho Esteban (Eloy Azorin), quem é o seu pai. O sonho de Esteban é ser escritor e enquanto aguarda uma chance de mostrar seu talento, ele escreve suas memórias em um caderno entitulado “Tudo sobre minha mãe”.

Na noite de aniversário de seu filho, Manuela o leva para assistir a uma montagem de “Um bonde chamado desejo” de Tenesse Williams, do qual ela própria havia participado de uma montagem amadora, quando jovem. Huma Rojo (Marisa Paredes) é a famosa atriz que participa da peça atualmente. Manuela promete contar tudo sobre o pai de Esteban, quando chegarem em casa, o que se torna impossível, pois Esteban sai correndo atrás do carro de Huma, é atropelado e morre.


Manuela trabalha na central de transplante de órgãos, encenando casos em que incentiva a doação e é doloroso quando o mesmo acontece com ela, quando lhe dão a notícia de que o filho morreu, mas seus órgãos podem ser transplantados e ajudarem outras pessoas.

Após a morte do filho, Manuela resolve viajar para Barcelona para encontrar o pai de seu filho, que também se chama Esteban. Os dois se conheceram quando participaram de uma montagem amadora de “Um bonde chamado desejo”. Depois de um tempo juntos, Esteban viajou e quando voltou estava diferente, tinha colocado seios, se vestiu de mulher e adotou o nome de Lola. Quando engravidou dele, Manuela viajou para Madri e não lhe contou a verdade, o que pretendia fazer agora, vários anos depois.

Pedro Almodovar e Antonia San Juan

Enquanto procura por Lola, Manuela reencontra Agrado (Antonia San Juan), uma velha amiga travesti, que na verdade é interpretada por uma mulher. As duas vão procurar emprego em um convento onde trabalha Rosa (Penélope Cruz), uma freira assistencialista que está grávida de Lola e também com o vírus da AIDS.

O filme também traz uma função metalingüística bem forte. De início, quando Manuela e o filho assistem na televisão uma versão dublada do filme A Malvada (1950) com Bette Davis e até reclamam da mudança dos títulos dos filmes nas versões dubladas. E depois no decorrer de todo o filme, quando o drama de Manuela se mistura com o drama da peça “Um bonde chamado desejo” e as atrizes que interpretam personagens passam a interpretar também atrizes.

Manuela consegue emprego como ajudante de Huma e até participa da peça quando uma outra atriz que é viciada em drogas e também amante de Huma falta ao trabalho. Posteriormente é Agrado quem vai trabalhar com Huma e em uma noite em que as atrizes principais brigam, é ela quem toma conta do palco em um monólogo onde conta ao público o quanto gastou para se parecer com uma mulher. Agrado também cita o filme “Como agarrar um milionário” quando vai visitar Manuela e encontra as três mulheres sozinhas no apartamento (Manuela, Rosa e Huma). Bette Davis é citada novamente quando Huma conta que começou a fumar por causa dela.

Rosa (Penelope Cruz) e Manuela (Marisa Paredes)

É possível verificar também resquícios do Renascimento e da Arte egípcia, pois o filme conta com uma linguagem linear, uma clareza absoluta em todas as cenas. Apesar de não haver referências explícitas à religiosidade ou figuras santas, fica claro o papel de mãezona de todos os personagens desempenhado por Manuela, mais ou menos como Nossa Senhora, que abdica de várias coisas pelo seu filho ou por aqueles que ama e considera como seus.

Depois que perde seu filho amado, aparecem no caminho de Manuela vários personagens deslocados e que necessitam de cuidado. Inicialmente, Agrado que está apanhando de um cafetão e é salva por Manuela, que cuida dela e depois lhe arruma um emprego como ajudante de Huma. Depois da própria Huma durante uma de suas crises com sua amante. Manuela funciona também como mãe de Rosa, a freira grávida e soropositiva que não tem coragem de contar para a própria mãe o que está acontecendo e passa a morar com Manuela já que está passando por uma gravidez de risco. E por último do filho de Rosa, o terceiro Esteban da história, depois que sua mãe morre no parto.

Agrado e o colega de palco de Huma

Quanto à classificação da linguagem visual segundo Pierce, “Tudo sobre minha mãe” se enquadra como forma figurativa, pois representa acontecimentos do mundo real, da forma como podem acontecer com qualquer um de nós, sendo classificado como 2.2.2, por se tratar de algo concreto, como se fosse um retrato da realidade.

As cores fortes dos figurinos e da cenografia, com predominância do vermelho, do azul e do amarelo e que estão presentes em todos os filmes de Almodóvar desde “Labirinto de paixões” (1982), até Volver (2006), podem parecer exagerados e até meio kitschs aos olhos de um leigo, transmitem uma emoção latente, paixão e calor que são comuns aos latinos e com certeza o que há de mais icônico em todo a sua obra, já que as cores estão ali não por acaso, mas para chamar a atenção do espectador, como se fosse um personagem à parte, o que nos remete também à função fática de Jakobson.



Chama a atenção também o amor incondicional da mãe pelo filho e pela compaixão demonstrada pelos personagens uns com os outros. Isso é citado pela personagem Estela na peça “Um bonde chamado desejo”: _ Eu sempre dependi da bondade de estranhos. A fala é repetida por Huma quando esta recebe pela primeira vez a ajuda de Manuela.

Já o lado simbólico é representado pelo drama que é outra marca registrada de Almodóvar, que sempre conta histórias tristes de perdas, doenças, morte e segredos quase inconfessáveis, mas com um alento de esperança. Apesar dele também já ter dirigido comédias rasgadas como “Mulheres à beira de um ataque de nervos” (1988) e “De salto alto” (1991). Ele ficou famoso por criar personagens femininos bem mais fortes que as masculinos e é isso o que acontece também em “Tudo sobre minha mãe”, onde os homens são meros figurantes ou querem se tornar mulheres. Estas sempre reinam em seus filmes, onde foram imortalizadas divas como Carmem Maura, Marisa Paredes, Cecília Roth, Victoria Abril, Penélope Cruz, Assumpta Serna e Francesca Neri.

“Tudo sobre minha mãe” é um filme extremamente feminino e talvez por causa disso, muito sensível. Almodóvar o dedica a Bette Davis, Romy Schneider, Gena Rowlands, a todas as atrizes que interpretam atrizes, a todas as mulheres que representam, aos homens que representam e tornam mulheres, a todas aquelas que querem ser mães e à sua mãe. Em suma, o filme ideal para quem quer se emocionar.

TUDO SOBRE MINHA MÃE (Todo sobre mi madre), Espanha, 1999. Direção: Pedro Almodóvar. Com: Cecília Roth, Marisa Paredes, Penélope Cruz, Candela Pena, Antonia San Juan. 101 min. Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

JILL CLAYBURGH (1944 - 2010)



Só fiquei sabendo que a atriz Jill Clayburgh teria morrido há poucos dias. Tinha 66 anos e morreu de leucemia (contra a qual lutava há 21 anos) no dia 05/11. A atriz alcançou o sucesso na década de 70, quando foi indicada ao Emmy, o Oscar da TV americana em 1976 pelo papel de prostituta em “Reportagem perigosa” (1975) e em seguida recebeu indicação ao Oscar, o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes e vários elogios da crítica pelo papel da mulher que depois de mais 15 anos de casamento, precisa reaprender a viver sozinha em “Uma mulher descasada” (1978. Os elogios se repetiram por “La luna” (1979), “Encontros e desencontros” (1979), “Essa é minha chance” (1980) e “Gente diferente” (1987).

Jill nasceu em 30/04/1944 na cidade de Nova York em uma família rica e por isso brigava contra tudo e contra todos. Ela mesma assumiu que era auto-destrutiva, mas toda essa raiva foi canalizada no teatro que ela descobriu na faculdade. Estreou no cinema em “O casamento” (1969) de Brian DePalma, que era seu amigo. Três anos antes tinha conhecido e se apaixonado por Al Pacino, mas o romance não deu certo por ela ser rica (parece coisa de cinema).

Depois de se casar com o teatrólogo David Rabe, do nascimento de seu primeiro filho e da doença, diminuiu o ritmo de trabalho, atuando com maior freqüência em séries de TV. Ultimamente participou como coadjuvante de “E agora meu amor?” (1997), “Indo até o fim” (1997), “Coisas do amor” (2001) e “Recortes da minha vida” (2006) e das séries “Ally McBeal” (2000), “Nip/Tuck” (2004) e “O desafio” (2004).




segunda-feira, 15 de novembro de 2010

50 ANOS SEM CLARK GABLE


No dia 16 de novembro de 1960, morreu em conseqüência de um ataque cardíaco o grande astro Clark Gable (que também sofria de câncer), duas semanas depois do final das filmagens de “Os desajustados” de John Huston. A última cena desse filme mostra os atores tentando capturar os últimos cavalos selvagens que estão soltos no deserto, cena que teria supostamente cansado e matado Clark. Esse foi também o último filme de Montgomery Clift e Marilyn Monroe (que morreu antes de completar outro).

Com Claudette Colbert em "Aconteceu naquela noite"

Gable nasceu em 01/02/1901 em Cadiz (Ohio/EUA) como William Clark Gable. Houve uma época em que ele parecia destinado ao fracasso, pois saiu da casa dos pais em 1919 acompanhando companhias teatrais, mas era barrado no cinema por causa de suas orelhas de abano (que foram corrigidas por cirurgia posteriormente). Nessa época conseguiu apenas papel de figurante em “Paraíso proibido” (1924) e “A viúva alegre” (1925). Em 1931 conseguiu seu primeiro papel secundário em “O deserto pintado” estrelou seu primeiro filme, “Tentação de luxo”. Já em 1934 recebeu o Oscar de melhor ator por “Aconteceu naquela noite” de Frank Capra. Seu filme mais conhecido é o clássico “E o vento levou” (1939) que está em todas as listas dos melhores filmes do cinema, onde ele viveu o galante Rett Butler ao lado de Vivien Leigh. É também um dos meus filmes preferidos.

Com Vivien Leigh em "...E o vento levou"

Em 1942, após a morte de sua esposa, a atriz Carole Lombard, ele se inscreveu na Força aérea e serviu na 2ª guerra mundial, quando participou de curtas metragens. Dois anos depois retornou ao cinema, mas apesar de ter participado de mais 21 filmes até sua morte, o sucesso foi menor. Nesse período destacam-se “Aventura” (1945), “Mogambo” (1953), “Nas garras da ambição” (1955), “Esse homem é meu (1956), “Meu pecado foi nascer” (1957) e “Os desajustados” (1960), que ele não chegou a ver pronto. Também não conheceu seu único filho John Clark, fruto de seu casamento com Kay Williams.

Com Montgomery Clift e Marilyn Monroe em "Os desajustados"

domingo, 14 de novembro de 2010

CIDADEZINHA CHEIA DE GRAÇA



Sempre gostei muito do poema "Cidadezinha cheia de graça" de Mário Quintana que me faz lembrar da minha cidade que é pequena, mas todos adoram e hoje completa mais um ano. Parabéns!

CIDADEZINHA CHEIA DE GRAÇA
Mário Quintana
 

Cidadezinha cheia de graça...
Tão pequenina que até causa dó!
Com seus burricos a pastar na praça...
Sua igrejinha de uma torre só...

Nuvens que venham, nuvens e asas,
Não param nunca nem um segundo...
E fica a torre sobre as velhas casas,
Fica cismando como é vasto o mundo!...

Eu que de longe venho perdido
Sem pouso fixo (a triste sina!)
Ah, quem me dera ter lá nascido!

Lá toda a vida pode morar!
Cidadezinha...tão pequenina
Que toda cabe num só olhar...

de
A Rua dos Cataventos




sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A REENCARNAÇÃO DO SEXO (1981)



Antonio, não suportando o romance entre a filha Patrícia (Patrícia Scalvi) e Artur (Artur Rovedeer), sem empregado, mata-o numa emboscada. Num ataque de sonambulismo, Patrícia descobre o túmulo do amante e enterra a cabeça de um cadáver num vaso, morrendo a seguir. Dez anos depois, num asilo, Antonio aluga sua antiga casa para Célia e Fábio (Fábio Villalonga), recém casados. Célia começa a ouvir a voz de Artur e impulsionada pelas alucinações mata o marido. Seu tio Roberto (Roberto Miranda) a encontra alucinada e começa a investigar o caso.

A reencarnação do sexo é um filme de terror dirigido por Luiz Castillini e produzido por Cláudio Cunha, mas é muito paranóico. Há várias cenas de sexo mas nenhuma delas muito sensual, pois no fundo todos que transam acabam morrendo. O elenco traz vários nomes conhecidos, com a curiosidade de que todos interpretam papéis com seus próprios nomes. A protagonista Patrícia Scalvi, hoje dubladora, era mulher do diretor na época.

Elenco:
Patrícia Scalvi
Roberto Miranda
Artur Rovedeer
Lia Farrell
Ana Maria Kreisler
Fábio Villalonga
Marthus Mathias
Jota Santana
Lígia de Paula
Roque Rodrigues



Direção: Luiz Castillini
Duração: 88 min.
Tamanho do arquivo: 711 MB
Gênero: Terror erótico
Ano de produção: 1981






quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ENCONTRO EXPLOSIVO (2010) ***



Tom Cruise e Cameron Diaz vieram ao Brasil divulgar esse file, que acabou fazendo mais sucesso por aqui que no seu país de origem (EUA), devido à baixa popularidade de Tom, que já dura alguns anos, desde que ele pulou feito um louco no sofá de Oprah Winfrey. Mas foi um injusto fracasso, já que “Encontro Explosivo” é bem divertido apesar de não fazer muito sentido.

Roy Miller (Tom Cruise) tromba com June (Cameron Diaz) num aeroporto e a partir disso, a adrenalina corre solta. Roy é um agente secreto que mata todos os passageiros e tripulantes do avião, faz uma aterrissagem arriscada, foge com June, os dois são perseguidos pelos bandidos e pela própria polícia e tem que proteger uma bateria que tem carga perpétua (não precisa ser recarregada).

Os dois astros tem uma química perfeita (e um fôlego também) e são dirigidos por James Mangold que é bem eclético e já dirigiu dramas (Garota, interrompida), comédias românticas (Kate e Leopold), faroestes (Os indomáveis) e “Encontro explosivo” é sua estreia nos filmes de ação em 109 minutos bem movimentados. Divirta-se!