quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ATRAVÉS DE UM ESPELHO (Suécia, 1961) ***½

Direção: Ingmar Bergman. Com: Harriet Andersson, Max Von Sydow, Gunnar Bjornstrand e Lars Passgard. Drama, 89 min.

Primeira parte da trilogia do “Silêncio de Deus” de Bergman, que prosseguiu com “Luz de inverno” (1963) e “O Silêncio” (1963). Apesar do diretor ter negado posteriormente a intenção de fazer um trilogia, é possível notar nos três filmes personagens buscando a existência de Deus.

“Através de um espelho” tem apenas quatro atores em cena com uma fotografia deslumbrante feita na própria ilha do diretor. Karin (Harriet Andersson) que sofre de problemas mentais incuráveis e degenerativos, recebe com seu marido a visita do pai, um escritor famoso que parece mais interessado em investigar a doença da filha para uma futura publicação e do irmão que sente a falta do pai, inclusive para conversar.

Karin entre os problemas mentais e uma cena incestuosa com o irmão tem o desejo que Deus apareça para ela e lhe explique o porquê das coisas acontecerem daquele modo. Quase nos momentos finais, uma porta se abre sozinha e temos a impressão que é Deus entrando por aquela porta, mas Karin explica que é apenas uma aranha que percorre seu corpo, querendo penetrá-la e depois passa por seu corpo e sobe pela parede, como se a aranha fosse Deus. Depois que Karin é levada por um helicóptero (afinal a verdadeira causadora da abertura da porta com a ventania que causou) para uma clínica psiquiátrica, seu pai e irmão comentam que o amor é a prova da existência de Deus, ou é o próprio Deus e que assim Karin estaria rodeada por Ele, já que todos a amam tanto.

Um filme belíssimo sobre o amor entre os membros de uma família e sobre a ânsia que todos temos de falar com Deus e ter uma prova de sua existência e o melhor de tudo: acessível a todos, ao contrário de outros filmes de Bergman.

Venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro, mas nem por isso foi exibido em nossos cinemas, o que só aconteceu com a 3ª parte.

Não perca, tendo fé ou não.

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