segunda-feira, 30 de agosto de 2010

AS MUSAS DA PORNOCHANCHADA

Um dos pontos de atração do público para a pornochanchada, era o de rever as atrizes que ele estava acostumado a ver nos filmes do gênero, e várias delas construíram longas carreiras, alcançando grande sucesso e sendo lembradas até hoje pelo público. A primeira grande musa foi Vera Fischer, a Miss Brasil de 1969 que estreou no cinema em Sinal Vermelho: as Fêmeas e em seguida participou de vários outros, como O anjo loiro, A Superfêmea e Essa Gostosa Brincadeira a Dois. Vera conseguiu vencer o preconceito que acompanhou de perto muitas atrizes da pornochanchada, participando posteriormente de várias novelas.

Entre as atrizes mais atuantes no gênero estava Matilde Mastrangi, que havia estreado na televisão no programa Sílvio Santos como bailarina, até fazer seu primeiro filme, As Cangaceiras Eróticas (1974), seguido de dezenas de outros, com destaque para Erótica – A Fêmea Sensual (1984) e S.O.S. Sex Shop - Como Salvar meu Casamento (1984). Tornou-se a preferida do diretor Guilherme de Almeida Prado atuando em todos os seus filmes, desde As Taras de Todos Nós (1981) até Onde Andará Dulce Veiga? (2008) – mesmo que em papéis pequenos.

Além das atrizes já citadas, podemos destacar ainda outras que foram galgando posições nas artes cênicas, a maioria delas conquistando bastante popularidade, como por exemplo:


Rossana Ghessa (Bordel – Noites Proibidas);

Nicole Puzzi (Ariella);

Monique Lafond (Emmanuelle Tropical);

 Zilda Mayo (Bacanais na Ilha das Ninfetas);

 Zaira Bueno (Tessa, a Gata);

 Aldine Muller (Boneca Cobiçada) que conseguiu continuar carreira na televisão em várias novelas de sucesso;


Sandra Barsotti (A Difícil Vida Fácil), atriz que apareceu como mocinha das telenovelas dos anos 70, como O Casarão (1976) e mais recentemente em Viver a Vida, novela de Manoel Carlos.


E também Meiry Vieira (Pintando o Sexo) que só fez pornochanchadas, mas hoje evita falar sobre o assunto;


Adele Fátima (Histórias que Nossas Babás não Contavam);


Angelina Muniz (Karina – Objeto do Prazer), que também faz carreira na televisão;


Selma Egrey (Elite Devassa) que fez ultimamente a novela Tempos Modernos da Rede Globo;


E a belíssima Sandra Bréa (Os Imorais) que também fez grande sucesso na televisão como atriz e bailarina.

No entanto, nenhuma delas alcançou o sucesso de Helena Ramos, que é considerada a “rainha da pornochanchada” e uma das atrizes mais requisitadas, com 41 filmes no currículo, apesar de sua carreira só ter durado 11 anos (1974 – 1984). Colecionou grandes sucessos como, por exemplo, Mulher, Mulher (1979), Iracema – A Virgem dos Lábios de Mel (1979), A Mulher Sensual (1980) e principalmente Mulher Objeto (1981) de Sílvio de Abreu que, em seguida a essa produção convidou-a para sua novela Guerra dos sexos, já na Rede Globo, em 1983. Na carreira de Helena Ramos há uma curiosidade: por várias vezes ela teve que ser dublada, pois sua eterna voz de menina nem sempre correspondia ao papel de mulher sensual, exigido para os filmes.



terça-feira, 24 de agosto de 2010

QUINCAS BERRO D'ÁGUA (Em DVD) *


A Rede Globo produziu em 1978, o caso especial “A morte e a morte de Quincas Berro D’água”, dirigido por Walter Avancini e baseado no livro curto de Jorge Amado. O especial tinha no elenco: Paulo Gracindo (como o morto), Stênio Garcia, Flávio Migliacchio, Dina Sfat e Ana Maria Magalhães. Assisti à reprise desse especial em 1995 e achei engraçadinho. Dizem que essa história até serviu de base para o filme “Um morto muito louco” (1989) e comparando os dois, realmente as histórias são muito parecidas.

Agora o diretor Sérgio Machado (Cidade Baixa) resolveu adaptar essa história para o cinema, mas o enredo é simples (ao se aposentar, um funcionário público troca a vida familiar pela convivência com prostitutas, bêbados, jogadores e pequenos golpistas de Salvador. Quando ele morre, os amigos resolvem levá-lo para um último passeio) e não consegue se sustentar por 100 minutos. Talvez o especial fosse bom porque não passava de 50 minutos. Quando acompanhava a bilheteria desse filme nos cinemas fiquei me perguntando porque uma história tão popular não conseguia atrair o público, mas a resposta é simples, é porque o filme é chato mesmo. Enquanto assistia, fiquei torcendo o tempo todo para que acabasse logo, já que não costumo parar de assistir no meio.

Paulo José vive o protagonista, sem dar mostras de sua doença; Marieta Severo é a prostituta e amante de Quincas, falando num espanhol macarrônico (se é que essa expressão existe) e não muito convincente; Mariana Ximenes é a filha que tem vergonha do pai; Vladimir Brichta é seu marido engomadinho; Flávio Bauraqui é um de seus amigos de farra; e ainda há participações especiais de Milton Gonçalves (como um delegado); Othon Bastos (o dono do bar); Walderez de Barros (a sogra), mas nem um grande elenco consegue salvar um filme ruim.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

ABRAÇOS PARTIDOS (Em DVD) ***

Direção: Pedro Almodóvar. Com: Penélope Cruz, Lluís Hormar, Blanca Portillo, José Luis Gomes e Rossy de Palma. Espanha, 2009, 127 min.

“É preciso terminar os filmes, mesmo que às cegas”. Essa é a última frase dita em “Abraços Partidos”, quando o diretor Mateo Blanco (Lluís Homar) consegue finalmente terminar seu filme e editá-lo da maneira que queria, já que antes ele tinha sido editado à sua revelia. E isso acontece muito no cinema atual, principalmente no americano em que os produtores muitas vezes discordam do diretor e resolvem se meter, achando serem capazes de salvar determinado filme ou pelo menos fazê-lo render mais. Porém isso já acontece há mitos anos. Tinto Brass retirou seu nome dos créditos depois que o produtor de “Calígula” resolveu inserir cenas de sexo explícito no filme, ou o caso de Orson Wells que não pôde editar o filme “Soberba” depois de desentendimentos com a produção e de estourar o orçamento. No Brasil não é diferente, muitas vezes os filmes não são concluídos porque a verba acaba antes mesmo do final das filmagens ou na fase de pós-produção. Estima-se que há mais de 200 filmes nacionais nessa categoria, sendo os mais famosos: “It’s all true” (1942) de Orson Wells que tinha patrocínio americano e foi cancelado depois que um jangadeiro morreu afogado nas filmagens e de o governo brasileiro não estar gostando muito da suposta divulgação do país. Outro caso famoso é o do filme “Onde a terra acaba” que seria o 2º filme de Mário Peixoto, diretor do clássico “Limite”, cancelado depois dos desentendimentos entre o diretor e a produtora Carmem Santos. Em 2001, Sérgio Machado dirigiu um documentário sobre as filmagens e aproveitou as poucas cenas filmadas por Mário.




















Mas “Abraços partidos”, o 20º filme de Pedro Almodóvar não é só sobre isso, é também sobre o amor infinito que surge entre o diretor e a protagonista de seu filme Lena (Penélope Cruz), que era secretária e amante de um empresário, mas tinha o sonho de ser atriz, sonho esse realizado por ele, que com ciúmes coloca seu filho para produzir o suposto making-off do filme e assim descobrir a traição. Um acidente muda o rumo das coisas e traz revelações do passado, 14 anos depois do fim das filmagens.

Toda a crítica ficou fazendo comparações entre este e “Volver” que foi o filme anterior de Almodóvar. Realmente aquele era melhor, bem como “Tudo sobre minha mãe”, que considero o melhor filme dele, mas “Abraços Partidos” também tem muitas qualidades, começando por Penélope Cruz no 4º filme do diretor e exercendo sua função de musa, esplendorosa em todas as cenas, inclusive com uma peruca branca. E também por falar de amor em várias de suas formas: o amor pelo cinema e pelo trabalho e o amor carnal que demonstra ser essencial para que as outras coisas também “andem” bem.

sábado, 21 de agosto de 2010

SALT (Em cartaz) ***

Direção: Phillip Noyce. Com: Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor. EUA, 2010, 100 min.

Quando assisto filmes em casa, prefiro assistir sozinho para não me distrair ou conversar durante a exibição, por isso fiquei assustado quando fui ver “Salt” e não tinha ninguém no cinema além de mim. Pensei que nem fossem exibir para um só espectador, mas ainda bem que exibiram e pude me sentir na sala da minha casa, com uma televisão enorme.

Não tinha lido muita coisa sobre esse filme e fiquei achando que a personagem principal teria sido feita para um ator, lembrando aqueles filmes de ação feitos em massa nos anos 80 e 90 e que tinham como protagonistas Bruce Willis, Sylvester Stallone e colegas afins. Depois da sessão li que o papel foi feito para Tom Cruise, mas no final ficou com Angelina Jolie em sua volta ao cinema depois de ter sido indicada ao Oscar em 2008 por “A Troca”. Mas ela não deixa nada a dever a Tom Cruise e desempenha o papel com muita desenvoltura e agilidade: corre, salta, bate, apanha...

Evelyn Salt (Angelina Jolie) trabalha para a CIA e num interrogatório com um prisioneiro é acusada de ser espiã russa, que teve os pais mortos num acidente de carro e pretende matar o presidente daquele país. Sabendo disso ela foge e é perseguida pelos seus “colegas” da C.I.A. Então fica a pergunta: Será que ela é mesmo espiã russa ou só está fugindo para tentar provar a sua inocência?

Salt tem várias reviravoltas. Num momento temos certeza de algo e a seguir isso cai por terra com uma nova revelação (ou morte), o que é muito bom hoje em dia em que tudo parece previsível. Tem 100 minutos de duração, mas eles passam tão rápido e deixam um gostinho de “quero mais” quando de repente sobem os créditos finais.

Acho que o fato de não ter mais ninguém naquele cinema, não é sinal de fracasso, já que o filme estreou em 2º lugar nas bilheterias, só perdendo para “Shrek para sempre” e nos Estados Unidos já fez mais de $ 103 milhões. Mas é claro que deve sair de cartaz, pelo menos nessa sala quase vazia. Se você ainda não viu, vá ver logo, pois vale a pena.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

CHICO XAVIER (Lançado em DVD e Blu-ray)


O Brasil é o maior país católico do mundo, mas apesar disso, sempre demonstrou ter um povo de várias crenças e adepto a acreditar e absorver um pouco de cada uma delas. E o espiritismo sempre ocupou um lugar de destaque, o que foi provado pelo sucesso de várias novelas que tratavam do tema, como “A Viagem” (1973 – 1994), “Sétimo sentido” (1982) e a atual novela das 6 da Rede Globo “Escrito nas estrelas” e a mini-série “A cura” com Selton Mello.

O cinema também retratou muito bem o espiritismo. Ghost – Do outro lado da vida teve uma de suas maiores bilheterias no Brasil; Joelma – 23º andar tinha participação do próprio Chico Xavier, o sucesso inesperado do filme de baixo orçamento “Bezerra de Menezes – O diário de um espírito” e agora “Chico Xavier” que é a biografia do famoso médium e levou aos cinemas mais de 3 milhões de pessoas, sucesso que deve ser repetido com seu lançamento em DVD e posteriormente com sua exibição na TV.

O filme começa quando Chico Xavier se prepara para participar do programa “Pinga-fogo” (TV Tupi – 1971) e nos seus depoimentos relembra toda a sua trajetória desde a infância, quando perdeu cedo a mãe (Letícia Sabatella) que o ajudou mesmo depois de desencarnada; o sofrimento com a madrinha cruel (Giulia Gam); o acolhimento com a madrasta (Giovanna Antonelli); a relação com o pai (Luis Melo); a amizade com o padre (Pedro Paulo Rangel); o início de sua vida espiritual como médium e o desprendimento das coisas materiais, pois apesar de ter psicografado 412 livros, nunca recebeu direitos autorais. O dinheiro ia para instituições beneficentes. Intercalado às suas lembranças há a história do diretor do programa Pinga-fogo (Tony Ramos) e de sua esposa (Christiane Torloni) que sofrem com a perda recente do filho.

Chico é interpretado por três atores, todos muito bem: Matheus Costa (na infância), Ângelo Antonio (na fase adulta) e Nelson Xavier (na velhice) que parece ter encarnado a figura do medium.

O filme traz uma paz imensa a quem o assiste, independente de sua religião e de acreditar ou não na mediunidade e no que Chico Xavier fazia, mas a história é contada de uma forma tão sincera que é impossível não parar para refletir e mesmo sem acreditar totalmente, também não se chega a duvidar da veracidade da história.

É produzido pela Globo Filmes e conta com um elenco “all star”, muitos em papéis pequenos. Além dos já citados, há ainda Carla Daniel (filha do diretor Daniel Filho), Cássio Gabus Mendes (exagerado como sempre), Nildo Parente, Paulo Vespúcio (que é goiano), Paulo Goulart, Cássia Kiss, Cynthia Falabella, Rosi Campos e Ana Rosa.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A IMPOSSIBILIDADE

Gilberto Carlos



Quase pude tocar a impossibilidade
De tão palpável que ela tinha se tornado
E logo eu que acredita que isso nem existisse
Vi que ela é um fantasma que persegue as pessoas
Lembrando-as que algumas coisas não hão de ser.

Mesmo que as probabilidades indiquem
As circunstâncias da vida impedem
E o escravo de todas as situações
Não pode fazer nada
A não ser, aceitar.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

52 ANOS DE MADONNA

Madonna fez 52 anos de muitas loucuras, mas principalmente de muito sucesso. Atualmente namora o brasileiro Jesus Luz, mas já foi casada com o ator Sean Penn (que a agredia) e depois com o diretor Guy Ritchie que a dirigiu no muito criticado (mas que eu adoro) “Destino Insólito”.

Nasceu Madonna Louise Veronica Ciccone, em Bay City, no dia 16 de agosto de 1958. Foi conclamada como A Rainha do Pop e apelidada de Material Girl, depois do sucesso de sua música homônima. Com mais de 300 milhões de álbuns e singles vendidos, Madonna é a cantora que mais vendeu álbuns e singles na história da música mundial. Ela é também a segunda cantora mais vendida dos Estados Unidos, com 64 milhões vendidos, perdendo apenas para Barbra Streisand.

Iniciou a carreira como cantora de grande sucesso. São vários os seus hits: Holiday, Like a Virgin, Papa Don't Preach, Like a Prayer, Vogue, Frozen, Don’t cry for me Argentina, American Pie, Music, Hung Up, 4 Minutes e dezenas de outros. Tenho dúvida de qual música dela que mais gosto. Talvez goste de todas.

Com o sucesso como cantora vieram as propostas para atuar como atriz, que ela atendeu prontamente, mas nunca foi considerada uma grande atriz e participou de alguns fiascos. Estreou no cinema em 1980, no drama erótico “Um certo sacrifício” e assinando como Madonna Ciccone. Em seguida um de seus melhores filmes “Procura-se Susan desesperadamente” ao lado de Rosanna Arquette que foi reprisado centenas de vezes na Sessão da Tarde e fez com que eu me tornasse seu fã. “Surpresa em Changai” também foi fracasso, mas o escrachado “Quem é essa garota?” também é muito querido do público.

Em 1990 participou da adaptação dos quadrinhos “Dick Tracy” de Warren Beatty e no ano seguinte o único Woody Allen de sua carreira (que aliás é um dos filmes menos conhecidos do diretor) “Neblina e Sombras”.

Já o SBT exibia no Cinema em Casa a comédia “Uma equipe muito especial” que ainda tinha no elenco Tom Hanks e Geena Davis. Gosto muito do suspense erótico “Corpo em evidência”, mas este também foi malhado pela crítica. Fez também participações especiais em “Sem Fôlego” (de Paul Auster e Wayne Wang), “Garota 6” (de Spike Lee), e “Grande Hotel”, antes de estrelar o musical “Evita” de Alan Parker ao lado de Antonio Banderas e os também malfadados “Sobrou pra você” e “Destino Insólito” que foram suas últimas participações como protagonista. Em seguida fez um pequeno papel em “007 – Um novo dia para morrer” e dublou uma personagem em “Arthur e os Minimoys”. Nem preciso dizer que adoro todos os filmes, mesmo os mais criticados.

Em 2008 estreou como diretora em “Sábios e sujos” e agora está filmando “W.E.”. Vida longa à rainha do pop, seja como cantora, atriz, produtora ou diretora.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

VENCEDORES DO FESTIVAL DE GRAMADO


Teve encerramento no sábado à noite, o 38º Festival de Gramado. O grande vencedor foi o filme "Bróder" de Jeferson De com 5 prêmios. Conheça os demais vencedores:

Melhor Filme de Longa-metragem:
“Bróder”, de Jeferson De

Melhor Diretor:
Jeferson De, por “Bróder”

Melhor Ator:
Caio Blat, por “Bróder”

Melhor Atriz:
Simone Spoladore, por “Não Se Pode Viver Sem Amor”


Melhor Roteiro:
Dani Patarra e Jorge Dúran, por “Não Se Pode Viver Sem Amor”

Melhor Fotografia:
Luis Abramo, por “Não Se Pode Viver Sem Amor”

Melhor Trilha Musical:
João Marcello Bôscoli e Jeferson De, por “Bróder”; e
Jonh Ulhoa, Ruben Jacobina e Diamantino Feijó, por “Ponto Org”

Melhor Montagem:
Quito Ribeiro e Jeferson De, por “Bróder”

Melhor Direção de Arte:
Ana Dominoni, por “O Último Romance De Balzac”

Prêmio Especial do Júri:
“O Último Romance De Balzac”, de Geraldo Sarno

Prêmio da Crítica:
- Melhor Filme: “Diário De Uma Busca”, de Flavia Castro
- Prêmio do Júri Popular: Melhor Filme: “180º”, de Eduardo Vaisman

Prêmio Do Júri Estudantil:
- Melhor Filme: “Diário De Uma Busca”, de Flavia Castro

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

OS MERCENÁRIOS (Estreia)


Estreia hoje nos cinemas o tão comentado filme que Sylvester Stallone fez no Brasil no ano passado e que causou reboliço depois de algumas declarações preconceituosas ditas por Stallone durante a Comic Con. (Feira de HQs): “Você pode explodir o país inteiro e eles vão dizer obrigado, e aqui está um macaco para você levar de volta para casa”. Depois críticas ao B.O.P.E. “Os policiais de lá usam camisetas com uma caveira, duas armas e uma adaga cravada no centro; já imaginou se os policiais de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problemático é aquele lugar”.

No dia seguinte, percebendo o erro e que isso poderia atrapalhar a carreira do filme nos cinemas brasileiros, pediu desculpas: "Eu sinceramente peço desculpas ao povo brasileiro. Todas as minhas experiências no Brasil foram fantásticas e eu recomendei para todos meus amigos que filmassem lá. Ontem, eu tentei fazer um tipo humor e fui muito infeliz. Tudo que eu tenho pelo grande país que é o Brasil é muito respeito. Novamente, peço desculpas".


O roteiro do próprio ator conta a história de um grupo de mercenários, classificados como dispensáveis, que tem como missão lutar para combater um ditador na América Latina (no caso, o Brasil, com cenas filmadas em Mangarativa e no Parque Lage, no Rio de Janeiro). Stallone é o chefe desse grupo que no decorrer da investigação acaba se apaixonando pela filha do ditador, vivida por Gisele Itiê (Bela, A feia).

É como se tivéssemos voltado no tempo e estivéssemos de novo na década de 80, pois Stallone fez questão de relembrar aqueles áureos tempos em que ele e outros brutamontes dominavam as bilheterias. Quase todos eles estão aqui, com exceção de Jean-Claude Van Damme, que mesmo com a carreia em baixa (como a maioria dos outros) não quis se aventurar. Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger participam de uma única cena debochando de si mesmos; Dolph Lundgren (que já tinha trabalhado com Stallone em Rocky IV); Mickey Rourke (O ano do dragão); Jet Li (Romeu tem que morrer); Eric Roberts (o irmão de Julia Roberts, que participou de O expresso da meia noite); Gary Daniels (O guerreiro da estrela polar e o menos famoso deles) e Jason Stathan (Carga Explosiva) que é o astro de ação do século XXI e faz o parceiro de Stallone nessa empreitada.

Decida se quer relembrar os anos 80 e perdoar as declarações equivocadas de Stallone. É o trash que se tornou imperdível, por prazer ou por pura curiosidade.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

400 CONTRA 1 - A HISTÓRIA DO COMANDO VERMELHO (Em cartaz)


Brasil, 2010. Direção: Caco Souza. Com: Daniel de Oliveira, Daniela Escobar, Branca Messina, Fabrício Boliveira, Lui Mendes, Jefferson Brasil, Jonathan Azevedo, Rodrigo Brassoloto, Felipe Kannenberg, Negra Li. 95 minutos.

Quem nunca se perguntou como surgiu o Comando Vermelho, a organização criminosa criada no Rio de Janeiro em 1979, que praticou inúmeros roubos a bancos e joalherias e é identificada pela sigla CV, pichada em vários locais, principalmente nas favelas cariocas? Esse filme baseado no livro homônimo de Willian da Silva Lima, um dos líderes do movimento responde a essa pergunta. Ou pelo menos tenta.

O personagem principal é interpretado por Daniel de Oliveira, vivendo o professor Willian, que articulou as bases do que viria a ser o Comando Vermelho, durante sua reclusão na Prisão Cândido Mendes, na Ilha Grande, junto com outros presos normais. Estes entravam em conflito com os presos políticos, já que a história se passa durante a ditadura militar, que já rendeu dezenas de filmes e talvez não tenha mais nenhuma novidade a ser dita sobre aquele período. Já assisti vários filmes sobre a ditadura e confesso que não me interesso muito mais por eles.

Essa história é contada com várias idas e vindas no tempo, de tal forma que às vezes fica difícil compreender, pois o espectador fica em dúvida em que época está, se antes ou depois da formação do Comando Vermelho. Isso acontece com freqüência na primeira metade, que chega a ser irritante, mas na segunda dá uma abrandada e passa a ser mais linear. Nada contra os filmes que não são narrados de forma convencional, mas isso não pode atrapalhar a compreensão ou a apreciação do filme.

O filme está sendo muito criticada pela glamourização dos bandidos, que parecem os mocinhos e pela produção pobre nas cenas de ação. O sangue jorrado na parede em uma morte se parece com suco. Além de insinuar que os foragidos teriam posto em prática os ensinamentos aprendidos com os presos políticos, mas o público (ainda bem) parece não estar muito preocupado com isso e está comparecendo às salas para conferir o resultado. Claro que as cenas violentas ajudaram.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO


Il y a Longtemps que je T'Aime. Direção: Philippe Claudel. Com: Kristin Scott Thomas, Elsa Zylberstein, Serge Hazanavicius, Laurent Grevill, Frédéric Pierrot e Lise Ségur. França , 2008 - 115 min. Drama.

Já falei sobre esse filme em Títulos cativantes, pois acho “Há tanto tempo que te amo”, um título bem atrativo para o espectador e foi o que aconteceu comigo também.

É a história de uma mulher (Kristin Scott Thomas) que hospeda-se na casa da irmã depois de 15 anos afastada. No início tudo é mistério para o espectador e os segredos vão sendo revelados aos poucos. Ela ficou afastada porque estava presa, mas o motivo da prisão só é revelado mais tarde e o porquê de ela ter feito o que fez, só nas cenas finais.

Um filme tipicamente francês, contido e com emoções introvertidas. Nem quando um dos personagens comete suicídio a emoção aflora, o que acontece só no diálogo final das duas irmãs, quando o grande mistério é revelado. As duas conversam o filme inteiro e vão reaprendendo a se amar. O título faz referência a uma música que elas cantam ao piano e não propriamente ao amor que sentem.

Não é adequado ao grande público, mas quem tiver paciência não vai se arrepender.

Adoro filmes franceses, pois gosto de ouvir a pronúncia do idioma, mas infelizmente a cópia que eu assisti era dublada em português.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

OS FANTASMAS DE SCROOGE

Lembro-me da época em que os filmes de Robert Zemeckis eram imperdíveis, começando com a trilogia “De volta para o futuro”, passando pela aventura “Tudo por uma esmeralda”, a inovação de “Uma cilada para Roger Rabbit”, a malfadada comédia de humor negro “A morte lhe cai bem”, os Oscars de “Forrest Gump – O contador de histórias”, o suspense “Revelação” e “Náufrago“ que é notável por não ser chato apesar de ter Tom Hanks sozinho na tela a maior parte do tempo.

As coisas começaram a complicar quando ele resolveu inovar mais uma vez com a animação “O expresso polar” que era feito por atores (quase todos os personagens eram interpretados por Tom Hanks, trabalhando pela 3ª vez com Robert Zemeckis) em uma tela de projeção. O filme custou $ 330 milhões e não fez muito sucesso de público. Agora ele repete a experiência com este “Os fantasmas de Scrooge” que é baseado em “Um conto de Natal” de Charles Dickens e conta a história do sovina Sr. Scrooge (que já tinha aparecido em uma participação especial em “O expresso polar”, também um filme natalino) que só pensa em ganhar dinheiro até que é visitado pelos fantasmas dos natais do passado, do presente e do futuro e começa a repensar suas atitudes.

A história é conhecida de todos e já foi adaptada várias vezes para o cinema e para a televisão, inclusive pelos Trapalhões, mas não sei porque, nunca me interessei muito por esse filme, se pela técnica que parece feia ou se pela história meio manjada e ás vezes mais destinada às crianças.

O protagonista é dublado por Jim Carrey e tem semelhanças com o ator, mas ainda estão no elenco Gary Oldman, Fionula Flanagan, Cary Elwes, Colin Firth, Robin Wright Penn e Bob Hoskins. Não fiquei muito empolgado com todo o deslumbre apresentado por Zemeckis. Talvez fosse melhor ele voltar a dirigir filmes em live action.



sábado, 7 de agosto de 2010

MEU PAI

Gilberto Carlos

Meu pai não é de falar muito
Mas eu consigo entender os seus silêncios
Todos eles
E sei respeitá-los.

Às vezes acho que há um oceano entre nós
Que impede a comunicação e o entendimento
Depois percebo que só há um corregozinho
Facinho de transpor e que somos muito parecidos.

Nas horas em que eu não quero ver ninguém
Posso entender o seu isolamento
E sua revolta pelas coisas imutáveis
Se é que elas existem

Já cheguei a duvidar do seu amor
Por ele não ser explícito como o de mamãe
Mas é porque ele tem dificuldades para lidar com os sentimentos
E guarda tudo para si.

Talvez por isso sofra tanto:
por não conseguir demonstrar o que sente
Sabendo disso posso amá-lo como ele é
E chegar até o seu coração.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

ESTREIAS DO FIM DE SEMANA

A ORIGEM
(Estreia em: AL, AM, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PB, PE, PR, RJ, RN, RS, SC, SE, SP)

Don Cobb (Leonardo DiCaprio) é especialista em invadir a mente das pessoas e, com isso, rouba segredos do subconsciente, especialmente durante o sono, quando a mente está mais vulnerável. As habilidades únicas de Cobb fazem com que ele seja cobiçado pelo mundo da espionagem e acaba se tornando um fugitivo.




400 CONTRA 1
(Estreia em: AM, BA, CE, DF, GO, MA, MG, PA, PB, PE, PR, RJ, SP)

William da Silva (Daniel de Oliveira), um dos grandes articuladores daquilo que viria a se tornar o Comando Vermelho, vai parar no presídio de Ilha Grande, onde presos ‘comuns’ eram colocados lado a lado com presos políticos.




MEU MALVADO FAVORITO
(Estreia em : AL, AM, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PB, PE, PR, RJ, RN, RS, SC, SE, SP)

Gru (Steve Carell) é o maior vilão do momento, mas tem seu posto abalado pelo novato Vetor (Jason Segel). Para recuperar o topo, ele planeja roubar a Lua, auxiliado pelas criaturas Minion. O problema é que três meninas órfãs veem nele a figura de um pai. Diante disso, Gru fica dividido entre roubar a Lua e abandonar as pequenas ou ficar com elas e desistir dos seus planos.



O ESTRANHO EM MIM
(Estreia em: PR, RJ, RS, SP)

Rebecca (Susanne Wolff), 32 anos, e seu namorado Julian (Johann von Bülow), 34, esperam a chegada de seu primeiro filho. O mundo deles parece perfeito quando Rebecca dá à luz um menino saudável. Mas, ao invés do amor incondicional que esperava sentir, ela se vê imersa num redemoinho de sensações de impotência e desespero. O próprio filho lhe parece um estranho.




QUANDO ME APAIXONO
(Estreia em: DF, MG, PR, RJ, RS, SP)

A história de uma professora nova-iorquina, April Epner (Helen Hunt), que vive a crise dos 40 anos. Após ser abandonada pelo marido Ben (Matthew Broderick), ela inicia um romance com Frank (Colin Firth), pai de um aluno seu. Para complicar, sua mãe adotiva morre e a mãe biológica Bernice Graves (Bette Midler) torna-se uma excêntrica apresentadora de TV.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

MARATONA ADAM SANDLER

Assisto a todos os filmes de Adam Sandler e gosto de sua persona e da moral de suas histórias que sempre tratam com carinho das minorias, como negros, homossexuais, judeus, apesar de ele ser muito criticado pelo humor quase sempre rasteiro que usa, o que eu não considero um problema tão grave, visto que no final seus filmes acabam sempre deixando boas lembranças.

Nas últimas semanas fiz quase uma maratona com os filmes dele que ainda não tinha assistido:

OS CABEÇAS DE VENTO: do início de sua carreira, onde o protagonista é Brendan Fraser e eles formam juntos com um amigo, uma banda de rock de desmiolados que “seqüestra” uma rádio para tentar alcançar o sucesso. Engraçadinho!

UM FAZ-DE-CONTA QUE ACONTECE: Misto de fantasia e realidade, quando as histórias contadas por Sandler durante a noite, tornam-se realidade no dia seguinte. Talvez um pouco complicado para as crianças pequenas, a quem o filme é destinado, mas interessante para quem acredita que os sonhos podem tornar-se realidade (ou seja, todos nós).

ZOHAN – UM AGENTE BOM DE CORTE: O filme mais erótico de Sandler. Ele vive um agente israelense que abandona tudo em seu país para realizar o sonho de ser cabeleireiro em Nova York, onde faz o maior sucesso com as clientes, devido à sua anatomia sexual avantajada. Um filme muito criticado, mas eu adorei. Me fez lembrar das pornochanchadas.

OITO NOITES DE LOUCURA DE ADAM SANDLER: desenho animado natalino onde ele dubla vários personagens. Decepcionante!

TÁ RINDO DO QUÊ?: Um filme muito estranho que começa como um drama pesadíssimo de um homem (Sandler) que tem câncer em fase terminal e termina como uma comédia não muito engraçada da trupe de Judd Apatow, com uma metragem não pouco adequada às comédias (145 minutos).

E na semana que vem estreia GENTE GRANDE.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ILARIÊ EM TI TI TI


Sou fã da Xuxa desde 1986 quando ela começou na Globo com o histórico Xou da Xuxa que todos que eram crianças naquela época tem saudades. Assisti a todos os filmes dela, inclusive o censurado “Amor, estranho amor” e tenho todos os LPs do Xou da Xuxa.

Assisto a novela “Ti Ti Ti” e foi com grande alegria que assisti uma cena com Cláudia Raia e Alexandre Borges no último bloco do 11º capítulo que foi ao ar na quinta-feira passada. Os dois estão em uma festa com músicas dos anos 80 que de início toca “Conga, Conga, Conga” da Gretchen e em seguida Ilariê da Xuxa. A personagem de Cláudia Raia exageradamente diz que é a música da vida dela e começa a dançar loucamente.

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Assista à cena

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

ROCKY BALBOA (EUA, 2006) *** ½

Sempre fui fã de Sylvester Stallone, por isso fiquei decepcionado quando ele falou mal do Brasil há pouco tempo durante a Comic Con (feira de quadrinhos dos Estados Unidos), fazendo referência ao filme “Os Mercenários”, que ele filmou por aqui no ano passado. Stallone demonstrou ser mal agradecido já que sua carreira não está mais no auge e luta por um sucesso a qualquer custo e o Brasil é (ou era?) um dos poucos países que ainda gostam de seus filmes e o acolheu de “braços abertos” para essa nova empreitada. Parece que além de um pedido de desculpas ele ainda tinha ficado devendo mais de R$ 3 milhões para a produtora O2 Filmes de Fernando Meireles, que é co-produtora do filme. Ele explicou suas declarações para o Fantástico do domingo passado, dizendo que tudo não passou de um mal entendido e só queria parecer engraçado.

Por isso foi com má vontade que me aventurei a assistir o último capítulo da saga de Rocky Balboa, que teve início em 1976 com o filme dirigido por John G. Avildsen e com roteiro do próprio Stallone, que venceu o Oscar de melhor roteiro naquele ano. Ele dirigiu os três filmes seguintes e Avildsen aparentemente tinha encerrado a série em 1990, mas Stallone ainda tinha algo a dizer sobre Rocky e em 2006 roteirizou e dirigiu esse filme que me surpreendeu por ser um dos mais sensíveis e melhores da série.

Rocky agora é dono de um restaurante e sofre com a perda do mulher, vítima do câncer e com o filho que se sente invisível debaixo da sombra do pai. Em um momento Rocky chega a chorar, mas não desiste de seus sonhos: investe em um romance com uma vizinha e alimenta o sonho de voltar a lutar.

Devo confessar que tenho ressalvas quanto a filmes sobre disputas esportivas, pois o protagonista sempre vence no final, mas este é diferente. Só há uma luta e o final é mais para ressaltar a redenção do personagem do que para qualquer outra coisa. E além disso, o filme ainda traz uma lição de vida. Numa conversa com o filho, Rocky diz que “Ninguém baterá tão forte quanto a vida, mas isso não se trata do quão forte pode bater, se trata do quão forte pode ser atingido e continuar seguindo em frente.”

Talvez Stallone ainda tenha uma nova chance.