segunda-feira, 26 de outubro de 2009

MARÉ - NOSSA HISTÓRIA DE AMOR (Brasil, 2007) **

Direção: Lúcia Murat. Com: Marisa Orth, Cristina Lago, Vinícius D'Black, Elisa Lucinda, Babu Santana, Flávio Bauraqui e Malu Galli. 104 min.

De todos os longas de Lúcia Murat (Que bom te ver viva - 89; Doces poderes - 96; Brava gente brasileira - 2000; Quase dois irmãos - 2004; Olhar estrangeiro - 2005) esse era o único que eu ainda não tinha assistido. E comecei a fazê-lo com certo entusiasmo, já que não é muito comum vermos um musical brasileiro.


"Maré" é a história de dois jovens que se conhecem em um baile funk, mas pertencem a duas facções diferentes de uma favela do Rio de Janeiro e enfrentam os problemas decorrentes disso, ou seja, é a história de Romeu e Julieta transposta para os dias atuais e a realidade brasileira, lembrando mais especificamente o filme "Amor sublime amor" (West side story)que também era um musical e falava da briga entre gangues rivais nos Estados Unidos dos anos 60. Portanto, nada de original aqui.

Marisa Orth vive a dedicada professora de dança de vários jovens favelados que querem melhorar de vida e saírem da favela, inclusive os protagonistas Ana Lídia (Cristina Lago) e Jonathan (Vinícius D'Black). A narração é feita em forma de canções por um grupo de hip hop que aparece esporadicamente, já as outras canções apesar de tratarem do mesmo tema, parecem destoantes do restante da narrativa, como se fossem videoclipes ilustrativos editados à revelia. Outro problema que encontrei e que me impediu de me envolver e gostar mais (além da falta de novidades) foram os estilos musicais que dominam todo o filme: o hip hop e o funk, para quem não é apreciador desses estilos, o filme se torna cansativo e barulhento. De todas as canções, a única que gostei foi uma cantada por Marisa Orth que é uma adaptação das cantigas de roda "Ciranda, cirandinha" e "Marcha soldado". Se todas as outras seguissem o mesmo estilo, não só com cantigas de rodas, mas com músicas conhecidas, mesmo que adaptadas, o filme seria mais fácil e com certeza mais acessível a um número maior de pessoas.

Lúcia Murat assume os papeis de diretora, argumentista, roteirista e produtora. Haja fôlego! Mas tomara que tenha melhor sorte no próximo filme.

No ano passado, o diretor Breno Silveira (Dois filhos de Francisco) dirigiu outra versão de Romeu e Julieta: "Era uma vez", dessa vez em Ipanema. O filme fez mais sucesso que "Maré" e foi mais elogiado pela crítica, mas será que ainda há alguma coisa nova a ser dita ou contada sobre Romeu e Julieta? Deixem-os descansar em paz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário